sábado, 13 de setembro de 2008

BAIXA: A MENINA DANÇA?




É sexta-feira, são 23 horas. As ruas estreitas do centro histórico estão praticamente desertas. Não fosse o estridente miar de um gato num recanto mais obscuro, que certamente se assustou, e, dir-se-ia, não ter vida. Por entre uma amálgama de estabelecimentos, com inscrições nos vidros, de “Liquidação”, outros tantos com papeis colados a indicarem já terem claudicado, e, por entre os restantes ainda resistentes, muitas montras sem luz, como se, com este gesto de poupança forçada, quisessem, em apelo redobrado de SOS, neste protesto difuso e silencioso, através da imagem da coisa, substituindo o desânimo do obreiro, mostrar aos poucos noctívagos passantes que a Baixa necessita de ajuda. Precisa de socorro exterior, através de medidas políticas concretas, e interior, ou seja, quem trabalha na Baixa, numa recuperação da auto-estima, tem de acreditar na sua revitalização.
Das muitas casas de restauração hoteleira, a esta hora, resiste o Café Santa Cruz, O Salão Brazil, o Restaurante Praça Velha e a Taberninha.
Um casal de turistas, o homem de bermudas e camisa Taiti, passeia despreocupado com a máquina fotográfica a tiracolo no Largo do Poço. Neste largo, tinham acabado de jantar no Salão Brazil. De repente param estáticos. Parecem confusos. Do seu lado esquerdo, da Praça 8 de Maio, ouvem rimas da “Moleirinha”, vindos de um grupo de Folclore. Do seu lado direito, da Praça do Comércio, em contraste de estilos musicais, vêm sons ritmados de um conjunto de musica de baile, do “Só mais um beijo”, dos “Irmãos Verdades”. Um pouco aturdidos, em saber por qual optar e, admirados por, num curto raio de cem metros, as músicas, como batalha sonora, em luta fratricida, parecerem querer aniquilar-se uma à outra.
Seguiram então em direcção à Praça 8 de Maio, onde, naquele magnífico cenário Românico, actuava o rancho típico e assistido por escassas dezenas de pessoas. Depois de tomarem um café no Santa Cruz, atravessando a deserta “calçada”, rumaram em direcção à Praça do Comércio.
Nesta praça, contrariamente à anterior, o ambiente estava animado. Numa recriação de um baile à moda antiga, algumas centenas de pessoas assistiam à actuação do conjunto trio “Mar e Samba”. Num espaço de dança improvisado, algumas dezenas de pessoas manuseavam o corpo. A senhora turista, aos sons de “Desejo meu”, não resistiu e puxou o marido para a roda. Ao seu lado, o sexagenário e residente na Baixa, o Neves mostrava os seus dotes artísticos de dançarino, fazendo lembrar Richard Gere, em “Dança comigo”. Quase a tocar-lhe o ombro, o Rui, já bem entrado nos “entas”, com uma careca de invejar e uns bem estimados cabelos brancos, escultor conhecido, entre a Conchada e o centro histórico, de camisa completamente encharcada, sem perder uma moda, num afã, rodopiava na roda e mostrava aos espectadores que o seu talento de artista ia muito para além do que se conhece dele. No outro lado a Ifigénia, que “trabalha” na avenida, meteu folga e, derretida, nos braços do seu verdadeiro amor, mostrava que a dança não escolhe classes, não discrimina ninguém e pode ser a chave da inclusão. A seu lado, o Almerindo, um polidor de esquinas profissional e que nas horas vagas faz uns biscates no gamanço, tentava engatar uma brasileira. Num multiculturalismo sem precedentes, entre cores de pele e turistas de várias nacionalidades, o Anastácio e o Jacinto, cabo-verdianos, ensaiavam uns passos de dança à espera da “coladera”.
Ao lado, quem ganhou a noite foi a senhora Maria, casada há quase 50 anos com o Mário. Este, ao som de “aperta, aperta”, como “tennager” inconsequente, chegava a si a “ti” Maria, de tal modo que esta, afogueada, parecia ter recuado no tempo e ter a seu lado um homem novo. Mas o melhor estava para vir. Quando o paquistanês Ibraim, com um braçado de flores, naturais e viçosas, estandardizadas em celofane, chega junto deles e pergunta: “qué frô?”, então não é que o Mário, num acto nunca visto aos olhos da sua “cara-metade”, puxa por cinco euros e oferece-lhe uma rosa vermelha? A senhora Maria, ali, naquele espaço de paz e concórdia, entre remediados e carenciados, chorou de felicidade.
No palco, interrompendo a música, alguém se preparava para falar. Ia intervir o presidente da junta, o Carlos Clemente. O nosso casal de turistas, mal falando português, perceberam, pelos gestos, que, para além da timidez, é um homem de acção. Mesmo assim ainda conseguiram compreender uma ou outra frase, como por exemplo, “nós gostamos muito da Baixa”. Repararam, pela sonora efusão de palmas, que todos estavam de acordo. Quando o Clemente desceu do palco, como político em campanha e bom anfitrião, observaram que se dividia em dançar ora com a boazona turista brasileira, ora com a “menina” Etelvina que, pelas rugas, já perdeu a conta às primaveras que tem.
Era 1 hora da manhã quando encerrou o baile. O nosso casal de turistas, em despedida, foi ter com o Clemente e, juntando os gestos a um português “macarrónico”, disseram-lhe: “Continua. Nós gostar muito de tu festa, pá!”.

O MEU LARGO



Vou falar de um recanto encantador,
desenhado no estreito de ruas pequenas,
por arquitecto que sabia dar valor,
no coração da velha cidade Lusa Atenas,
descrevo-vos o meu largo com amor;
Ao fundo tem um café “popular”,
noutro lado, duas sapatarias,
em frente, tem um pronto-a-mudar,
tem uma loja de memórias, de velharias,
o meu largo tem alma, espírito de animar;
Aqui reina a paz e a concordata,
por entre a lamúria do ceguinho,
o apelo gemido da cigana timorata,
a lengalenga do aleijadinho,
aqui também há uma bela mulata;
No meu largo nunca se fala em demasia,
fala o Adelino, o camarada comunista,
contra tudo, contra a Social-democracia,
cala-se o “Manel” porque é centrista,
eu faço a ponte entre toda a ideologia;
Lá no canto, espreita o Sérgio, comodista,
conta os trocos, aponta os calotes,
olha para todos com olhar de artista,
fala sozinho, inventaria os dotes,
atura bêbados como malabarista;
É fenomenal esta praceta de antanho,
dizem que aqui morreu freira de alegria,
contam tanta coisa que nem estranho,
se disserem que Camões aqui escreveu com empenho,
é tão belo, entre os mais belos, o Largo da Freiria.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Rotundas


Consulto diariamente o blog O Piolho da Solum e não podia deixar de colocar AQUI este post do Manuel da Gaita!

Efectivamente a rotunda do porquito não tem jeito nenhum!!

O PROFESSOR BAMBO EM COIMBRA



Segundo o Diário de Coimbra de hoje, em publicidade inserta na última página, o professor Bambo está em Coimbra.
No rectângulo de 1/9 de página, pode ler-se que o ilustríssimo (e ilustradíssimo) professor de ciências ocultas já ajudou milhares de pessoas com problemas. Para além disso, em currículo sucinto, pode ler-se que o mestre possui 28 anos de experiência a recuperar casamentos, amores, famílias, dinheiro, negócios, vítimas de trabalhos de magia, inveja, ciúme, maldade, etc.
Não lhe parece estranho a vinda, nesta altura, para Coimbra, do alto dignitário da cultura africana? Pois é, também a mim! Porque será, porque será…?
Hum!…deve ser coisa grande, comecei a pensar. E, de certeza absoluta, que deve ser algum casamento desfeito, falava eu, sozinho, com os meus botões. Certamente vocês já se viram numa coisa destas, ou seja, a gente está a ver a coisa, têm as premissas, arranha na cabeça, arranha, mas a conclusão não sai. Estão a ver, não estão? Pois é. É isso mesmo, é uma “ralação”, como diria a minha avó.
Vocês não me conhecem, mas eu, ainda que não pareça, sou igual aos outros, como quem diz, não gosto de perder nem a feijões. A talhe de foice, que me lembre, a única coisa que gostei de perder sabem o que foi? Pois é isso mesmo que estão a pensar. Vai daí, então, com uma ansiedade tremenda, fui para a rua investigar. Algo me dizia que a solução estava aqui na Baixa, e nestas coisas, passando a imodéstia, tenho boa intuição. Comecei por falar com a “menina” Lurdinhas –vocês não conhecem, mas, para já, ficam a saber que é uma velhota octogenária do “leva-e-traz”- que sabe tudo o que se passa por aqui. Quando a interroguei acerca da novidade, ficou atarantada e, como grafonola com disco riscado, só repetia: “o professor Bambo em Coimbra??!”
Resumindo, depois de uma hora perdida, acabei por vir sem nada. Fui então a casa da “menina” Ermelinda “Le future” (esteve muitos anos em Paris), que mora numa ruela estreita, aqui no centro histórico, rodeada de gatos esfaimados e uma cadela, a “Fifi”. Subi as escadas do 13, por entre o estalar da madeira decrépita, o miar de mais de uma dúzia de gatos, e o latir da “Fifi”, coitadinha. Bati à porta, veio a “menina” Ermelinda vestida com um robe estampado que já viu melhores dias. Mal abriu a porta, fui logo invadido por aquele fedor insuportável a gato, e, como se fosse pouco, levei logo com a gataria toda em cima. Comecei por lhe perguntar se sabia da novidade. “Qual novidade?”, interroga-me a menina Ermelinda.
Quando estava para responder, comecei a sentir um pé molhado. Olho para baixo e fiquei doido, então não é que o raio da cadela mijou-me no sapato? Fogo! Ai que vontade que tive de mandar um pontapé “à figo” no raio da “deslambida”. Mas vocês sabem, até os duros (como eu) se abatem. Engoli o sapo, como quem diz, fiquei com o pé molhado, fiz uma festa na cadela, apertei o nariz como se apertasse a borracha de uma corneta, e entrei na sala do aposento imundo da senhora “Le future”. O que uma pessoa sofre para chegar a uma informação.
Mandou-me sentar à volta da mesa redonda, onde estava a sua bola de cristal –eu já conhecia, já lá tinha estado-, concentrou-se, começou a rezar, entrou em êxtase, e numa voz gutural, saídas das profundezas da terra, interpelou-me: “o que queres meu irmão?”
Só queriam que vissem, os gatos começaram a miar assustados, em mil acordes desafinados, a cadela “Fifi”, tão sensível como é, não conseguindo aguentar as águas, coitadinha, mais uma vez se mijou toda. Vá lá que tive sorte, os meus sapatos estavam longe.
Eu, que até me julgo forte, nestas alturas, aqueles “instrumentos” que paradigmatizam os homens, caiem-me sempre ao chão, mas não me dei por achado e respondi que queria saber o motivo da vinda do professor Bambo para Coimbra. Foi então, para minha surpresa, naquele pequeno cubículo, senti-me um felizardo. Que me importava o fedor a gato, o ter um pé encharcado, perante a satisfação plena da minha curiosidade? Aquela voz cavernosa rugia assim: “O professor Bambo foi contratado pelo presidente da Câmara, Carlos Encarnação, para que aquele, com o seu intemporal poder dos búzios, tente consertar o “casamento” entre o chefe da autarquia e Horácio Pina Prata”.
Ainda perguntei ao espírito da senhora “Le future” se eles ainda se amavam mas fiquei sem resposta. Tinha acabado o transe e fiquei pendurado.

MEALHADA E O PEQUENO REINO DO BUTÃO





O Butão é um pequeno reino com uma monarquia constitucional, com cerca de seiscentos mil habitantes, com fortes tradições e assente em pilares históricos de regime feudal. Em 24 de Março de 2008, os butaneses, depois do rei Jygme Singye ter abdicado a favor do seu filho e anunciando a realização de eleições democráticas, através das urnas, puseram fim a mais de um século de monarquia absoluta.
Esta pequena nação, localizada na Ásia, “encravada” entre dois gigantes, A China e a Índia, tem a sua economia essencialmente baseada na agricultura, extracção florestal e, nos nossos dias, com uma forte aposta no turismo. A agricultura, essencialmente de subsistência, e a criação animal, são os meios de vida para 90% da população. É uma das menores e menos desenvolvidas economias do globo. No entanto é um país rico, com um PIB (Produto Interno Bruto) per capita entre os mais altos do mundo.
A Mealhada é sede de município e consta no último censos de 2001 com 4043 habitantes. Foi elevada à categoria de cidade em 26 de Agosto de 2003. O actual presidente, Carlos Cabral, eleito nas listas do Partido Socialista, está na Câmara há mais de 18 anos.
Esta pequena cidade está localizada, como enclave, entre duas grandes cidades, Coimbra e Aveiro, a primeira, a maior da zona centro, embora estagnada, a segunda, uma urbe média, cheia de ambição, onde a proximidade do mar, com a sua ria e os seus canais, a transformam numa futura Veneza portuguesa.
A Mealhada tem a sua economia essencialmente baseada na agricultura, sobretudo no vinho, e na extracção florestal. Para além disso, o turismo, através do seu afamado leitão assado, constitui um dos seus maiores proveitos. Dentro do país, intelectualmente, será um dos municípios menos desenvolvido. Apesar disso, a autarquia, financeiramente, fruto de uma gestão criteriosa, é desafogada e rica. É das poucas autarquias sem défice. Pagando a fornecedores a curto-prazo. Para além disso, contrariando outras câmaras do país tem uma rede de saneamento básico praticamente a 100%.
Pergunta você, Leitor, qual a razão desta comparação? Calma, vá lendo que vai entender sem dificuldades.
Hoje, dia 11 de Setembro, era dia de reunião pública do executivo mealhadense, e porque apresentei nos primeiros dias de Junho um “Anteprojecto em forma de Ideia” para criação de um “Parque Expo de Mesteres Antigos da Mealhada –Artes & Ofícios Tradicionais”, em que, para além de plasmar a ideia em várias alíneas, me oferecia para ceder a termo e a título gratuito algum acervo de antiguidades, sobretudo relacionados com profissões em desaparecimento, para início de fundação de um museu, uma vez que a Mealhada não tem nenhum. Esta ideia surgiu depois de ter lido um editorial no Jornal da Mealhada. Acontece que passaram três meses e resposta da autarquia nem vê-la.
Nos últimos dias do pretérito Agosto, numa terça-feira, desloquei-me à Câmara e, à funcionária assessora do gabinete da presidência, contei ao que ia e que estranhava a falta de comunicação. Para além disso, como era natural do concelho e estava ali de férias nessa semana, pedi para ser recebido pelo presidente Carlos Cabral. A senhora, pedindo-me o número do telemóvel, comunicou-me que levaria o assunto ao presidente e que no dia seguinte me diria alguma coisa. Na quinta-feira seguinte, à tarde, recebi um telefonema da senhora funcionária informando-me “que o senhor presidente não tinha recebido nenhum Anteprojecto e, para além disso, não me poderia receber nessa semana, que quando houvesse possibilidade que me telefonaria”. Portanto, caso eu quisesse a apreciação do presidente teria de novamente apresentar uma segunda via.
Evidentemente, perante esta displicência, passei-me. Retorqui à senhora que outro documento nem pensar. Para além de mais, se o presidente me quisesse receber ou não, era com ele. Depois de pensar melhor, neste profundo acto desrespeitoso, no dia seguinte, de manhã, estava perante a funcionária a declinar ser recebido pelo chefe da autarquia. Responde a funcionária: “não quer mesmo que seja apreciado o seu Anteprojecto? É que afinal está cá!”
Logicamente que neguei tal intenção. E como “quem não sente não é filho de boa gente”, hoje, às 15 horas, estava presente na reunião pública do executivo para apresentar o meu protesto.
Perante o executivo, e diante dos três vereadores da oposição PSD, dirigindo-me ao presidente Carlos Cabral, reiterei o profundo desrespeito que sentia por parte da autarquia. Lembrei-lhe que para além de, legalmente, estar vinculado ao princípio de resposta em tempo útil, acima de tudo, para além da lei, há princípios éticos a cumprir, e que, neste caso, não o foram. Olhos-nos-olhos, disse-lhe que num tempo em que se apela constantemente à cidadania e à participação política é inadmissível que quando alguém tenta romper as barreiras claustrofóbicas existentes é ostracizado duma forma que raia a provocação. Infelizmente, nota-se que tal comportamento é há muito transversal ao país, independentemente das cores partidárias.
Carlos Cabral, como imperador ferido no seu amor-próprio, sem disfarçar o azedume, e com alguma rispidez, retorquiu: “em mais de 28 anos o senhor é a primeira pessoa a dizer-me que desrespeitei alguém e a acusar-me de falta de ética”. Trocando os pés pelas mãos, demonstrando não ter lido o documento, e utilizando alguma ironia, rematou asperamente: “proposta académica? Isso é o quê? Académica, só conheço a de Coimbra”. Pedi-lhe para contra-argumentar mas, irritado, com aspereza, negou: “o senhor já disse o que tinha a dizer”.
A segunda pessoa a intervir era um edil do PS e de uma junta de freguesia próxima –pela repulsa que me causou escuso-me a referir o seu nome e o lugar que representa. Começou com a seguinte introdução: “quero-lhe dizer senhor presidente, antes dos assuntos que me trouxeram aqui, que o senhor merece uma medalha de ouro do concelho”. Ou seja, num subserviente acto, esquecendo-se que um edil de uma freguesia perante o presidente da Câmara local deve exigir e não esmolar, estendeu a passadeira vermelha ao chefe, certamente, também, para mostrar que era um seu “cão de fila” e que estava ali para o defender com unhas e dentes.
Claro que o chefe do executivo, como ditador do Butão, perante tal encómio, derreteu-se todo e quando o tal edil perguntou se podiam entabular um diálogo, logo o chefe, sem delongas, anuiu: “claro, claro, esteja à vontade!”
Quanto à oposição, sinceramente leitor, nem lhe consigo dizer o que senti. É branda, duma moleza a fazer lembrar a manteiga, gentil, e dirige-se ao presidente da edilidade com “pezinhos de lã” e modos reverenciais.
Por seu lado, sem qualquer respeito, duma forma prepotente, Carlos Cabral quando se dirige aos vereadores da oposição é sempre com ironia, não disfarçando o seu tratamento de menoridade. Por parte dos vereadores do executivo, reparei que os bocejos eram constantes.
Durante as duas horas e meia que permaneci no Salão Nobre, a meu modo, analisei os seus gestos, os seus olhares, a forma de se exprimirem, e, sinceramente, a impressão que trouxe não podia ser mais negativa. Usando uma metáfora, aquele quadro parecia a branca de neve e os seis anões.
A Mealhada, a bem da democracia, tal como reino do Butão, precisa de uma revolução política que altere este situacionismo.
Já percebeu agora porque fiz a analogia com aquele pequeno reino?

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

11 DE SETEMBRO DE 2008

(AS TORRES GÊMEAS, ANTES DO ATENTADO, EM 2001, EM N.Y.)

Hoje, passados sete anos do grande atentado que abalou o mundo, talvez fosse bom pararmos por um momento e pensarmos o que foi feito, ao longo deste tempo, para melhorar as relações económicas entre o primeiro e o terceiro mundo.
Para além de medidas “securitárias” levadas ao extremo, quase a raiar a paranóia, o essencial, ou seja, as assimetrias entre o G8 e os restantes países continuam. Estou certo que não exagero se disser que aumentaram. A chamada prevenção, tomada pelos Estados tem servido para tudo, até para “tirar camisas”. Num fundamentalismo patológico, em nome da segurança, assistimos hoje às maiores invasões da vida privada.
Em Portugal, depois de sete anos, como já é habitual as ondas de choque chegaram passado todo este tempo. Parece que o 11 de Setembro, no país, foi este ano. Estamos a assistir a medidas que, se não fossem trágicas, dava vontade de rir. São invasões de bairros problemáticos com as televisões atrás; são rusgas em estabelecimentos nocturnos; são operações stop sem precedentes; e até, pasme-se, há dias numa feira foram apreendidas pistolas de brinquedo em plástico. É certo que a similitude com as verdadeiras era notória, mas mesmo assim. Hoje, segundo o Diário as Beiras, “a PSP de Aveiro anunciou, ontem a realização de uma operação de fiscalização, num estabelecimento comercial, tipo bazar, em Águeda, e que levou à apreensão de vários objectos. (…) foi identificado (…) o comerciante por ter à venda diversos sabres, sem ter requerido o respectivo alvará”. Aposto qualquer coisinha que este homem vai ser absolvido. Palavra que gostava de ver o auto de acusação e ler o artigo do Código Penal que foi inserido como moldura penal.
Ora, perante a notícia, avaliemos então o gravíssimo ilícito deste comerciante de bazar de brinquedos. Esta nota de imprensa é acompanhada de uma foto com os sabres apreendidos. Então, como conheço muito bem este material, vou descrevê-lo. São imitações de sabres japoneses, em resina, com lâminas sem corte, também em plástico, que, mesmo arremessadas contra uma pessoa, não provocam qualquer dano, a não ser o de contusão. Estas espadas são vendidas no país há várias décadas e, quase tenho a certeza, nunca provocaram qualquer ferimento em crianças.
Agora digam-me: isto não é paranóia? Será que as polícias vão invadir todos os bazares de brinquedos à procura de pistolas?
Quando é que estas pessoas se capacitam que quem quer matar mata de qualquer jeito e até uma pedra da calçada serve? A apreensão obsessiva de armas é apenas uma inversão de ónus de intenção.
Tenho a certeza que esta minha afirmação não será unânime, mas é o que penso. Se não concorda, faça o favor de recalcitrar. Faça isso. Gostava de ler o que pensa a este respeito.

Alguém arranja o texto completo??



Li hoje no Diário de Coimbra que a Câmara Municipal da Mealhada vai baixar a Derrama e o IMI! Infelizmente li só de corrida! Alguém tem mais informações sobre isto?
Parece-me uma excelente medida! Será que traz "água no bico"? A altura é propícia a isso...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

OLHA QUEM FALA!!





“Pina Prata acusa presidente de especulação imobiliária”, in Diário de Coimbra de hoje, em título de “Caixa Alta”.
Em subtítulo, “Carlos Encarnação é, para o Vereador Pina Prata, “um homem sem escrúpulos, que não tem coluna vertebral, degenera aos seus e à sua família política.”
Confesso que sou lerdo, por isso não estranhem, e, assim sendo, vou fazer uma perguntita inocente: mas o senhor Pina não é da mesma “família política”?
Continuando o silogismo, e na hipótese de afirmação, se o Carlos da Rua das Fangas é invertebrado, e, sendo da mesma família partidária do Prata, quererá dizer que este ex-vice do Encarnação, certamente, também não terá espinha dorsal. Será assim?
Ufa! Fogo! Fiquei com os miolos a deitar fumo. O que uma pessoa sofre para ler nas entrelinhas.

Não sei porquê...

Ando a ouvir muito esta música!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

VÁ (DES)ZELAR PARA OUTRA FREGUESIA



“É preferível apoiar as pequenas e médias empresas (PME) através de linhas de crédito bonificado, caso o orçamento o permita, do que reduzir a fiscalidade. (…) É preferível apoiar as PME através de linhas de crédito bonificadas do que baixar impostos”, Francisco Van Zeller, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, reagindo ao anúncio do Governo de disponibilizar, em Outubro, uma nova linha de crédito para as PME, in Diário as Beiras de hoje.
Com um timoneiro destes à frente da indústria portuguesa, as pequenas unidades industriais não precisam de inimigos.
Estou certo que o senhor “Chico”não deve ler jornais e muito menos ter contacto com a realidade do país.
Se lesse um qualquer diário nacional ou regional, até poderá ser “As Beiras”, veria, diariamente, as constantes execuções fiscais de firmas, quer comerciais, quer industriais.
Para que serve o crédito bonificado se não houver uma redução, ou mesmo total isenção de impostos, em empresas cujos custos fixos excedem os proveitos? Claro que se o senhor “Chico” respondesse, tal como os políticos, seus parceiros de caminhada partidária, responderia: “Que quer? As empresas são como as pessoas, nascem e morrem. Se não são viáveis só resta o seu encerramento!”
Claro que o senhor “Chico”, tal como outros colegas líderes associativos, também pode sofrer de miopia, e, nesse caso, necessariamente, precisa de óculos.
Pode também sofrer de Alzheimer e não saber. O melhor, pelo sim pelo não, é ir ao médico.
E, já agora, que se faz tarde, meta umas férias longas e vá para longe.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O CREPÚSCULO DO VERÃO



Finda Agosto decrescente,
és o meu mês de eleição,
vem Setembro lentamente,
embrulhado normalmente,
leva a sombra do meu verão;
lembra-me novamente a fuga,
lá se vai a minha esperança,
olho o espelho, estou mais velho,
se não fosse aquela ruga,
pareceria uma criança;
Ainda não foi desta que concretizei,
aquela tal viagem tão sonhada,
vai ser para o ano, juro que irei,
é certo que nos anteriores também jurei,
E sempre a inscrevi na coluna de “adiada”;
Os dias, como a vida, estão a minguar,
o calor, como a alma, vai esfriando,
a andorinha, do meu beiral, vai-me deixar,
as folhas, nos plátanos, vão secando,
o Outono, naquela chuva miúda, vai entrar;
A beleza das mulheres vai ser mais restringida,
as ruas vão ficar mais tristes, sem consolo,
as saias, como um inverno anunciado, vão descer,
a gola alta, protectora, vai tapar um lindo colo,
a barriguinha vai crescer, deixando de ser fingida;

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A LEI DA VIDA



(FÁBRICA DESACTIVADA DE TELHA E TIJOLO EM VILA NOVA DE MONSARROS)

Enquanto fui nova, fui querida,
num tempo sem grande solução,
era possuída por alguns, acarinhada,
no meu ventre, como mãe que dava vida,
recebia o esperma em barro vermelhão,
em gravidezes, paria telhas, tijolos, era admirada,
dava trabalho a muitos filhos, numa sofreguidão sentida,
envelheci, os “meus amantes” largaram o meu coração,
vieram outras máquinas mais esbeltas, mais caprichadas,
faziam-lhes coisas, outros prazeres, eram mais sabidas,
aos poucos, fui ficando desleixada, sem comiseração,
de pouco valeu o grito das outras, como eu abandonadas,
fui perdendo a minha cobertura, agora tão desvalidas,
outrora garbosa, como cabelo, símbolo e orgulho da nação,
hoje sou a sombra de uma vida cheia, mas que não resta nada,
nem a história me lembra, nem a memória me convida,
só a lua, como companheira amiga, me projecta a solidão,
de mim já pouco existe, já nem sequer sou falada,
erecta, só me resta a chaminé, como símbolo fálico de vida.

UM CASO PEDREGULHOSO NA JUSTIÇA



O caso Paulo Pedroso está aí na boca de toda a gente. Como se sabe, este dirigente do PS viu-se envolvido, em 2003, no “escândalo Casa Pia”. Segundo o Jornal Público, “É a 21 de Maio de 2003 que o Juiz Rui Teixeira pessoalmente pede o levantamento da imunidade parlamentar do deputado, para que “seja detido, constituído arguido e presente a um primeiro interrogatório judicial.” O próprio Pedroso anuncia-o numa conferência de imprensa no Parlamento.”
Continuando a citar o jornal, “No final desse dia, Pedroso sai do Parlamento para o Tribunal de Instrução Criminal, onde é interrogado durante a noite e a madrugada por suspeita de envolvimento em 15 crimes relacionados com práticas sexuais com menores. Na manhã seguinte é detido preventivamente, seguindo para o Estabelecimento Prisional de Lisboa, de onde só sairá 4,5 meses depois.”
Agora, como se sabe, em primeira instância, Pedroso ganhou a acção contra o Estado Português por ter estado preso preventivamente. Segundo o acórdão condenatório, “os indícios eram insuficientes para imputar ao arguido qualquer crime concreto (…) para além de mais “não ocorriam os perigos de perturbação do inquérito e da ordem e tranquilidade pública”, alegados pelo procurador João Guerra e ratificados pelo Juiz de Instrução Rui Teixeira.
E aqui começa o calvário para entender as diversas posições, do Ministério Público, do Juiz de instrução e agora a sentença das Varas Cíveis do Tribunal da Relação de Lisboa.
Comecemos pelo procurador João Guerra. Ao propor ao Juiz de Instrução a Prisão preventiva de Paulo Pedroso, certamente fê-lo perante os fortes indícios de culpabilidade em presença e só assim se entende que os seus argumentos convencessem o Juiz Rui Teixeira, e este desse seguimento à prisão preventiva.
Com o sabemos o Ministério Público e o Juiz de Instrução são dois pilares fundamentais do edifício da justiça, que actuando interligados, são órgãos independentes entre si. Ora aqui já podemos começar pelas interrogações. Se há época seriam indícios demolidores para os dois pilares de um órgão de soberania (tribunal), como é que hoje, à luz do Tribunal da Relação de Lisboa, os elementos de prova eram insuficientes para imputar ao arguido qualquer crime concreto? Considerando despiciendos os juízos de valor, uma interrogação ressalta à vista: serão estes dois homens, João Guerra e Rui Teixeira, tão negligentes ao ponto de, no caso em análise, sem uma ponderação exigível, optarem, os dois, arbitrariamente, pela medida de coacção mais grave?
Continuando a especular, como se falou à época, poderemos também entender este ilegal procedimento dentro da tese de cabala para destruir a cúpula do PS? E estes dois homens, experimentados profissionais, iriam arriscar as suas carreiras para, duma forma manipuladora de indícios, restringir o curso político partidário do país, coarctando, através de um escândalo, o Partido Socialista? Há muitas perguntas que ficam sem resposta, mas a procissão ainda agora vai no adro. Estou em crer que o recurso do Ministério Público para o Supremo, e através do futuro acórdão (procedente ou improcedente) irá dar luz neste caso que, infelizmente, a ser verdade, a sentença das Varas Cíveis de Lisboa, mais uma vez envergonha a justiça portuguesa.
Poderemos, no limite, desvalorizar as acções do proponente João Guerra e executiva de Rui Teixeira, tendo em apreço que há época quase todos os crimes com moldura penal para além de três anos levavam a chancela de prisão preventiva, sem ter em conta que essa medida coactiva é um instituto excepcional de salvaguarda, de prevenção social. Mas mesmo assim, neste qui pro quo, continuamos cheios de interrogações.
Levando em consideração que após a fase de inquérito não foi deduzida acusação contra o ex-deputado, naquela altura, aquando da detenção, os factos probatórios poderiam não oferecer dúvidas aos dois magistrados. Seria assim? Ou, pelo contrário, as provas eram realmente baseadas em pequenos indícios, em minudências, e estamos, conforme diz a juíza Amélia Lopo, perante “um erro grosseiro”, um “excesso de zelo”, um “abuso de direito”? Para a dignificação da justiça, era bom que estas questões fossem respondidas nos quesitos do próximo acórdão do Supremo.
Por outro lado, todos sabemos que a pirâmide da justiça em Portugal está velha e caduca. Não se modernizou, não acompanhou o progresso e o desenvolvimento social. Quem entra num tribunal apercebe-se do que digo, que aliás as palavras não são minhas, são de Marinho Pinto, o actual bastonário dos advogados, que, pelo menos aqui, no chamar a atenção para as assimetrias e anacronismo da justiça, tem todo o mérito.
Se por um lado, a justiça, no seu pragmatismo, continua na época das luzes, finais do século XVIII e seguintes, por outro, aparentemente, tornou-se mais humanitária. Aboliu-se a pena de morte e consagrou-se a vida como o primado da lei. Porém, nos tempos que correm, o que se assiste é a um desvalorizar contínuo do valor pessoa-vida. Diariamente, quase escandalosamente, constatamos que o custo de uma vida pode ser ressarcido com uma pena suspensa ou trabalho comunitário, ou até em importância monetária…que nunca será paga pelo homicida.
Curiosamente, ou não, a escola Constitucional de Coimbra, conotada com a esquerda, numa obsessão por Direitos, Liberdades e Garantias para os arguidos tem contribuído para essa despenalização. Já a escola de Penal desta cidade, com ligações à direita, é mais pragmática com penas mais proporcionais e de acordo com alguma racionalidade.
Esta recente alteração aos códigos Penal e Processo, feita pela escola de Lisboa, relacionada com a esquerda, veio a dar no que estamos a assistir, ou seja: ninguém se entende.
Parafraseando um bom articulista, Santana-Maia Leonardo, “Para o centro-direita, os homens são capazes do Bem e do Mal, cabendo à sociedade discipliná-los e orientá-los para o Bem; para a esquerda socialista, o Bem e o Mal são conceitos relativos. O centro-direita preocupa-se com a segurança de pessoas e bens, defendendo as forças da ordem e coloca-se ao lado das vítimas; a esquerda socialista preocupa-se com as garantias de defesa do arguido, tem sempre uma justificação sociológica para o crime e acha sempre excessiva a intervenção da polícia.”

Coimbra de outros tempos!

Podem ver mais fotos antigas de Coimbra aqui!!
Excelente galeria de imagens!

Luso Clássicos

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O DESÂNIMO DA LIBERDADE



Liberdade,
onde páras com saudade,
andas triste e ansiosa,
dos tempos de antigamente;
Estás velhinha,
usas óculos no nariz,
perguntas à gente que passa,
“afinal que mal eu fiz?”;
“Ninguém me liga,
pareço uma velha tonta,
uma coisa que não conta,
que não tem valor nenhum;
Noutro tempo,
quando era nova e bela,
era a mais desejada na vida,
hoje, que estou cansada dela,
estou presa, doente com esta ferida;
Só precisa de liberdade quem está acorrentado,
só lhe dá valor se a quiser e não tiver,
o fruto proibido é sempre o mais desejado,
só está preso mesmo, só se não souber,
liberdade passou a ser um produto empacotado;
É proibido proibir, usar a proibição,
tudo é permitido, usando o meu nome liberdade,
um dia, depois do caos, em que ninguém se entende,
vão chamar-me de novo cheios de atenção,
e sentir que o excesso conduz à frivolidade”.

UM GRITO DE AJUDA


"Chamo-me Catarina Pinto, tenho um filho com 15 meses chamado
Francisco. Desde os primeiros dias de vida tem sido extremamente
difícil alimenta-lo, rejeita todo o tipo de alimentação, não por
reacção alérgica mas por não querer.


Tem sido sempre acompanhado pelo Hospital Fernando Fonseca onde já lhe
fizeram todo o tipo de exames e não conseguem nenhum tipo de
diagnostico, já foi alimentado por umas sondas mas nem por isso
aumentou de peso. Com 15 meses pesa apenas 6.900 gramas. Peço que
alguém que tenha conhecimento de algum caso igual ou semelhante que me
contacte imediatamente para que eu possa saber de que maneira poderei
ajudar o meu filho. Muitíssimo Obrigada

Ana Cristina Pinto


Tel.: 962439830

Serviço SOS Criança"

(PEDIDO DE AJUDA RECEBIDO POR E-MAIL)

OLH'Ó PASSARINHO


Encontrei esta mulher,
num dia de sol caliente,
ela quis-me fotografar,
foi numa rua qualquer,
onde havia muita gente,
não conseguia lembrar,
por um momento sequer,
então apelava à mente,
porque estará ela a me focar,
onde já vi esta mulher?
Não consigo, por mais que tente,
sei que vi, não consigo recordar,
e se estiver enganado e não souber,
porque me mirará na lente?
Serei mais belo que o luar,
da noite que me aprouver,
vou mas é passar um pente,
fingir que não estou a olhar,
na malícia que couber,
um homem é fraco e sente,
e não consegue controlar,
mas o que terá esta mulher?

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

AS TERMAS DE LUSO





Apesar de ser nascido e criado na freguesia de Luso, nunca tinha frequentado ou entrado nas suas termas.
Este ano, sem necessidades especiais de saúde, simplesmente para descansar, decidimos ir uma semana “para banhos”, como se diz na gíria burriqueira Lusense. Depois de uma semana, ficámos francamente satisfeitos. Sentimo-nos como um velho pneu, depois de muito rodar, já velho e cansado, ao qual foi aplicada uma recauchutagem a quente. Uma semana maravilhosa muito bem acompanhados e “assessorados” por pessoal, que, para além de simpático, de sorriso sempre nos lábios, demonstraram serem muito responsáveis profissionalmente.
Num ambiente retro, arte nova, onde o tempo parece ter parado no princípio do século XX, como se fizéssemos uma viagem ao passado, onde a qualquer momento esperamos ver entrar uma dama dos “loucos anos vinte”, com grande chapéu e plumas. O silêncio impera nos corredores, revestidos de mobiliário art deco, onde, em sombras do passado, parece fazer sentir-se o espírito das águas, que, em fluidos, libertando-se do âmago da terra, parece, tal como nós, sentir-se ali muito bem. As funcionárias, como “anjos”, vestidos de branco, em ninfas materializadas da mitologia grega, deslizam suavemente ao longo do edifício. Os seus passos suaves e compassados, como retirados de uma pauta musical, a certos momentos, têm o som aveludado de uma flauta dos Andes.
Os termalistas, numa mimética continuada, fundada no respeito pelo próximo e pela ambiência calma e relaxante, com os pés, “vestidos” nuns chinelos estandardizados, mal se ouvem.
Ao fundo, num grande hall, a menina esbelta com a taça nos lábios, em pedra negra, parece convidar a beber água pura, como se dissesse: “bebam desta água e ficarão esbeltos como eu e jamais sofrerão de pedra nos rins”. A missão de “aguadeira” foi delegada numa simpática senhora de 36 anos ao contrário (63), como costuma dizer de sorriso nos lábios. É a Dona Angélica Aguiar, funcionária da casa há 43 anos. Não se sabe se a sua constante simpatia será resultado do intenso contacto com a finíssima água de Luso ou se, pelo contrário, já teria nascido com um imenso sorriso nos lábios. É um mistério. Quando lhe pedia “um copinho da reserva especial”, partia-se toda a rir e exclamava: “você nem parece de Barrô!”. Acabei por nunca perceber se seria um elogio ou o contrário, mas isso também, naquele ambiente paradisíaco, pouco importava. Enquanto saboreava aquela “reserva especial”, as despedidas, dos que partiam eram constantes: “até para o ano, Dona Angélica, saímos daqui como novos, vamos sentir a falta desta água tão especial”. Até para o ano senhor engenheiro Joaquim e Dona Gertrudes. Boa viagem até Setúbal. Para o ano cá vos espero!”, rematava a simpática senhora, embalada num sorriso generoso de orelha a orelha.
No canto esquerdo, à nossa espera, estava o senhor Rui Fernandes, com o seu ar de menino tímido. Massagista com muitos anos de experiência, como qualquer acupunctor sabe os pontos-chave do corpo humano, também o Rui, com mãos de artista, sabe o que fazer para aliviar as dores stressantes de um ano de trabalho e distender qualquer nervo mais renitente. Através dos banhos Vichy, com jactos de água e cremes revigorantes, remodela a nossa espinha dorsal, e, como santo milagreiro, revitalizando todos os músculos periféricos, saímos do seu tratamento como se tivéssemos menos vinte anos.
Do nosso lado direito, a Dona Francelina Mira, com a sua simplicidade e simpatia, chama-nos para o Emanatório, onde o borbulhar da milagrosa água de nascente nos acalma e, juntamente com os aerossóis sónicos, irão prevenir futuras sinusites.
De palavra fácil, responde a qualquer pergunta. Então se disser respeito ao “seu” Luso – “a mais linda terra do mundo”, como costuma dizer- sabe tudo, embalada numa voz embargada de emoção.
Na piscina, de transparentes águas aquecidas, sob o controle da senhora Conceição Taveira e as terapeutas Manuela Milheiro e Helena Caria, de “braço acima, perna abaixo, roda a cabeça para a direita”, ao fim de meia-hora largamos os exercícios meios cansados mas, psiquicamente, muito bem.
Ao fim de uma semana, que passou demasiado rápido, sentimos vontade de reiniciar.
Numa nuvem de expectativa, (dá para perceber), todos esperam que o novo adquirente accionista maioritário, Paulo Maló, traga uma revitalização desejada às termas. Que não lhe retire a atmosfera familiar, tão sui generis, mas esperam, sobretudo, um investimento em “marketing”, que leve a uma internacionalização e uma aposta forte em publicidade nacional. É preciso levar ao conhecimento geral que, contrariamente ao que se pensa, o termalismo não se destina unicamente a pessoas doentes nem idosas.
As Termas de Luso sempre foram e serão o catalizador, o reagente impulsionador de toda a actividade turística de uma região que tem tudo para fazer feliz qualquer visitante. Precisa é de uma convergência de todas as suas sinergias.
O Luso não é apenas a água que se bebe. Para além dela, que é riquíssima em pureza, há mais mundo que é preciso dar a conhecer.

Onde andas Marinho???

Estava esta tarde a ler os meus blogues favoritos, entre eles o www.arrastao.org da autoria de Daniel Oliveira, quando li:


Resta-me dizer que estou 100% de acordo com este pequeno texto... também já tinha constatado tal facto... embora nunca me tivesse pronunciado aqui sobre ele...

Penso que todos já percebemos o que Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados quer com todos os seus discursos e criticas... APENAS APARECER E SER O CENTRO DE TODAS AS LUZES (DA RIBALTA????).

Quando falamos de assuntos tão importantes, como é sem dúvida este, Marinho Pinto.... não aparece, não diz nada de sua justiça...

A última aparência em Telejornais, que eu me lembro foi quando o Presidente do Conselho Superior de Magistratura lhe deu uma série de recados... num discurso simplesmente espectacular que embora estanto claramente endereçado a Marinho nunca se referiu a essa ilustre personagem da nossa justiça... enquanto Marinho olhava para o tecto quase numa atitude de criança rebelde que sabe que está a "levar nas orelhas" mas mesmo assim assobia para o ar, como se nada tivesse a ver com ele!!!