quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Coimbra de outros tempos!

Podem ver mais fotos antigas de Coimbra aqui!!
Excelente galeria de imagens!

Luso Clássicos

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O DESÂNIMO DA LIBERDADE



Liberdade,
onde páras com saudade,
andas triste e ansiosa,
dos tempos de antigamente;
Estás velhinha,
usas óculos no nariz,
perguntas à gente que passa,
“afinal que mal eu fiz?”;
“Ninguém me liga,
pareço uma velha tonta,
uma coisa que não conta,
que não tem valor nenhum;
Noutro tempo,
quando era nova e bela,
era a mais desejada na vida,
hoje, que estou cansada dela,
estou presa, doente com esta ferida;
Só precisa de liberdade quem está acorrentado,
só lhe dá valor se a quiser e não tiver,
o fruto proibido é sempre o mais desejado,
só está preso mesmo, só se não souber,
liberdade passou a ser um produto empacotado;
É proibido proibir, usar a proibição,
tudo é permitido, usando o meu nome liberdade,
um dia, depois do caos, em que ninguém se entende,
vão chamar-me de novo cheios de atenção,
e sentir que o excesso conduz à frivolidade”.

UM GRITO DE AJUDA


"Chamo-me Catarina Pinto, tenho um filho com 15 meses chamado
Francisco. Desde os primeiros dias de vida tem sido extremamente
difícil alimenta-lo, rejeita todo o tipo de alimentação, não por
reacção alérgica mas por não querer.


Tem sido sempre acompanhado pelo Hospital Fernando Fonseca onde já lhe
fizeram todo o tipo de exames e não conseguem nenhum tipo de
diagnostico, já foi alimentado por umas sondas mas nem por isso
aumentou de peso. Com 15 meses pesa apenas 6.900 gramas. Peço que
alguém que tenha conhecimento de algum caso igual ou semelhante que me
contacte imediatamente para que eu possa saber de que maneira poderei
ajudar o meu filho. Muitíssimo Obrigada

Ana Cristina Pinto


Tel.: 962439830

Serviço SOS Criança"

(PEDIDO DE AJUDA RECEBIDO POR E-MAIL)

OLH'Ó PASSARINHO


Encontrei esta mulher,
num dia de sol caliente,
ela quis-me fotografar,
foi numa rua qualquer,
onde havia muita gente,
não conseguia lembrar,
por um momento sequer,
então apelava à mente,
porque estará ela a me focar,
onde já vi esta mulher?
Não consigo, por mais que tente,
sei que vi, não consigo recordar,
e se estiver enganado e não souber,
porque me mirará na lente?
Serei mais belo que o luar,
da noite que me aprouver,
vou mas é passar um pente,
fingir que não estou a olhar,
na malícia que couber,
um homem é fraco e sente,
e não consegue controlar,
mas o que terá esta mulher?

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

AS TERMAS DE LUSO





Apesar de ser nascido e criado na freguesia de Luso, nunca tinha frequentado ou entrado nas suas termas.
Este ano, sem necessidades especiais de saúde, simplesmente para descansar, decidimos ir uma semana “para banhos”, como se diz na gíria burriqueira Lusense. Depois de uma semana, ficámos francamente satisfeitos. Sentimo-nos como um velho pneu, depois de muito rodar, já velho e cansado, ao qual foi aplicada uma recauchutagem a quente. Uma semana maravilhosa muito bem acompanhados e “assessorados” por pessoal, que, para além de simpático, de sorriso sempre nos lábios, demonstraram serem muito responsáveis profissionalmente.
Num ambiente retro, arte nova, onde o tempo parece ter parado no princípio do século XX, como se fizéssemos uma viagem ao passado, onde a qualquer momento esperamos ver entrar uma dama dos “loucos anos vinte”, com grande chapéu e plumas. O silêncio impera nos corredores, revestidos de mobiliário art deco, onde, em sombras do passado, parece fazer sentir-se o espírito das águas, que, em fluidos, libertando-se do âmago da terra, parece, tal como nós, sentir-se ali muito bem. As funcionárias, como “anjos”, vestidos de branco, em ninfas materializadas da mitologia grega, deslizam suavemente ao longo do edifício. Os seus passos suaves e compassados, como retirados de uma pauta musical, a certos momentos, têm o som aveludado de uma flauta dos Andes.
Os termalistas, numa mimética continuada, fundada no respeito pelo próximo e pela ambiência calma e relaxante, com os pés, “vestidos” nuns chinelos estandardizados, mal se ouvem.
Ao fundo, num grande hall, a menina esbelta com a taça nos lábios, em pedra negra, parece convidar a beber água pura, como se dissesse: “bebam desta água e ficarão esbeltos como eu e jamais sofrerão de pedra nos rins”. A missão de “aguadeira” foi delegada numa simpática senhora de 36 anos ao contrário (63), como costuma dizer de sorriso nos lábios. É a Dona Angélica Aguiar, funcionária da casa há 43 anos. Não se sabe se a sua constante simpatia será resultado do intenso contacto com a finíssima água de Luso ou se, pelo contrário, já teria nascido com um imenso sorriso nos lábios. É um mistério. Quando lhe pedia “um copinho da reserva especial”, partia-se toda a rir e exclamava: “você nem parece de Barrô!”. Acabei por nunca perceber se seria um elogio ou o contrário, mas isso também, naquele ambiente paradisíaco, pouco importava. Enquanto saboreava aquela “reserva especial”, as despedidas, dos que partiam eram constantes: “até para o ano, Dona Angélica, saímos daqui como novos, vamos sentir a falta desta água tão especial”. Até para o ano senhor engenheiro Joaquim e Dona Gertrudes. Boa viagem até Setúbal. Para o ano cá vos espero!”, rematava a simpática senhora, embalada num sorriso generoso de orelha a orelha.
No canto esquerdo, à nossa espera, estava o senhor Rui Fernandes, com o seu ar de menino tímido. Massagista com muitos anos de experiência, como qualquer acupunctor sabe os pontos-chave do corpo humano, também o Rui, com mãos de artista, sabe o que fazer para aliviar as dores stressantes de um ano de trabalho e distender qualquer nervo mais renitente. Através dos banhos Vichy, com jactos de água e cremes revigorantes, remodela a nossa espinha dorsal, e, como santo milagreiro, revitalizando todos os músculos periféricos, saímos do seu tratamento como se tivéssemos menos vinte anos.
Do nosso lado direito, a Dona Francelina Mira, com a sua simplicidade e simpatia, chama-nos para o Emanatório, onde o borbulhar da milagrosa água de nascente nos acalma e, juntamente com os aerossóis sónicos, irão prevenir futuras sinusites.
De palavra fácil, responde a qualquer pergunta. Então se disser respeito ao “seu” Luso – “a mais linda terra do mundo”, como costuma dizer- sabe tudo, embalada numa voz embargada de emoção.
Na piscina, de transparentes águas aquecidas, sob o controle da senhora Conceição Taveira e as terapeutas Manuela Milheiro e Helena Caria, de “braço acima, perna abaixo, roda a cabeça para a direita”, ao fim de meia-hora largamos os exercícios meios cansados mas, psiquicamente, muito bem.
Ao fim de uma semana, que passou demasiado rápido, sentimos vontade de reiniciar.
Numa nuvem de expectativa, (dá para perceber), todos esperam que o novo adquirente accionista maioritário, Paulo Maló, traga uma revitalização desejada às termas. Que não lhe retire a atmosfera familiar, tão sui generis, mas esperam, sobretudo, um investimento em “marketing”, que leve a uma internacionalização e uma aposta forte em publicidade nacional. É preciso levar ao conhecimento geral que, contrariamente ao que se pensa, o termalismo não se destina unicamente a pessoas doentes nem idosas.
As Termas de Luso sempre foram e serão o catalizador, o reagente impulsionador de toda a actividade turística de uma região que tem tudo para fazer feliz qualquer visitante. Precisa é de uma convergência de todas as suas sinergias.
O Luso não é apenas a água que se bebe. Para além dela, que é riquíssima em pureza, há mais mundo que é preciso dar a conhecer.

Onde andas Marinho???

Estava esta tarde a ler os meus blogues favoritos, entre eles o www.arrastao.org da autoria de Daniel Oliveira, quando li:


Resta-me dizer que estou 100% de acordo com este pequeno texto... também já tinha constatado tal facto... embora nunca me tivesse pronunciado aqui sobre ele...

Penso que todos já percebemos o que Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados quer com todos os seus discursos e criticas... APENAS APARECER E SER O CENTRO DE TODAS AS LUZES (DA RIBALTA????).

Quando falamos de assuntos tão importantes, como é sem dúvida este, Marinho Pinto.... não aparece, não diz nada de sua justiça...

A última aparência em Telejornais, que eu me lembro foi quando o Presidente do Conselho Superior de Magistratura lhe deu uma série de recados... num discurso simplesmente espectacular que embora estanto claramente endereçado a Marinho nunca se referiu a essa ilustre personagem da nossa justiça... enquanto Marinho olhava para o tecto quase numa atitude de criança rebelde que sabe que está a "levar nas orelhas" mas mesmo assim assobia para o ar, como se nada tivesse a ver com ele!!!


domingo, 31 de agosto de 2008

CULTURA: FILHA DE UM DEUS MENOR (3)





Há dias fui visitar o Museu do Caramulo. Até lá chegar, encontrei imensas placas sinalizadoras e indicativas de “museus”, já dentro da Vila, e junto ao museu, nenhuma. Resultado, como não conhecia, andei mais um quilómetro, que, ida e volta, somaram dois.
Para aceder ao museu, paguei catorze euros (éramos dois). Como já passava do meio-dia, e a casa de memória encerrava para almoço das 13 às 14, como não deu tempo para apreciar todo o extenso acervo, saímos e voltámos depois da hora de reabertura. Como saímos cedo, e vendo as placas indicativas de aldeias típicas, fomos visitar a que nos pareceu mais bonita: Bezerreira. Junto à estrada nacional uma placa a indicar a aldeia. Andámos, andámos e lá entrámos no lugarejo típico sem qualquer placa a indicar o nome do lugar. Percorremos a pé a pequena aldeola e, com desdita, vimos as imensas casas em pedra de granito completamente em ruínas. À saída, havia várias estradas sinuosas mas nem uma única placa a indicar qualquer destino. Entrámos na primeira e fomos parar a outra aldeia em sentido contrário ao Caramulo. Lá voltámos atrás e finalmente encontrámos o rumo certo. Quanto custará uma placa? Se não estivesse tão deficitário, palavra que me apetecia oferecer uma ao Presidente da Câmara Municipal do Caramulo.
No dia seguinte fui à Mata Nacional do Buçaco. Como entrei de carro, paguei 2.50 euros. Se fosse de monovolume pagaria 5 euros. Se entrasse a conduzir um autocarro pagaria 25 euros. Para além destas taxas, se visitasse a Capela ou o Museu Militar, que estão encerrados à hora do almoço, teria de, naturalmente, pagar ingresso.
Numa primeira apreciação, a frio, ao pagar entrada para a mata, o primeiro pensamento que nos ocorre é: “está correcto! Esta medida serve de portagem impeditiva que toda a gente leve o popó para o interior da floresta. Este ónus serve de medida protectora do ambiente. Como partimos de premissas erradas, naturalmente que a conclusão será errada também. Esta medida taxativa não pretende proteger a floresta, é no mínimo uma norma economicista que, para além de prejudicar o turismo do Luso, serve apenas e só para realizar verbas. E porque digo eu isto, pergunta você? Muito simples, não existe alternativa. O trajecto entre o pórtico de entrada da mata, o Hotel e a Cruz Alta é bastante longo, e feito em piso de calcário, em paralelepípedos. Como é assim, o resultado é que poucos voltam atrás renegando o pagamento. E aqui é que se prova que se a medida é para proteger a floresta é em vão. Em boa verdade, também não está prevista a desistência, porque não existe junto à portagem nenhum parque de estacionamento.
“E que alternativa deveria haver, já agora conte lá!”, interroga-me você, com ar de que está na presença de mais um “Chico-esperto”. Eu, sem desarmar, explico. Deveria haver dentro da Mata Nacional uns pequenos comboios, estes sim a pagar, que levariam as pessoas a conhecer e a percorrer a densa área de 105 hectares, classificada pelos botânicos como um dos melhores arboretos da Europa. Assim já me calaria. Esta era a verdadeira alternativa. Até vou mais longe: para além destes percursos dentro do interior desta “floresta Amazónica” deveria haver outros desde o Luso até às portas da mata.
Segundo informações que consegui no Luso, parece que há uns cerca de vinte anos a Pensão Alegre, que pertenceu ao Marquês da Graciosa –já agora aproveito para aconselhar a visita, é lindíssima a sua arquitectura antiga e muito bem recuperada-, conjuntamente com a Pensão Regional (também muito bonita e acolhedora), tinham umas “charretes”, puxadas por cavalos, com cocheiros vestidos de farda e a rigor, que faziam um largo percurso. Com o decair das termas, por isso ou por outros factores, a verdade é que acabaram estes transportes típicos.
Depois, há cerca de uma dezena de anos, houve um empresário arrojado que ousou avançar para o transporte de pessoas em pequenos comboios, entre o Luso e a Mata do Buçaco. Requereu as licenças, que lhe foram concedidas, mas não passou do primeiro ano. E aqui começa o desiderato. Para algumas pessoas que ouvi, “foram concedidas as licenças ao investidor, mas ele nunca saiu da Avenida Emídio Navarro. Os motores aqueciam muito até ao Buçaco e ele desistiu e foi-se embora”. Quando pergunto: se nunca saiu da avenida como saberia ele que os motores aqueciam? Esta interrogação fica sem correspondência.
A seguir vêm outras pessoas, que não se querem identificar, que dizem mesmo que durante um ano o comboio circulou entre o Buçaco e o Luso. Porém, os taxistas, vendo-lhes fugir a clientela para o comboio, trataram de fazer a vida negra ao pobre homem, que, assim, sem saudades, logo que pode, partiu. “Olhe, por estas guerras entre profissionais do mesmo ramo, perdemos todos: perdeu o homem, perdeu o turismo e perdeu o Luso!”
Se é verdade ou não, se estes desabafos serão “tricas”, isso não sei, limito-me a escrever o que ouvi. O que sei, em minha opinião, é que o Luso precisa de um transporte deste género para aproveitar o afluxo turístico e, calmamente, tirando partido da mata do Buçaco, poder usufruir daquela maravilhosa e imensa paisagem verde.
Quanto ao facto de se pagar para entrar na floresta, também ouvi uns comentários curiosos: “Olhe, há cerca de uns oito anos, o Movimento dos Jovens Católicos de Luso puseram a correr um abaixo-assinado para que se onerasse o acesso à mata do Buçaco. A medida, para além de ser ecológica, permitiria arrecadar umas verbas que se destinariam à revitalização daquele imenso espaço verde; à sua limpeza, conservação e sobretudo à recuperação das capelas da Via-Sacra, no percurso do Sacromonte.
A verdade é que se implantaram as portagens de acesso e, passados todos estes anos, tudo continua…para pior. As verbas nunca foram empregues para o fim a que se destinavam. As capelas, da Via-Sacra, sobretudo as esculturas originais do século XVIII, provavelmente da escola de Machado de Castro, estão num estado degradado, péssimo, que raia o escândalo, pelo abandono negligente”.
Quando lhe pergunto se acha que esta medida de ingresso onerada prejudica o Luso, este declarante afirma sem pestanejar: “Claro! Esta gente não está absolutamente nada interessada em proteger ou desenvolver seja o que for. Olham apenas para os nossos recursos sobre a bitola economicista. Querem é sacar! Estão pouco interessados na cultura ou na sua perpetuação. Ainda que apregoem o contrário, eles substituíram a memória do passado pelo vazio do presente!”

CULTURA: FILHA DE UM DEUS MENOR (2)



Em Maio, do corrente ano, li no Jornal da Mealhada, em que sou colaborador e assinante, num excelente editorial do seu director, Nuno Castela, em que este defendia determinados pontos de vista para a futura utilização do “Parque Urbano da Mealhada”. Este espaço, junto à Nacional nº1, com cerca de doze hectares, foi recentemente adquirido pela autarquia mealhadense. Nuno Castela defendia uma boa utilização do parque, nomeadamente através de infra-estruturas de lazer, que tornassem aquele espaço, para além de lúdico, também único no concelho. Que não servisse apenas para implantação de um bar, como estava previsto pela Câmara da Mealhada.
Como sou natural do concelho da Mealhada e esta cidade não possui nenhum museu, e, para além disso, possuo muitos objectos antigos, e relativos a profissões em desaparecimento, propus cedê-los gratuitamente a termo em prol deste projecto. Peguei na ideia que tinha apresentado em Coimbra, ou seja o “Centro de Mesteres Antigos –Artes & Ofícios Tradicionais”, adaptei-a a novo figurino, tendo em conta que agora teria de ser implantado em pré-fabricados, mas se estes eram necessários para a construção do bar, facilmente seriam acoplados ao projecto, isto segundo a minha opinião. Elaborei um novo Anteprojecto, fiz um “boneco” para melhor compreensão da minha “proposta académica”, e entreguei um pequeno dossier na autarquia da terra do leitão nos primeiros dias de Junho, e fiquei à espera.
O tempo foi passando. Passou Junho, Julho e Agosto estava no fim e, da autarquia da Mealhada, nada. No dia 26, uma terça-feira, pondo os pés ao caminho, entrei na autarquia, e, na mesma secção onde anteriormente entregara o anteprojecto, mesmo ao lado do Gabinete do Presidente, agora com outra funcionária, e expliquei ao que ia e, mostrando a minha estranheza pelo silêncio, pedi para ser recebido pelo chefe da edilidade. A senhora ficou com o meu número de telemóvel e prometeu que, depois de falar com o presidente, rapidamente me ligaria a responder. Pedi-lhe que, no caso de vir a ser recebido pelo chefe do executivo, se possível, fosse durante esta semana, uma vez que estava de férias e, consequentemente, mais disponível.
Na quinta-feira, à tarde, recebi uma comunicação telefónica da funcionária: “O senhor presidente não recebeu nenhum anteprojecto seu. A minha colega (que o recepcionou anteriormente) está de férias, de modo que só é possível analisá-lo se o senhor voltar a entregar o documento. Para além disso, o senhor presidente não pode recebê-lo esta semana. Quando for possível recebê-lo contactá-lo-ei novamente”. Irritadíssimo por esta profundíssima falta de respeito, neguei-me na hora em entregar novo documento. Se o senhor presidente me quisesse receber muito bem, se não quisesse, tudo bem na mesma.
Depois de pensar melhor, tentei ligar para o mesmo número de telefone mas ninguém me atendeu. No dia seguinte, logo de manhã, estava junto da mesma funcionária a retirar o pedido para ser recebido pelo presidente Carlos Cabral. Pura e simplesmente, com este executivo não queria mais nada. Retorque a funcionária: “não quer? Olhe que afinal o anteprojecto está cá. Alguma coisa aconteceu para o senhor presidente não o ter lido. Não quer mesmo que seja apresentado?” Não, não quero mesmo! Estou farto da vossa falta de respeito. Prefiro apresentar o meu protesto na Assembleia Municipal, respondi irritado.
Dali, saí à procura da funcionária encarregue de fazer a inscrição para a Assembleia que, segundo informações prestadas, trabalhava numa secção de “obras particulares”, num outro edifício, a cerca de 100 metros da Câmara Municipal.
Entrei na referida secção e, ao funcionário presente, dizendo ao que vinha, solicitei a senhora encarregue da anotação. Responde o funcionário secamente: “a senhora (…), de facto trabalha aqui, mas agora está na Câmara Municipal, portanto, se quiser falar vá lá e procure por ela!”. Eu já estava irritado pelo que me tinha acontecido e, ainda para mais, como se estivesse em dia não, ainda tinha que aturar um mau funcionário, que de prestador de serviço público tinha muito pouco. Passei-me. Exigi que ele, através do telefone, contactasse a senhora, que era a sua obrigação. O seu serviço público era servir o cidadão e não contrário. O homem é que não estava pelos ajustes: se o interesse era meu que fosse à procura da senhora. Então atirei-lhe com o ultimato: o senhor não a chama, nesse caso, faça o favor de me apresentar o “livro amarelo”. Como uma mola, o homem virou-se para trás e colocou-mo à frente. Para os meus botões pensava: bom, não tenho mesmo outro remédio senão lavrar o meu protesto no livro.
Numa fracção de segundos, o homem pega no telefone e procura a funcionária e fala com ela, dando-lhe conta de que eu estaria à espera.
Veio a senhora, depois dos cumprimentos, disse-lhe que pretendia inscrever-me para a próxima sessão da Assembleia Municipal. A funcionária, de meia-idade, muito simpática por sinal, dividida entre a surpresa e a dúvida, exclamou: “inscrever-se para a Assembleia? Mas olhe, que aqui, nunca inscrevi ninguém! Quem quer assistir ao debate vai, sem inscrição, e no fim da sessão, depois dos dossiers apresentados, o Presidente da Assembleia Municipal pergunta aos presentes se algum se quer pronunciar acerca dos assuntos em debate. Mas é sempre só e apenas sobre os assuntos pendentes”.
Lá expliquei à senhora que, para denunciar ou anunciar qualquer assunto referente ao município, o acesso a uma assembleia municipal, depois de inscrição prévia, é público, enquanto órgão fiscalizador do executivo municipal. Para além disso, é um direito Constitucional de qualquer cidadão em exercício pleno dos seus direitos.
Lá ficou então, mais uma vez, com o meu número de telemóvel para, depois de falar com o presidente da assembleia, me contactar.
Agora pergunto-lhe leitor: que tipo de país é este? Que raio de pacovismo enfermam estas autarquias, em forma de paróquias, capelas e capelinhas? Esta ignorância, este obscurantismo, esta falta descarada de respeito pelo cidadão e pela cultura, a quem beneficia?
Como pode um país, com este serviço público, caminhar para a frente em direcção ao TGV, à Internet, ao século XXI, se ainda estamos na idade da pedra, no paleolítico social?

CULTURA: FILHA DE UM DEUS MENOR (1)



Em Fevereiro, deste ano, ao saber do iminente desmantelamento do Museu Nacional da Ciência e da Técnica, Doutor Mário Silva, em Coimbra, para além de medidas que visavam evitar o seu total encerramento, levando em conta a falta de iniciativas culturais que elevem a auto-estima e a revitalização da zona histórica, elaborei um anteprojecto escrito, em forma de “proposta académica”, que enviei a várias entidades com responsabilidades políticas na Baixa, entre elas, a Câmara Municipal de Coimbra, a ACIC, Associação Comercial e Industrial de Coimbra, a APBC, Agência de Promoção para a Baixa de Coimbra, o INATEL, a Reitoria da Universidade de Coimbra, juntas de freguesia de São Bartolomeu e de Santa Cruz.
Certamente, estará a interrogar-se, afinal de que tratava este “Anteprojecto em forma de ideia”? Pois bem, eu explico, começando por apresentar as partes dispersas: tendo em conta que existe em pleno coração da Baixa um edifício vazio, e sem qualquer utilização, com 600m2, na Rua da Sofia, o antigo quartel DRM, e protocolado à Universidade em regime de cedência; tendo em conta que o Museu Nacional da Ciência e da Técnica tem um espólio valiosíssimo, disperso pela cidade e fora dela, desde a mais antiga lâmpada fosforescente de que há conhecimento, alfaias agrícolas, as primeiras galenas (primeiros rádios de captação de ondas hertzianas, do inicio de 1920), os primeiros Gramophones de Thomas Edison, quatro carros e duas avionetas do Estado Novo que nunca foram mostrados ao público, e milhentos instrumentos importantíssimos no desenvolvimento da Ciência e da técnica entre meados do século XIX e finais de XX, para além deste extraordinário acervo museológico; tendo em conta que ao remexer neste assunto do museu descobri que havia sete funcionários “emparteleirados”, sem trabalho distribuído, e a receber salários, mensalmente, sem que ninguém se importasse com o seu rendimento laboral; tendo em conta a carência de “empreendimentos-âncora” que levem pessoas para a Baixa, porque não juntar os elementos e fazer um “Centro Comercial de Mesteres Antigos –Artes & Ofícios Tradicionais”? Este “centro comercial”, seguindo a linha dos modernos centros de consumo, teria, no entanto, uma diferença: estaria vocacionado apenas para o antigo, para artes e profissões em desaparecimento, como, por exemplo, sapateiros, barbeiros, latoeiros, tanoeiros, etc. Para além disso, ao fim de semana, muitas profissões e jogos tradicionais (como, por exemplo, o vendedor de banha da cobra e o jogo de saltar à corda, entre outros) seriam apresentadas teatralmente. Assim como, e contrariamente a esta interactividade, tendo em mira a preservação museológica de objectos, teria uma parte inactiva, representativa de profissões, onde não faltava a de prostituta, com uma secção apenas dedicada a objectos de culto de índole sexual.
Neste Anteprojecto estava prevista a entrada de mecenas e dadores de arte contemporânea ou objectos antigos coleccionáveis que, preocupados com o fim que levariam as telas, os brinquedos antigos, faianças ou as porcelanas da Vista Alegre, após a morte do coleccionador, poderiam ali dar prolongamento ao seu gosto pelo coleccionismo, e, através do seu nome referenciado, evitariam o espartilhamento pelos herdeiros de algo tão precioso que, durante décadas constituiu o sal da sua existência, o preenchimento de um vazio inexplicável, e, que para além de tudo, levou uma vida a construir.
O coleccionador está para a arte como o caçador está para a presa; pode levar uma vida inteira para conseguir uma peça rara, mas não desiste nunca de a perseguir. Um dia, quando menos espera, cai-lhe nos braços. A seguir a esta luta titânica vem a pergunta: “quem vai dar valor ao que tanto me custou conseguir? Assim que eu fechar os olhos, os meus herdeiros, ávidos por dinheiro, como aves de rapina, inevitavelmente vão vender tudo ao desbarato”.
Como qualquer escritor ou artista em geral, o coleccionador é um ser vaidoso, dividido entre o narcisismo e a alteridade. Para além de objectos para a sua colecção persegue o culto da imagem através do acervo da memória. Para além disso, quer projectar no futuro a sua passagem terrena, através dos objectos que juntou e ser recordado como uma pessoa sensível que, através da pesquisa, a expensas suas, contribuiu para a memória futura de um povo. O seu espólio, no seu sentir, é uma extensão da sua individualidade e pessoa, é a sua própria identidade projectada em peças que lhe lembram o passado, nas suas reminiscências, e o futuro em ser recordado.
Por isso, nos nossos dias, há imensas pessoas que, quer pelos motivos acima apontados, quer por um altruísmo sem descrição, entregam as suas obras, os seus amores de uma vida, para serem preservados e mantidos expostos em museus.
Infelizmente, por um lado, constata-se que, no caso de algumas autarquias, aceitam mas, a seguir, não respeitam a vontade do benemérito. Por outro lado, por uma tremenda ignorância, acabam por não dar valor ao que lhes é dado de mão-beijada. Para piorar, algumas, nem sequer se dão ao trabalho de aceitar.
Para terminar o meu texto, e ainda relativo ao meu Anteprojecto, gostaria de lhe dizer leitor que nenhuma entidade, que citei, se deu sequer ao trabalho de me responder.
Mas não foi a única. Há mais! Conto a seguir, para não maçar.

A MISÉRIA DO INTERIOR





SOMOS CONVIDADOS, ATRAVÉS DE PLACAS SINALIZADORAS, A VISITAR "ALDEIAS TÍPICAS". COMO QUALQUER CURIOSO QUE SE PREZE, VAMOS, E O QUE SE NOS DEPARA? IMENSAS CASAS DE CALCÁRIO EM RUÍNAS QUE FAZ DOER O CORAÇÃO. E AS QUE ESTÃO RECUPERADAS, O RESTAURO FOI FEITO SEM QUALQUER CRITÉRIO. QUE PENA! NÃO HAVERÁ NINGUÉM QUE VEJA A RIQUEZA QUE TÊM ENTRE MÃOS? VALHA-NOS TODOS OS SANTOS DA CAPELA!
DEPOIS HÁ OUTRA QUESTÃO: PORQUE NOS CONVIDAM? PARA VER A MISÉRIA E A DECREPITUDE? SERÁ PARA ISSO? OU, PELO CONTRÁRIO, SERÁ UM "STUDY CASE", EM QUE OS AUTARCAS NOS QUEREM FAZER SENTIR A PENA, O DÓ, E A DOR DE VERMOS ESTE "DESFAZER" DA MEMÓRIA SEM PODERMOS INTERVIR? SERÁ ASSIM UMA ESPÉCIE DE TERAPIA DE CHOQUE, COMO A DIZER-NOS: "VÃO-SE HABITUANDO PORQUE NO FUTURO SERÁ MUITO PIOR!"

(ALDEIA DE BEZERREIRA -CARAMULO)

O PARADOXO


O PASSADO E A MODERNIDADE NA ALDEIA DE BEZERREIRA, CARAMULO.

VOLTO...JÁ!



QUER SABER O QUE É “REGUEIFA”?
FAÇA O SEGUINTE, DIRIGA-SE AO LUSO, ATRAVESSE A VILA EM DIRECÇÃO À FONTE DE SÃO JOÃO, E NUM QUIOSQUE PERTO DE SI ADQUIRA A “REGUEIFA”. É UM BOLO! PENSAVA QUE ERA O QUÊ?...SEU MALANDRECO!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

OS SETE ESPECTADORES DO APOCALIPSE



Domingo à noite, dia 24 de Agosto, no Teatro Messias da Mealhada, o cartaz anuncia a sessão para as 21,30: “Batman, o cavaleiro das trevas”.
À hora marcada, para início do filme, entrámos, eu e a minha esposa, e estranhámos a sala vazia. No Balcão éramos os únicos. Olhávamos para baixo, para plateia e não víamos viva alma. Especulativamente, em analogia, pensámos, bom a sala vazia tem a ver com o título do filme: trevas. Só podia ser isso. Veio o intervalo e, para nossa surpresa, afinal não estávamos sós, havia mais cinco espectadores.
E, o que é que isso terá de especial, perguntará o leitor, nos modernos multiplexes também não acontece isso? Acontece sim, é verdade. Mas há uma diferença, no cinema privado o sucesso de uns filmes, na sala ao lado, dão para outros menos concorridos. Chamo à colação o “privado” porque o Teatro Messias é de concessão pública. Foi a Câmara da Mealhada que o recuperou, e reinaugurou em 2001, gastando vários milhares de contos na sua beneficiação e, directamente, faz a sua exploração económica e financeira, através de, entre vários eventos, filmes em cartaz e teatro de revista.
E fez mal? Interroga-me você, meio desconfiado, tentando descortinar onde quero chegar. Não, não fez. Acho que fez até muito bem ao chamar a si o restauro e a revitalização de um edifício que, estando praticamente em ruínas, foi um marco histórico na Mealhada –inaugurado em 18 de Janeiro de 1950, por Messias Baptista, o seu grande impulsionador, para, sem fins lucrativos, servir culturalmente a comunidade Mealhadense, veio a encerrar definitivamente, já num estado decrépito em 1990.
A troco da sua posse a termo, salvo erro, durante cinquenta anos. Respondo ainda mais: ainda bem que o fez, ainda bem que adquiriu o cine-teatro do Luso, e oxalá outras autarquias do país seguissem o exemplo da cidade do leitão e, contrariamente a esta, com uma visão apenas economicista, deixem cair em ruínas os animatógrafos, aos poucos, quase deliberadamente, no esquecimento, daqueles cuja memória estão bem presentes como “Cinema Paraíso”.
Mas, então? Agora é que não percebo mesmo nada onde quer chegar, reclama você. Tenha calma. Eu explico. O executivo bairradino, ao adquirir uma sala de espectáculos, que é um marco importantíssimo na cultura, e custeando as obras de restauro, para uma cidade que de outro modo, através da iniciativa privada seria parcialmente impossível, está perfeitamente de acordo com o que se entende por “serviço público”. O que discordo é que a sua exploração seja deficiente e fique aquém do seu âmbito social. A autarquia, a troco de 3euros, por pessoa, possibilita a todos a facilidade de assistir a um filme actual e de cartaz. Lembro que em qualquer sala multiplex um bilhete custa 5.50euros. Acontece que, num desinteresse atroz, ou talvez não, as pessoas mesmo assim não vão. Então, como não se deslocam, numa sala para três centenas e meia de pessoas, com todos os custos inerentes, luz, pessoal, manutenção do edifício, amortização, nalguns casos, como neste que relato, o filme é projectado para os sete espectadores que referi.
Se, por motivos vários, as pessoas não vão, nesse caso, é preciso que a autarquia, continuando o espírito do “serviço público”, não se fique, de braços cruzados, apenas pela oferta do espaço a troco de uma módica quantia, à espera de quem não prometeu ir. Num gesto sócio-cultural sem discussão, e nos espectáculos que prevê pouca afluência, deveria oferecer bilhetes às juntas de freguesias para que estas os distribuam por quem entendam. Bem sei que logo haverá críticas de que é uma medida eleitoralista, mas o que é que é melhor, do ponto de vista cultural, sabendo que os custos fixos são os mesmos, será ter a sala vazia ou completa, mesmo que seja através de ingressos oferecidos? Penso que esta pergunta é de retórica, não oferecendo contestação.
Não nos devemos esquecer que o concelho da Mealhada é profundamente rústico, de uma ruralidade assente em séculos, e há pessoas, sobretudo reformados, que nunca entraram num cinema. Como não têm hábitos inculcados, evidentemente que a sua não convivência cultural, resultado da sua ignorância e desconhecimento, para eles é completamente desnecessária e despicienda.
Ora, mais uma vez chamando a atenção para o espectro de “serviço público”, estou certo que todos concordamos que criar hábitos nos cidadãos, de leitura, de frequentar museus, de dançar, assistir a peças de teatro, ir ao cinema, é realmente um investimento educacional, um serviço básico que cabe ao Estado despoletar.
O que leva ao desaparecimento de locais de culto da nossa memória é a sua não frequência pelos cidadãos, umas vezes porque não foram criados hábitos desde pequeninos, outras vezes, numa mimética de carneirada, vamos todos atrás de modas consumistas. Quando estes templos de memória encerram, ficando naquele espaço uma cratera, um fantasma de um edifício, um vazio de história que nos toca e fere, abrimos todos a boca de espanto: ahhhh! Que pena!

domingo, 24 de agosto de 2008

sábado, 23 de agosto de 2008

ACHEI "A ORIGEM DO MUNDO"

("A ORIGEM DO MUNDO" -GUSTAVE COURBET 1866)

Passeava na rua lentamente,
sem ter nada que fazer,
olhava os rostos das gentes,
por entre uma chuva corrente,
tentava adivinhar no rosto, e ler,
se eram ateus ou crentes,
foi então, num raio de sol nascente,
num recanto escuro de prazer,
em sombra perdida de olhares carentes,
encontrei aquela pintura quente,
olhando as gentes que olhavam a correr,
interroguei se acaso eram parentes,
fugiam de mim, dela, como serpente,
saracoteia, em volta antes de morrer,
e eu, sem perceber nada, porque fugia a gente,
daquele paraíso carnal dolente,
imagem que convidava a entrar sem sofrer,
porque é que uma pessoa mente,
nunca diz aquilo que sente,
derrete-se toda para ter,
teatraliza e ilude a gente,
embora diga não querer,
mata pelo desejo que sente,
o gozo pode ser curto e saber,
mas ao desejo não se mente,
vida sem prazer não é viver,
é estar morto clandestinamente.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Vamos lá a ser homenzinhos!!!



"A reunião do executivo da Câmara da Mealhada ficou ontem marcada com o pedido de suspensão de mandato do vereador do PSD João Pires. Depois de Gonçalo Breda Marques, que também suspendeu o seu mandato de vereador há alguns meses, Carlos Marques assume a bandeira “laranja” no executivo camarário de maioria socialista praticamente sozinho, sendo voz corrente nos meandros políticos da Mealhada que a actual comissão política do PSD local, liderada por César Carvalheira, quer “isolar” Carlos Marques, o vereador e militante “laranja” que ousou defrontar em eleições o actual presidente da concelhia (ver caixa)."
Sem uma boa oposição não há bons "governos"!
Como quer o PSD oferecer uma alternativa credivel para a nossa autarquia com este tipo de situações?

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

LUSO: AS OBRAS DE SANTA ENGRÁCIA



O REPRESENTANTE QUE NÃO SE JULGA REPRESENTAR E OS
REPRESENTADOS QUE NÃO DEPOSITAM CONFIANÇA NO REPRESENTANTE.

Segundo a última edição do Jornal da Mealhada (JM), “Após alguns comerciantes do Luso terem enviado uma petição à Câmara Municipal da Mealhada (CMM), no passado mês de Julho, a solicitar apoios e formas de compensação para colmatar os prejuízos que estão a ter com as obras que estão a ser feitas na Fonte de São João e na Avenida Navarro, desta vila, muitos garantiram, à repórter do Jornal da Mealhada, que vão encerrar os seus estabelecimentos comerciais no próximo mês de Setembro.”
Continuando a citar o jornal, “Sabemos que os negócios estão a sofrer uma quebra, a nível nacional, devido à crise que estamos a viver, contudo, aqui no Luso, na altura do verão, o negócio costumava correr bem. Este ano, o negócio está péssimo porque os visitantes queixam-se do barulho e da poluição a que estão sujeitos quando passeiam pela vila”, afirmou uma comerciante que não se quis identificar. E acrescentou: “Mas o mais grave é que da parte da Câmara da Mealhada tinham-nos dito que as obras não iam parar e afinal estão paradas durante quinze dias. O Luso está com um aspecto horrível”.
Continua a notícia no JM, “ (…)Sobre a petição que foi feita por alguns dos comerciantes da freguesia de Luso e entregue na CMM, contactámos Nuno Alegre, representante dos comerciantes e hoteleiros do Luso, que afirmou: “Há pouco tempo estive numa reunião com elementos da Câmara Municipal da Mealhada e fui confrontado com esta petição. Não fazia ideia de que existia e não assinei nada. Não tenho nada a ver com isso”.

Ponham-se a pau!!



"O proprietário de um bar em Mindelo, em Vila do Conde, foi detido, esta quarta-feira de madrugada, por alegadamente ter trancado no estabelecimento, durante 45 minutos, dois militares da GNR que tinham ido ao local após uma denúncia de ruído. "

In Jornal de Notícias

Pois é!!!

PS: é difícil arranjar tema para falar!!!
Não se passa mesmo nada!!! Aproveito e deixo-vos música!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

NÃO NOS DEIXES MARTHAS!

(MAIS UM GRANDE ESTABELECIMENTO QUE ENCERRA NA BAIXA)

O velho Marthas, com 98 anos finou-se. Desde a implantação da República, em 1910, que “morava” na Praça Velha, em Coimbra. Se alguém se lembra dele, isto é, se o visitaram nos últimos meses, parecia vender saúde. Gostava de livros, e tudo o que se relacionava com cultura. Ensinava a pintar. Tinha tintas, pincéis, imensos lápis, esferográficas e tudo o que se precisava no escritório.
Gostava tanto do velho Marthas. E vai fazer tanta falta. A Praça do Comércio, sem ele, não voltará a ser a mesma. Morre sem sequer uma homenagem, sem uma oração de despedida. Aposto que morre angustiado com esta “república” desordenada, sem consideração para a maioria dos seus filhos, que, esvaziada de ideais republicanos, “peito-cheio” de ultraliberalismo, se revelou um fiasco para o velho combatente da liberdade de livre-comercializar. Com a sua queda arrasta também um pouco de nós. Só o futuro, aquando da sua ausência sentida, irá mostrar a falta que nos faz a todos.
Como eu gostava do meu amigo Marthas. Era um ícone para toda a Baixa. A sua sabedoria não tinha limites. Tinha várias mulheres. Deixa cinco. Quatro desamparadas, no desemprego, uma delas com um bebé recente. Só uma fica melhor, mantendo o emprego. Quando lhe pergunto porque decidiu o Marthas morrer agora, quase com uma lágrima a saltar, responde: “que quer? Ninguém se importa! 98 anos de história…que se apagam! A dor que sinto, meu Deus! Apesar de tudo, entre as cinco, sou a que fico amparada”.
Por coincidência ou não com o mês da Implantação da República, o Marthas só em 31 de Outubro vai ser trasladado para a Adémia, onde irá ser “enterrado” sem pompa, sem glória, sem circunstância.
Até Outubro próximo vai ser exposto em câmara ardente e, em pungidos lacrimejantes, vai ouvir de si, que pouco o visitou em vida, de outros que nunca se dignaram entrar na sua alma, no velho edifício de seiscentos, com colunas e capitéis em pedra centenária de Ançã, de mim, com cara sofrida, mas que fui pouco amigo, frases sentidas no género: “não nos deixes Marthas!”
Mais um que nos deixa. Haja alguém que evite esta razia.
PAZ À SUA ALMA!