quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Saiu-lhe!!!



"Não sei se, a certa altura, não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois, então, venha a democracia"

Manuela Ferreira Leite

É preocupante ouvir nas ruas afirmações destas!

É dramático e revoltante ver a "líder" da oposição fazer estes comentários!

A má oposição dificulta o bom governo!

De pequenino é que se torce o pepino!!


"Há dezenas de escolas vazias, um pouco por todo o país. Os alunos estão em protesto contra o Estatuto do Aluno, nomeadamente quanto ao novo regime de faltas. O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, diz que os estudantes "estão a ser manipulados"."




Pelas nossas escolas também as crianças do 5º e 6º ano fizeram greve!!!

Certamente também teriam arremessado ovos se a ministra visita-se o nosso concelho! Tudo isto no exercício da mais nobre democracia que a sua aprimorada consciência política lhes impõe!

É bom saber que as novas gerações estão no bom caminho da participação activa nas questões e decisões do país! Tudo isto será certamente resultado da isenta e desinteressada chamada de atenção por parte dos seus professores!



PS: Agora que penso nisto ficaram-me umas perguntas:

Quem terá pago os ovos e os cartazes????

Onde estavam os pais, professores e auxiliares quando estes alunos insultavam gratuitamente uma pessoa? Será que, por lhes dar jeito, se demitem de educar as nossas crianças?

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O EXERCÍCIO DA DEMOCRACIA NO INTERIOR




“PSD/MEALHADA RETIRA CONFIANÇA POLÍTICA A DOIS VEREADORES”
“Alegando quebra de “solidariedade e lealdade políticas” o PSD/Mealhada anunciou a retirada de confiança política aos vereadores Carlos Marques e Gonçalo Breda” –Título e subtítulo do Diário de Coimbra (DC), de hoje, 18 de Novembro.

“Uma semana depois de já ter dado a entender que isso ia acontecer, a comissão política do PSD/Mealhada confirmou ontem a retirada de confiança política aos vereadores Carlos Marques e Gonçalo Breda Marques. Tudo por causa do caso “relatório José Calhoa”.
“Não existiu respeito, lealdade e solidariedade destes dois vereadores do PSD neste caso concreto”, referiu António Miguel, dirigente do PSD, ontem em conferência de imprensa. Explicando a situação, César Carvalheira, presidente do partido, deu conta que a Concelhia elaborou um relatório, que os vereadores apresentaram em reunião de câmara, onde o partido mostrava dúvidas nos negócios entre a autarquia e uma empresa propriedade do sogro do vereador socialista José Calhoa, e anunciando que iriam participar a situação à IGAL. “Não se revelaram solidários com o referido relatório, como tal não podemos manter a confiança política nestes vereadores, sublinhou” (César Carvalheira, aos jornalistas do DC).
Continuando a citar o jornal, Gonçalo Breda afirmou desconhecer o relatório em questão. Quanto ao vereador Carlos Marques diz o seguinte: “Respeito a decisão mas não a entendo (…) não encontro qualquer fundamento nessa decisão, porque sempre disse qual a minha posição no caso Calhoa ao presidente do partido, ao dizer-lhe que não partilho muito desta forma de fazer política, baseada na suspeição”.
Vamos por partes, começando por analisar o “Dossier Calhoa”. Recorrendo à leitura da acta nº 19, de 23 de Outubro, da reunião ordinária da Câmara Municipal da Mealhada, ficamos a saber que nesta sessão, dos três vereadores do PSD, estavam apenas dois, curiosamente, os suspensos da confiança política do partido, Gonçalo Breda e Carlos Marques. O terceiro vereador eleito, João Fernando Pires, nesta reunião do executivo, já não compareceu por ter apresentado um requerimento a solicitar a suspensão de mandato por 75 dias.
O vereador Carlos Marques apresentou um “relatório elaborado em conjunto com o partido que representa (PSD) sobre a existência de um eventual conflito de interesses entre as funções públicas desempenhadas pelo vereador Calhoa Morais e as que exerce na empresa fornecedora da Câmara, Fausto das Neves Carrilho”. Antes de passar à sua leitura “frisou não se rever no conteúdo do referido documento”.
O relatório apresentado pelo PSD, apelidado de “Dossier Calhoa”, no executivo camarário, e enviado à IGAL, Inspecção da Administração Local, é um extenso documento de várias páginas onde o partido Social-democrata expõe as suas razões, por si, consideradas conflituais entre interesses, privado e público, do vereador Calhoa.
Continuando a citar o relatório, o vereador Calhoa, eleito pelo Partido Socialista em 2005, exerce o seu mandato na Câmara da Mealhada a meio-tempo. A outra metade da sua ocupação é desempenhada profissionalmente na firma do sogro, que -e aqui reside o busílis da questão- é fornecedor da autarquia. Salienta-se que já o era no anterior triénio de 2003 a 2005. Acresce, segundo a óptica do PSD, e com provas apresentadas, solicitadas ao executivo de Carlos Cabral, presidente da Câmara Municipal, que neste período o montante dos fornecimentos foi de 8.159.08 euros. De 2006 até 26-08-2008 a conta-corrente da entidade fornecedora Fausto das Neves Carrilho Unipessoal, Lª era agora de 39.335.62 euros. Ou seja, segundo o documento apresentado pelo PSD, neste período, depois de ter sido eleito, em que o vereador a tempo parcial, e também assalariado pela firma citada, desempenhou as duas funções, houve um aumento de 482.10%. “Será fruto duma mera coincidência ou dum grande incremento das obras no município. Qual a resposta?” –interrogava o partido Social Democrata, pela boca de Carlos Marques, vereador daquele partido, na reunião do executivo.
Depois desta explanação vamos às interrogações. Pode o PSD, enquanto oposição na autarquia, pôr em dúvida esta distorção de valores? Pode e deve. Se tem razão ou não, isso é outro assunto. Apreciar o documento, julgar e sentenciar, dentro do procedimento administrativo, já é da competência de instâncias superiores criadas para o efeito dentro da Administração Pública. E, quanto a mim, não me parece que o facto de um partido da oposição pedir uma sindicância aos actos de um vereador em exercício, mesmo em “part-time”, signifique que o partido da governação considere indigno este procedimento e “ser uma maneira baixa de fazer política”. Qualquer membro do executivo deve saber que a qualquer momento, pode ser questionado, e escrutinado nos seus actos, enquanto administrador da res publica, pela oposição.
Passando ao facto do vereador Carlos Marques, antes de ler o documento, quase em nota de rodapé, sublinhar que não se revia no documento, quanto a mim, se, atempadamente, o manifestou ao presidente do partido, é legítimo lavrar em acta aquele desabafo.
Quanto ao vereador Breda Marques não se entende muito bem como é que afirma “desconhecer o documento”. Se desconhecia um relatório vindo do seu partido, significa que não está a desempenhar as suas funções públicas com a dedicação e entrega que se comprometeu a quem depositou nele a sua confiança, neste caso os eleitores que lhe deram o voto.
No tocante aos dirigentes do PSD, só posso lamentar a sua actuação. Quando é que os órgãos dirigentes partidários reconhecem os seus membros eleitos como pessoas pensantes, que podem e devem discordar das ordens recebidas, sobretudo, quando vão contra os seus imperativos de consciência? Porque é que, no caso da Mealhada, no lugar dos seus vereadores, estes dirigentes do PSD, não colocam computadores a quem, duma forma irracional, amestrada e fria, dão ordens para cumprir sem que estes as tenham de questionar?
Para mim, no meio desta inépcia e desvario total, tanto da oposição como do executivo de Carlos Cabral, apesar de meio perdido na confusão, o único que merece relevo, pelo seu sentido de missão, será Carlos Marques que, mesmo contra o seu conteúdo, assinou o documento. Caso contrário não seria possível apresentá-lo na sessão.
Quanto ao executivo de Carlos Cabral, enquanto gestor local eleito, parece esquecer que a qualquer momento pode ser examinado, tal como a mulher de César, mesmo parecendo, é preciso provar que é séria.
Termino parafraseando uma frase curiosa do documento emanado do Partido Social-Democrata mealhadense: “Obviamente não cabe ao PSD julgar as pessoas e os actos, cabendo-lhe somente alertar publicamente para as dúvidas que determinados actos provocam”.
Bem prega frei Tomás! Como explica a retirada de confiança política aos dois vereadores? Como “expilica”?!

domingo, 16 de novembro de 2008

Merecida homenagem a Maestro Joaquim Pleno, nome maior da música da nossa região que dedicou a sua vida à formação de inúmeras gerações de músicos e homens!

Com os olhos no futuro!


"Criada há vários anos, a EPVL tem desenvolvido esforços para acompanhar e satisfazer as necessidades do mercado de trabalho. Os cursos ministrados são ajustados à realidade e novos vão surgindo. Termalismo foi o que curso que se iniciou este ano."

In Diário As Beiras


Não é limpa mas é barata!


"A empresa Dourogás e a universidade de Vila Real vão dar início à construção da primeira central de biometano no país, um substituto do gás natural em todas as suas aplicações, anunciou fonte da academia transmontana.


...


O biometano é o resultado da limpeza e purificação do biogás, produzido em estações de tratamento de águas residuais, aterros sanitários ou resíduos pecuários, podendo substituir o gás natural tradicional em todas as suas aplicações."




Boa colaboração entre empresas e instituições de Ensino Superior!

É este o caminho!


Mas atenção que esta não é uma "energia limpa"!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

QUE JUVENTUDE QUEREMOS?





Esta interrogação, que de milénio em milénio, continua e continuará sem resposta para os presentes e para os nossos descendentes. Com a responsabilidade a girar entre três pólos triangulares, Família, Estado e Sociedade, esta questão tem vindo a prolongar-se ao longo dos séculos.
Sócrates, filósofo ateniense, quinhentos anos antes de Cristo, na sua imensa sabedoria, afirmava que a excelência moral era uma questão de inspiração e não do parentesco familiar. Segundo este fundador da filosofia ocidental, por mais moralmente perfeitos que fossem os pais podiam não ter filhos semelhantes aos seus atributos morais e éticos.
Já no tocante à responsabilidade do Estado na formação educacional dos jovens, poderemos começar em Esparta, também na Grécia antiga, entre cerca de sete e cinco séculos antes de Cristo. O governo espartano tinha como objecto fazer dos seus cidadãos modelos de homens. Como soldados deveriam ser bem treinados fisicamente, onde a coragem predominasse, e, para além disso, deveriam ser obedientes às leis e à autoridade. A disciplina era condição “sine qua non” para ser bom cidadão, onde os seus direitos políticos, a sua intervenção na vida pública, dependiam directamente do seu “modus vivendi” disciplinar em sociedade.
As influências da sociedade na educação tomaram um novo rumo, passando a ser “caso de estudo” continuado, sobretudo a partir do Iluminismo francês, no século XVIII, nas questiúnculas travadas entre o genebrino, de antepassados franceses, Jaques Rosseau (1712-1778) e o Inglês Thomas Hobbes (1588-1679), no dissecar do empirismo materialista, na procura e defesa do culto da razão. O primeiro defendia que, nascendo puro e bom, o homem, na luta e procura obsessiva pelo interesse pessoal, era corrompido pela sociedade, que, trazendo ao de cima a sua competitividade animal, o embrutecia e o tornava cruel e mau.
Por seu lado, Hobbes acreditava que o homem, genético-hereditariamente, nascia mau. Na sua crueldade, “o homem chegava a ser lobo do homem”, onde prevaleciam os seus maus-instintos irracionais. Ao soberano (um século depois, Estado-Nação) a quem deveria deter todo o poder absoluto e centralizado, cabia-lhe, através da força normativa, “domar” os seus instintos e fazer dele um ser sociável.
A partir da Revolução Francesa, de 1789, no âmbito da “doutrina” iluminista, até ao primeiro quartel do século XX, a educação do homem assentou no sistema de pensamento da igualdade e liberdade, à luz da razão, seguindo a filosofia de Descartes, “pai” do racionalismo da Idade Moderna, e rompe quase com os princípios teocráticos.
A partir de 1922, com a subida de Mussolini ao poder em Itália, a Europa, exceptuando a URSS, através da sua revolução Bolchevique de 1917, inicia um movimento de corte em oposição ao liberalismo, ao socialismos e a qualquer forma de governo democrático: o fascismo.
Como num eterno retorno, a filosofia deste movimento, para além de outras, assenta num novo triunvirato: Pátria, Deus, Família. É ao Estado que compete a direcção de todas as actividades da nação. A educação, ainda que fortemente elitista, manipulada e inquinada com o sistema vigente, como baluarte da outrora disciplina espartana, é o “primus-inter-primus” do novo regime ditatorial que atravessa a Europa a seguir à primeira Grande Guerra, a depressão de 1929, e que, com o armistício da Segunda, alguns claudicam, nomeadamente Itália e Alemanha.
Por volta do terceiro quartel do século passado, com o cair de vários regimes autoritários, na Europa, entre eles Portugal, Conquista-se a democracia. Ou seja, envereda-se por uma nova forma de neo-iluminismo, um novo liberalismo, assente no individualismo, na igualdade de oportunidades, na laicidade dos Estados e…na economia de mercado.
Abandona-se a educação, enquanto premissa fundamental de uma Nação de direito, num mar de políticas ao sabor dos ventos e marés. O Estado, mais preocupado com direitos, liberdades e garantias e, sobretudo com a democratização de livre-acesso de todos ao ensino, básico e secundário, escamoteia as linhas mestras dessa mesma educação. Ao longo de mais de três décadas, num desnorte, aposta tudo na generalidade do conhecimento e saber intelectual dos alunos, em detrimento do adquirir saber na área profissional e, naquilo que é mais importante: a sua formação educacional e cívica, enquanto futuros cidadãos na sua correlação em sociedade.
Por outro lado, por incrível que pareça, vão-se arrogando direitos e mais direitos –sem a proporcional obrigação- aos filhos e alunos menores. Por antítese, vão-se derrogando (suprimindo) direitos aos pais e professores. E, para mais incrível ainda, aumentam-se-lhes as suas obrigações. Quase como uma paródia social, assistimos a miúdos, de menos de uma dezena de anos de idade, a ameaçar os pais de queixa à linha azul da protecção de menores. Nas escolas, como todos assistimos, vimos professores a serem agredidos física e verbalmente sem que nada, ou quase nada, para além da participação judicial, possam fazer.
Em conclusão, à pergunta “que juventude queremos?”, deixo a resposta a cada um que chegou até aqui.
Limitei-me a ir lá ao “fundo”, à história, para melhor se entender, depois, aparentemente, sem formar juízos de valor, tentei indicar as linhas condutoras que, quanto a mim, desde há mais de três décadas, através das políticas educacionais emanadas do Ministério da Educação, conduziram à juventude que temos.
Esta juventude, de hoje, é boa, é má, é melhor que a anterior, será pior do que a que esperamos no futuro? Não sei! Não escrevi este texto para dar respostas concretas.
Se ajudar alguma coisa, posso afirmar que estas questões, de que esta descendência actual é muito pior do que as ascendentes anteriores, em contínuo conflito de gerações, já vem sendo desvalorizadas desde o tempo de Sócrates, o “outro”, o filósofo, que existiu cinco séculos antes de Cristo.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

A FESTA DE VÁRZEAS



(FOTOS DO BLOGUE ADELO.BLOGSPOT.COM)


No domingo, dia 9 de Novembro, celebrou-se em Várzeas a festa anual de Nossa Senhora da Piedade. Com a eucaristia a começar às 15,30, seguiu-se uma hora depois a procissão em honra da sua veneranda padroeira. Durante mais de uma hora, ao som, bem ritmado “de marcha”, dos metais, da banda musical de Penacova, a comitiva religiosa percorreu a pequena aldeia que, como em prece, se ajoelha e presta vassalagem ao seu amor de sempre: a sua Vila de Luso.
Seguir esta cerimónia religiosa, foi como nos sentíssemos actores no recente filme de Miguel Gomes, “Aquele querido mês de Agosto”, que, de forma exemplar, mostra as tradições religiosas e “paganísticas” no interior de Portugal, com todas as suas fraquezas e importância cultural para as pequenas aldeias.
Foi lindo ver as janelas enfeitadas com flores e as antigas colchas de seda a marcarem a tradição. Foi bonito de ver pessoas a cumprimentarem-se, algumas delas, que já não se viam há várias décadas. “Tu és mesmo o “tonito”, aquele puto que andava por aí? És mesmo tu? Dá cá um abraço pá!”, reclamava o Carlos “Sonaio” a um amigo que já mal lembrava as feições.
Junto a mim, a senhora Maria, com o rosto traçado pelas rugas do tempo, mas cujo brilho de contentamento parecia não ter idade, abraçada à Lurdes, quase chorava de felicidade por, neste dia tão importante para a aldeia, poder rever a velha amiga que viera de Lisboa.
À noite, no novo salão, ainda improvisado, em chapa, mas já com algumas boas condições, houve bailarico até às tantas. Como houvera já um grande baile no sábado à noite, onde não faltaram “cotas” e novos, este “excedente” só foi possível graças à boa vontade e generosidade de uma “filha da terra”, emigrante na Suíça, cujo anonimato se mantém a seu pedido, que se prontificou a assumir o seu custo.
Foi lindo de ver e sentir a alegria de todos os meus familiares, sobretudo o das minhas tias, Dorinda e Anunciação, em que me receberam de braços abertos naquela que foi, e é, a minha terra, a terra onde nasci e dei os primeiros passos.
O juiz da festa, o meu primo Fernando, sempre à altura de qualquer eventualidade, esteve como deve estar um “magistrado”, ou seja, pronto a julgar e ultrapassar qualquer questão de última hora.
Concluo, parafraseando Chico Buarque, e alterando a letra, aqui e ali, “sei que estiveste em festa, pá, fico contente! Por ter estado com a tua gente, a quem abracei alegremente…!”

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

CARTA A MEU PAI




Andámos toda a tua vida em guerra,
como vizinhos que discutem sem saberem porquê,
agridem-se, insultam-se como inimigos que nunca foram,
como dois alpinistas que escalam o seu orgulho e sobem a serra,
cada um, procurando mostrar ao outro que é o único que vê,
que é o único que sabe, dono da razão, mas, no fundo, que se adoram,
um desdenhando a argumentação do outro, a sua é a única verdade na terra,
dando exemplos dos ascendentes, bons, maus, dos muitos que se foram;
Passaste a tua vida, através de exemplos, tentando mostrar a tua razão,
muito te esforçavas, às vezes até choravas, por eu não entender,
eu, por minha vez, só para contrariar, mesmo que estivesses certo, dizia não,
achava que nunca iria ser como tu, jamais te iria compreender,
nunca iria repetir as tuas palavras, muito menos emendar a mão,
não faria os mesmo erros com os teus netos, ficasses tu a saber,
se acreditavas que iria repetir aquelas frases que atiravas ao meu irmão,
tira o “cavalinho da chuva”, eu sou muito melhor do que tu, podes crer;
Partiste, não disseste nada, não avisaste, nem um bilhete de despedida,
não deixaste objectos, nem ouro, nem prata, deixaste conflitos para resolver,
deixaste aquelas frases na minha memória, que tanto detestava, em testamento,
à medida que me aproximo da tua idade, sinto a minha arrogância, vejo a vida,
dou por mim a repetir as mesmas frases, os mesmos gestos, que jurava nunca dizer,
recebo do meu filho, o teu neto, a mesma resposta que te dava, avivando sofrimento,
tenho a certeza, agora, que estou a receber com juros como se curasse a tua ferida,
onde estiveres, certamente, estarás a rir-te da minha ingenuidade e do meu sofrer.

Buraka Som Sistema

Grande som!!

Musica electrónica de fusão!!

Da Buraca para o Mundo!

sábado, 8 de novembro de 2008

UMA MULHER QUE RI

(FOTO DO JORNAL PÚBLICO)


Esta mulher sorri abertamente,
como virgem, para o mundo que a quer ver,
parece feliz, com razões, muitas, certamente,
inconscientemente, como se não quisesse saber,
talvez tenha noção o quanto frustrou tanta gente;
Olhemos, atentamente, a aura e o seu sorriso,
talvez, pelo nome, Fátima, se julgue santa,
numa mistura de autismo e carência de siso,
onde a arrogância e a falta de vergonha é tanta,
que, para ridículo, talvez só lhe falte um guizo;
Será que ela troça do povo de Felgueiras?
que, num caciquismo pacóvio, a veneraram,
se ajoelharam, e a encheram de boas maneiras,
mesmo sabendo que “usados” quase acabaram,
por serem marionetas e a encheram de peneiras;
Esta mulher é um “caso de estudo” para a Sociologia,
onde impera a esperteza, a crendice e a vitimização,
num povo atrasado, ignorante, onde grassa a mitologia,
onde confundem as cunhas com a institucional obrigação,
crédulos, continuam a exigir justiça, sabendo que justos nunca serão;
“Considero-me limpa, Deus é grande, não fui condenada!”,
refere, em êxtase a mulher que ri, em dúvida de senilidade,
num caldo místico de guerrilheira, julga que foi inocentada,
coloca um grande problema filosófico à mentira e à verdade,
mais uma vez a justiça, através do subterfúgio, sai aldrabada;
Cícero, Platão, no seu sonho da República, devem estar desalentados,
nunca imaginaram que o seu, tanto defendido, sentido de justiça,
se perdesse, nos labirintos do “in dubio pro reu”, estarão desanimados,
na verdade, este Direito deixou de ser cimento, passou a ser caliça,
qualquer um acredita que este sistema judicial não serve, está falhado.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

UM CÃO A REFLECTIR

(CLIQUE EM CIMA DA IMAGEM PARA AMPLIAR)


O cão parece dormir,
num sono solto inocente,
parece que está a fingir,
como não sentisse a gente,
que o dono está a mentir;
“Ajudem o aleijadinho”,
repete o homem mil vezes,
quem passa diz “coitadinho”,
pensa o cão: ai portugueses!,
não vos custa o dinheirinho;
Mas o homem está a sorrir,
de toda a gente que passa,
parece até quase sentir,
a pena como desgraça,
da desgraça, parece rir;
E o cão, numa sesta de meio-dia,
vai ajudando o companheiro,
sentindo uma imensa alegria,
sempre que cai um dinheiro,
pisca um olho em fantasia;
O dono, com um braço deformado,
expõe-no, como obra de arte,
ali, no canto da rua, faz de aleijado,
quando conseguir a verba, parte,
vai cantarolar, parecendo consolado;
O cão, dividido, entre a arte e a fraqueza,
olha o dono, olha o “totó” caridoso,
dorme porque não tem a certeza,
qual deles é o mais manhoso,
nesta terra portuguesa.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Para ver e guardar na memória...

Mais um excelente discurso!!! Agora estamos para ver como são as acções

Porque é que isto não anda???!!!




Nos últimos dias temos assistido a uma acesa discussão acerca do futuro do Luso, nomeadamente da sua vertente turística, e se até à pouco tempo os tempos eram de esperança, com a criação de uma Entidade Regional de Turismo do Centro, actualmente reina a desilusão devido a ausência de Coimbra na dita entidade.

Concordo completamente com a visão de que uma Região de Turismo do Centro sem Coimbra (e sem Figueira da Foz, Cantanhede...) não faz sentido e está condenada ao fracasso mas esta situação está longe de ser para mim uma surpresa por duas razões que quero partilhar:
  1. Coimbra criou em 2007 a Empresa Municipal de Turismo que tem trabalhado com algum sucesso,logo, não me parece que Coimbra vá deitar esse investimento fora para se "subjugar" a uma entidade que não poderá "controlar" e que pouco ou nada irá acrescentar à visibilidade da cidade promovendo-a ao lado de algumas das suas principais concorrentes (atenção: não estou a afirmar que concordo com esta visão! Só estou a afirmar que ela existe!).

  2. Se as questões políticas são o impedimento(e espero que não), dificilmente se devem a lutas em PS e PSD mas sim a lutas internas do PSD! O presidente da dita entidade, Pedro Machado, é actualmente candidato à liderança da Distrital de Coimbra do PSD contra Marcelo Nuno que é apoiado por Carlos Encarnação, presidente da Câmara Municipal de Coimbra.

O futuro não é risonho para esta nova entidade! Arrisco-me a dizer que os anos de preparação e o dinheiro investido estão perdidos e não se avizinham soluções com as inerentes consequências para o turismo local!

No comments!!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

DIÁRIO DE UM DESEMPREGADO RECENTE




José, vamos chamar-lhe assim, trabalhou toda a vida no comércio dito tradicional. Apesar de parecer ter menos, tem 48 anos de idade. Começou cedo nas lides comerciais. Tinha então 13 anos. Ao longo de trinta e cinco anos de actividade laboral, apenas conheceu dois patrões. O primeiro, durante nove anos, foi o “Carlos Camiseiro”, ali na Praça Velha, em Coimbra. Nessa altura, até ao princípio de 1980, os mais velhos lembram-se deste grande comerciante que, para além de ter uma casa emblemática, era o grande financiador da então Académica, através de publicidade nas camisolas.
Como no início dessa década essa grande casa comercial foi vendida para outro grande comerciante. José, como bom elemento que era, um funcionário esforçado, daqueles cuja obrigação não depende do relógio, transitou imediatamente para o novo adquirente, onde esteve durante 26 anos de actividade ininterrupta.
Há dias a “sua” casa comercial encerrou. O seu segundo ninho, onde os sonhos soçobraram, afogando mil planos idealizados, perdidos pelos labirintos da vida, com a realidade a mostrar a sua frieza, como a dizer-lhe que a sorte de poder realizar as suas fantasias não é para todos. Para além do choque de ver fechado o seu horizonte da razão do seu viver, o objecto da sua rotina diária, o sol que vislumbrava ao fundo do longo caminho diário entre a sua casa familiar e o seu trabalho, muito mais ainda, para piorar, José, não recebeu os ordenados relativos ao último ano. Não é o único, diz-me com a voz embargada pela dor, também os seus restantes colegas diários de trabalho, para além da alma, lá deixaram o justo ressarcimento de um ano de entrega laboral a uma causa perdida. E das legítimas indemnizações, a mesma coisa, nem vê-las.
Hoje encontrei o meu amigo José, arqueado, de olheiras profundas, passo errante e arrastado pelas ruas da calçada. “Que vou fazer à puta da minha vida, Luís? Tenho a casa para pagar, a minha mulher ganha pouco, estou completamente endividado”-olhando os seus olhos macilentos, eu pressentia que a qualquer momento se iam inundar de lágrimas. “Eu não merecia isto, Luís! Dei a minha vida por aquela firma, e o que trouxe? Nada!, absolutamente nada!”, mostra-me as mãos estendidas em concha, como se eu não acreditasse e fosse necessário este gesto. Foi então que as lágrimas contidas, amarradas tão a custo, se desprenderam como águas libertas na brava cercania inclinada. E o José, homem maduro, ali à minha frente, chorou como uma criança desamparada de tudo e todos.
“O que mais me custa é acordar às 7.00 horas, como sempre fiz, e de repente, sinto uma dor, como um murro no estômago, percebo que não tenho para onde ir. Não tenho trabalho! Ao longo da minha vida, nunca tinha sentido esta sensação. É uma impressão de inutilidade, como se, de repente, me tornasse numa coisa imprestável. Nestes dois dias, em que estou desempregado, já fui a uma série de entrevistas de emprego. Sabes o que é entrar numa sala e estarem dezenas de pessoas à espera, como eu, sendo a maioria mais novos? Quando chega a minha vez de ser entrevistado, quando digo a minha idade de 48 anos, o meu jovem entrevistador, provavelmente psicólogo contratado pela empresa, engelha a cara sem disfarçar. Bem lhe tento dizer que sou “pau para toda a colher”, que já “comi as sopas que o diabo amassou”, que os horários para mim nunca contaram, mas aquele jovem, provavelmente recém-iniciado na vida, olha para mim como se eu fosse um bicho raro, com um olhar dividido entre o espanto e a comiseração, parecendo não acreditar. Ou então porque, aos candidatos anteriormente ouvidos, já “engoliu” esta história mil vezes. Já viste, Luís, para aquilo que uma pessoa estava guardado?!”, interroga-me o José, sabendo antecipadamente que não queria qualquer resposta.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Pois é!!!

É sempre bom saber!!!
PS: Obrigado Jumento!!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Um pequeno grande passo!!


«Uma padaria de Vila Verde está a oferecer um pão aos clientes que prescindirem da saca plástica, por entender que aquele material, não sendo biodegradável é prejudicial para o ambiente, disse hoje à Lusa o seu proprietário.



Manuel Arantes adiantou que a ideia é poupar o ambiente ao desgaste provocado pelo plástico deitado fora e abandonado a céu aberto: "a quem levar 13 pães, por um euro, eu ofereço um, se não quiser o saquinho de plástico", revelou.»


In Jornal de Notícias


Fantástico!!!

PS: Peço desculpa pelo afastamento! Prometo ser mais assíduo!!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

HISTÓRIAS DA MINHA ALDEIA (33): A NATÁLIA DO EMPALHAMENTO

(FOTO DA D. NATÁLIA MORAIS, GENTILMENTE CEDIDA PELO MEU AMIGO ALCIDES REGO)

(A CAPELA DA MINHA ALDEIA, BARRÔ)



Se falarmos aos mais novos numa indústria que, apesar de só recentemente ter desaparecido, e que, mesmo assim, ainda convive connosco, embora em pequenos resquícios de amostragem, certamente vão pensar que era impossível que fosse assim, na forma, e na substância, como vou contar. Poucos saberão, e acreditarão, que, num tempo de memória que, aos poucos, se vai esfumando, era perfeitamente normal revestir uma garrafa ou garrafão, com “traje de cerimónia”, durante 15 a 20 minutos de trabalho manual. Falo, evidentemente, como já viram, de uma profissão em acelerado desaparecimento: o empalhamento em vime de garrafas e garrafões.
Antes da “invasão” do plástico, que se deu, em pleno, há cerca de duas décadas, toda a indústria do vidro para engarrafamento estava ligada a esta arte ancestral. E falar desta profissão é falar da minha amiga Natália Morais, que mora em Barrô, a nossa aldeia comum, ali, como enclave, entre a Mealhada e o Luso.
Falar desta septuagenária é contar uma história de resistência, de adaptação à vida, com todos os altos e baixos. Falar com esta mulher de cara arredondada, maçãs do rosto avermelhadas, olhos vivos, e sempre com um sorriso encantador, é um gosto. É como uma rosa rara descoberta num jardim proibido.
Começou nesta arte tinha então 27 anos. Ainda que professe uma religião protestante, lembra-se, 1963, foi o ano em que foi eleito um novo Papa, em conclave, o cardeal Giovanni Battista Montini, que viria a tomar o nome de Paulo VI.
Chegou a ter 24 pessoas a trabalhar na sua pequena indústria. Do seu “atelier” saíam garrafas e garrafões empalhados para as firmas Barbosa & Almeida do Porto, para o Santos & Barosa da Marinha Grande, Para as Caves Messias, na Mealhada, Para as Caves Primavera, na Anadia e para tantos outros que nem lembra. Recorda-se, por exemplo, por alturas do Natal, era uma procura louca por causa dos cestos empalhados para colocar os brindes.
Na sua pequena oficina, em Barrô, em que, para além de nas feiras de artesanato ser uma das estrelas principais, hoje faz apenas pequenas encomendas. Reparo na destreza das suas mãos, calejadas pelo tempo. Parecem contorcer-se vigorosamente, como dois corpos enrolados um no outro. Como se tivessem vida própria, numa mistura de volúpia, em que não falta o gemer, dividido entre a dor e a carícia, das vergas manuseadas por esta deusa de artes e ofícios.
“isto, esta actividade, foi sempre muito dura”, refere-me, quase em segredo. “Acabou porque é muito trabalhosa e hoje já não há quem se queira esforçar. Sabes lá tu o que isto custa? Interroga-me com ar desafiador. Perante a minha total ignorância, começa a contar-me o brutal trabalho que dá “trabalhar” a verga até esta estar pronta para servir de capa protectora a um qualquer garrafão ou garrafa.
“Primeiro, é preciso cortar a verga em Novembro e Dezembro. Depois é preciso fazer o“embacelamento” (enterrar o vime na terra). Depois da Páscoa a verga começa a rebentar. É então altura de a retirar da terra e começar a operação da “esfola”. Esta “esfola” é feita com uma navalha. A seguir é preciso seleccionar toda a verga. A mais grossa num lado, a média para outro e a fina para outro ainda. Esta verga mais fina é para as asas e a média é para o “corpo” das garrafas e garrafões.
Depois de esfoladas à navalha, as vergas, são colocadas ao sol para secarem bem. Depois de seca é atada em molhos e guardada ao “enxuto” (resguardado das chuvas) para ser utilizada quando necessário.
Antes de ser empregue, tem de estar 24 horas dentro de água. Depois, a seguir, a mais grossa, é “rachada” (cortada) em três partes. Seguidamente, é passada na máquina de “5 escalos”. A primeira que sai, por ser fraca, não se aproveita”.
“Vês?, com este hercúleo trabalho, achas que alguém quer continuar esta arte?”. Realmente, creio que não, remato com toda a convicção.
Mais uma vez, aprecio o “bordar” laborioso da minha conterrânea Natália. É sem dúvida uma artista. Enquanto conversávamos as suas mãos nunca pararam. Em cerca de vinte minutos, das suas mãos, saiu um obra-prima.
Quando lhe pergunto porque continua na arte, uma vez que, presumivelmente, não dará nem para tomar o pequeno-almoço, responde-me, com aquele brilhozinho nos olhos que tão bem conheço nas pessoas enamoradas: “que queres? É a minha vida, é o meu amor, a minha paixão!”