segunda-feira, 30 de março de 2009

UC: A (IR)RESPONSABILIDADE DE UMA INSTITUIÇÃO

(ESTA FOTO É APENAS UMA SINGELA HOMENAGEM A UM GRANDE ARTISTA QUE SE PERDEU)



Recebi um comentário de uma senhora dos Açores, mãe de um malogrado estudante da Universidade de Coimbra, que em Maio de 2008, por alturas da Queima das Fitas, se suicidou. Nessa altura escrevi aqui no blogue -Questões Nacionais- um texto sobre este nefasto acontecimento.
Para não provocar mais dor a esta mãe de sangue, que, na primavera da vida, sem explicação plausível, vê partir a “carne da sua carne”, não vou referir o nome. Acrescento apenas, sem favor, que, para além de ter sido um fotógrafo de extrema sensibilidade, se não fosse este incidente triste, muito teria dado às artes de retratar a realidade que nos cerca.
Já em Maio do ano passado, nesse meu “post”, chamava a atenção para o facto de na Queima das Fitas –que, como sabemos, a edição deste ano, se aproxima a passo rápido- acontecerem todos os anos vários suicídios de estudantes da Universidade de Coimbra. Embora a Universidade tenha um serviço de SOS-Estudante –com o número de telefone 808200204- desde 1997, sabe-se que a este apoio poucos estudantes recorrem.
E perante as mortes (anunciadas) que ocorrem todos os anos o que faz a Universidade de Coimbra? Nada. Ora é aqui que está o fulcro da questão. A universidade, enquanto instituição pública de formação intelectual deveria preocupar-se mais com os alunos e não o faz.
Não se pense que eu falo por falar. Que tenho apenas informação e nenhum conhecimento. Nada disso. Andei lá até há três anos e sei o que por lá se passa. A relação entre professores e alunos é tão fria que nem o novo programa do governo para aderência aos painéis solares vai resolver seja o que for. É evidente que, como em tudo, há excepções, mas são poucas. Um aluno para um catedrático, regente da cadeira, é uma besta. Admite-se que em pleno século XXI, numa faculdade onde se ministra, para além do conhecimento, a tolerância, o trato e a intervenção pública, os alunos sejam tratados como coisas? Evidentemente que falo da Faculdade de Direito, que, a meu ver, mais responsabilidade social deveria ter na formação de advogados e futuros magistrados.
Poderia contar alguns casos que se passaram comigo, mas para que não se pense que falo porque estou ressabiado –e estou mesmo, assumo-o- contarei apenas um caso de um aluno meu conhecido que ilustra bem o que pretendo demonstrar. Há dois anos, em Julho, este meu amigo foi fazer uma oral. Como era verão, apresentou-se de bermudas e chinelos. Quando foi chamado para o exame, o regente da cadeira, demais conhecido e com um ego que não cabe no país e muito menos em Coimbra, ostensivamente mirou-o de alto a baixo. “Só pela forma provocadora e fulminante como ele me olhou senti-me logo intimidado. Vi logo que estava chumbado”, disse-me na altura o meu jovem amigo.
O tal regente da cadeira, do alto da sua importância majestática, fez a primeira pergunta. O aluno começou a “gaguejar”. O doutor nem o deixou acabar. Com ar de gozo, atira-lhe: “Olhe lá, o senhor é do Alentejo, não é verdade?” Perante a anuência do meu amigo, continua: “então faça-nos um favor, vá para lá guardar cabras, que é lá o seu lugar”. E acabou ali o exame oral do meu jovem amigo.
Servirá para alguma coisa dizer que este doutorado cometeu uma ilegalidade? De nada vale, evidentemente.
Sei de várias alunas que sofreram “esgotamentos”, e muitas outras que mudaram de curso e de universidade. É quase cruel a forma como são submetidos os alunos a este tipo de ensino quase medieval. Ninguém questiona um aluno porque não consegue entender o que se pretende. E porquê? Porque, pessoalmente, tenho quase a certeza de que mesmo os professores não sabem o que querem. E, assim sendo, é evidente, como podem explicar algo que não sabem? Costumo dar este exemplo metafórico um bocado estúpido: mandam os alunos apanhar pedras, mas não dão mais especificações. Então, acontecem coisas do arco-da-velha, como não conhecem os parâmetros desejados, aparecem alunos com pedras às costas com mais de cem quilos e outros com pedrinhas de um grama. É assim mesmo. Ninguém sabe, concretamente, o que se pretende. Aparentemente, corre nos corredores que, tal como na Ordem dos Advogados, a intenção é tornar o ensino e as formalidades tão “catatónicas” para que mais de metade desista, ou então continue lá inscrito e não consiga fazer nenhuma cadeira –esta é uma das razões para o chumbo do Tribunal de Contas ao défice da Universidade pelas propinas não pagas na ordem dos 2,6 milhões de euros.
É incrível. Como é que passados mais de um século, da “Geração de 1870” e depois do “In Illo Tempore” de Trindade Coelho, a Universidade de Coimbra, e sobretudo o seu ensino anacrónico, em vez de realçar o que melhor há nos alunos, continue virada para fomentar as depressões individuais.
Se tanto se fala na avaliação dos professores (do Secundário) porque não são avaliados os do Ensino Superior? O caricato disto é que estes professores-doutores, péssimos “ensinadores”, até se dão ao luxo de “botarem faladura” em jornais diários contra os colegas do secundário. É simplesmente ridículo.
No meio disto tudo, quem mais sofre, como é o caso desta senhora dos Açores, são as muitas mães que perdem os seus filhos no dealbar da vida e, ainda mais, por um ensino vergonhoso, que é uma causa perdida.
Para esta mãe, e para tantas outras, o meu lamento profundo.
O que peço a estas pessoas, que provocam a morte por suicídio a tantos jovens, que no seu autismo nem se apercebem, é que arrepiem caminho e que tomem consciência que o poder ou estatuto é uma ilusão. Quando envelhecerem, ou se jubilarem, um ano depois, já ninguém os conhece, a não ser pelas tropelias que fizeram aos alunos, e, tal como qualquer um, vão acabar entre quatro tábuas. A única diferença, na hora do funeral, será o som da cabra (sinos da Universidade) a ecoar por toda a cidade.

sábado, 28 de março de 2009

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE AMANHÃ...)



Milu disse...
EH pá! Não há dúvida que a figura da mulher se presta para tudo! Até para dar horas! Às primeiras impressões ainda pensei que se tratava de uma original demonstração de como se podia utilizar um termómetro! Mas está bem, não fere os olhos, não há ali qualquer famigerado vestígio de celulite! Fez aqui uma referência a um pormenor encantador - O cantar do galo! Sempre que de madrugada ouço um galo cantar, existe pelo menos um, algures perto da minha casa, sou logo invadida por um sentimento de nostalgia, que me atira para um tempo há muito ido! Na aldeia, terra natal dos meus pais, que costumávamos visitar por altura das festas tradicionais e onde se vivia, principalmente, daquilo que a terra dava. Os cantares dos galos sucediam-se uns aos outros, numa reconfortante sinfonia, que nos aproximava de tudo o que há de mais simples na vida! Os animais eram uma parte integrante da família. Quase todas as famílias tinham um burro! Até a minha avó, coitadinha! Um dia apeteceu-me dar uma voltinha, mal o meu pai me sentou em cima do jerico, este deu um jeito aos lombos torcendo-se todo e despejou-me outra vez nos braços do meu pai! Apanhei um susto e nunca mais quis saber do burro! Arroz de cabidela, manjar dos Deuses, um prato forte, tem que ser domado com um tinto, bem encorpado!
28 de Março de 2009 16:22

AMANHÃ MUDA A HORA




Mais logo, quando for 1 hora da manhã, não esqueça, rode os ponteiros para a frente para as 2 horas.
O que é que havemos de fazer? Se tudo aumenta, naturalmente que a hora não foge à regra. No limite, você até pode dizer que não é aumento nenhum. O que se trata, isso sim, é de uma deslocalização. Os conceitos não sei. O que posso dizer é que mais uma vez o governo até neste aumento da hora, ou deslocalização, meteu a colherada. Mais uma vez ficamos a perder. Amanhã vamos receber um dia apenas com 23 horas. Está certo isto? Claro que não! A quem nos vamos queixar? Quem nos paga uma hora a menos de sono? Depois, eu tenho outro grande problema, como é que vou explicar ao Hermegildo, o galo que me desperta todos os dias à mesma hora a cantar, que o horário em que ele mostra os seus dotes artísticos mudou? É claro que ele não vai acreditar. Às tantas ainda vai dizer, a cacarejar, que estes humanos são uns doidos. E, provavelmente, já vi: isto vai dar arroz de cabidela, só pode!
Um dia com 23 horas? Onde é que isto já se viu? Isto é especulação pura. A ASAE deveria intervir. Não acha?

EDUCAÇÃO BÁSICA PARA TODOS



“SÓCRATES E FERNANDA CÂNCIO VAIADOS NO CCB”

Segundo o Expresso, “O primeiro-ministro, José Sócrates, e a jornalista Fernanda Câncio receberam uma vaia geral quando entraram esta noite atrasados no grande auditório do Centro Cultural de Belém (CCB). É que os espectadores ali presentes não gostaram de ter de esperar a chegada de Sócrates para se dar início à ópera Crioulo, que, por causa do sucedido, atrasou meia-hora”.
Continuando a citar o semanário, “O Expresso soube, no entanto, que o primeiro-ministro esteve à espera do seu homólogo cabo-verdiano, José Maria das Neves, o que terá justificado o atraso”.

Um mau exemplo. São estes pequenos nadas que marcam toda a diferença. Quando é que quem gere estes espaços de cultura, e outros, se capacita que o primeiro-ministro, ou o presidente da República são pessoas iguais a qualquer um de nós? Com os mesmos direitos, mas com mais obrigações. Institucionalmente são diferentes na responsabilidade que carregam nos ombros, por isso, deles, se espera um melhor exemplo (do que este) para os nossos filhos e netos.

sexta-feira, 27 de março de 2009

VOZES, RUÍDOS E TROVÕES INSTITUCIONAIS




“Caso Freeport: Marinho Pinto acusa Polícia Judiciária de manipulação”, in Jornal de Notícias online (JN) de hoje.
A determinado passo, e continuando a citar o JN, é dito: “A carta anónima que incriminou Sócrates foi combinada com a PJ. (…) Nesse despacho, a procuradora (Inês Bonino, do Ministério Público) diz claramente que a carta nunca foi anónima. A PJ reunia frequentemente com o sujeito que a escreveu. Eram reuniões em que participavam também jornalistas da revista “Tempo” e políticos –um deles era da Assembleia Municipal e estava em vias de perder as eleições, o outro era o deputado do PSD Miguel Almeida, ex-chefe de gabinete de Santana Lopes– e todos criticavam o PS. Então, a coordenadora da PJ de Setúbal, Maria Alice Fernandes, sugeriu que alguém lhe enviasse as críticas sob a forma de carta anónima. A procuradora, diz ainda (Marinho Pinto), de forma clara, que havia interesse em denegrir a imagem do agora primeiro-ministro”, diz ao JN o bastonário dos Advogados.
Já todos nos habituámos aos disparos de canhão de pólvora seca –isto é, sem consequências- de Marinho Pinto. Porém, o que hoje é transcrito pelo JN é, quanto a mim, de uma tal gravidade desmesurada que, no momento em que os portugueses têm a justiça, esta acusação não pode, como as outras ficar perdida no éter.
Das duas uma: ou o Procurador da República manda investigar com carácter de urgência e, caso se prove a atoarda, o bastonário deve sentar o rabinho no mocho por difamação agravada, ou então, se seguir a mesma linha de anteriores afirmações, em que tais “bojardas” são classificadas de âmbito estritamente político, mais uma vez a justiça portuguesa cai no charco da chafurdice.
Porque, admitamos que tais afirmações são verídicas, é muito grave. Uma procuradora do MP, um qualquer outro magistrado, um qualquer agente de polícia que sugere o recurso à carta anónima deveria ser sancionado gravosamente. A carta anónima é própria de cobardes sem qualquer respeito por si mesmo e muito menos por outrem. Um Estado que admite este recurso para iniciar investigações não é “pessoa de bem”. É um instigador da corrupção ética e comportamental.
Ainda em 26 de Janeiro deste ano, João Batista Romão, Director Nacional Adjunto da Polícia Judiciária do Porto, em entrevista também ao JN, afirmava preto no branco: “Passou-se ao exagero. Há muita denúncia que não tem fundamento. Que chega-se à conclusão que é tudo falso. Isso atrapalha processos importantes porque não há tempo. Não se consegue dar resposta. Em 100 denúncias, por regra, 80 não correspondem à verdade”.
Perante estas afirmações de um magistrado e Director da PJ o que espera o governo para acabar com as denúncias sem rosto? É difícil? Penso que não. Seria apenas alargar o “estatuto do arrependido” e aplicá-lo a um qualquer denunciante que o solicitasse. A sua identidade seria mantida em segredo, embora as autoridades soubessem a sua identidade. Aliás, a investigação só teria a ganhar porque a determinado passo do inquérito é necessário consultar o denunciante e tal “demarche” torna-se impossível pelo desconhecimento do autor.
Claro que se se falar neste propósito a qualquer magistrado do MP, logo, vai dizer que tem de ser assim, em virtude do Código Penal contemplar indemnização por denúncia caluniosa. Mas, e o que acontece agora? O denunciado inocente pode demandar o caluniador? Claro que não. Ou seja é um falso argumento.
Portanto, investigue-se depressa as afirmações do Bastonário dos Advogados e, a bem da Nação, a bem de todos nós, de alguma dignidade que ainda nos resta, acabe-se com este cobarde acto institucionalizado, próprio dos Estados ditatoriais ou terceiro-mundistas.

quinta-feira, 26 de março de 2009

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE MAMA MIA...)



Milu disse...
É visível que fome esta senhora não passa, nem tem cara de ter doença! Não concordo com esta forma de fazer face à vida. Uma pessoa que se sinta digna, mas que está a atravessar um mau momento na vida, tem todo o direito e o dever de recorrer a ajudas institucionalizadas. No caso de não obter resposta deve por todos os meios possíveis fazer denúncia. Ir para a rua com um filho nos braços para apoquentar as consciências dos transeuntes, isso é que não! Porque a vida custa a todos! Há uns tempos trabalhei em turnos, havia uma semana em que tinha de acordar cerca das três da madrugada e saia do emprego às 13,00H. Desde criança sempre tive dificuldade em conciliar o sono, há em mim uma tendência natural para me deitar tarde e acordar tarde, logo trabalhar por turnos era uma brutalidade a que me encontrava submetida. Para me levantar às três da madrugada e para dormir o suficiente teria de ir para a cama ainda com sol, ora, uma situação que ia contra a minha natureza. A maior parte das vezes nem sequer dormia. De maneira que quando saia do emprego até vinha doida e com uma brutal bebedeira de sono, não pensava correctamente, via mal, enfim tudo mau. A caminho de casa, costumava parar num supermercado para me abastecer de algumas coisas necessárias, o pão por exemplo. À entrada do estabelecimento, invariavelmente, encontravam-se algumas destas pessoas que vivem do vício da pedinchice, mão estendida e filho à ilharga. Bem, eu nem sei o que sentia! Vi-as ali fresquinhas e bem dormidas, mal trajadas, é certo, mas de aspecto radioso, enquanto eu tinha feito o supremo sacrifício de sair da minha confortável caminha de madrugada para enfrentar o dia de trabalho, sentia um caco, um farrapo humano, tão desfalecida que o mais pequeno piparote seria o suficiente para me derrubar ao chão! Que espera, caro senhor, que dissesse a quem me estendia a mão suplicando uma esmolinha? Correndo o risco de parecer ter um coração cruel e empedernido digo a verdade, porque nem admito outra coisa, sempre fui capaz de fazer peito às consequências das minhas acções, não é agora, nesta altura do campeonato que tem sido a minha vida, que vou desistir de ser quem sou. Pois bem, olhava a pessoa bem nos olhos e dizia-lhe - precisas de dinheiro? Então vai vergar a mola... O mesmo é dizer vai trabalhar...
26 de Março de 2009 14:15

terça-feira, 24 de março de 2009

MADRE MIA (DIZ A CRIANÇA)




Esta mulher amamenta
uma criança adormecida,
estende a mão e acalenta,
talvez nem esteja sentida,
é a esperança que a sustenta;
Sinta bem o seu olhar,
perdido na imensidão,
parece nem se importar,
se é ou não provocação,
aquele alvo seio mostrar;
“Ajude”, parece dizer,
em ladainha estudada,
talvez choque quem ver,
aumentando a passada,
olhando o céu sem querer;
De onde virá, que faz aqui?
São interrogações a mais,
num quadro que só por si,
misturado com os demais,
deveria envergonhar aqui;
Condenamos a mulher-mãe?
por usar aquela criança?
Ou tentamos ver também
uma réstia de esperança
a "ninguém" que quer ser alguém?

segunda-feira, 23 de março de 2009

A F(PH)ARMÁCIA (DE) NAZARETH

(UM PORMENOR DO TECTO)

("OLHE AQUI! ESTÁ VER ESTE BARÓMETRO?")

(A LINDA FACHADA; TALVEZ A RAINHA DE TANTAS OUTRAS)

Quem passar pela Rua Ferreira Borges, em Coimbra, mesmo que ande distraído, inevitavelmente os seus olhos vão poisar na mais linda fachada daquela artéria, quiçá rainha de todas as frontarias da cidade.
É o estabelecimento, em actividade, mais antigo da Lusa Atenas. “Foi fundada em 1815. Olhe que ainda conservamos os rótulos antigos feitos em Paris”, diz-me, acaloradamente e cheio de orgulho, o Dr. Victor David. Na sua voz, como um conservador de museu que ama o que preserva, nota-se a convicção, o empenho e a certeza de que tem uma responsabilidade social ao usufruir uma jóia de valor incalculável.
Fazendo analogia com o nome, pela sua beleza de exemplar único, se esta farmácia existisse no tempo de Jesus de Nazareth, este Homem, embora na Bíblia não conste de que alguma vez estivesse doente, teria sido cliente desta botica.
A título de curiosidade, começando pelo étimo, “Farmácia” é a ciência que tem por objecto o reconhecimento, a recolha e conservação das drogas simples e a elaboração dos medicamentos compostos. Esta ciência, e arte, de preparar medicamentos começou a ser protegida em Portugal em meados do século XV. A Faculdade de Botica foi instituída na Universidade de Coimbra no reinado de D. Sebastião (1568-1578)”, in Moderna Enciclopédia Universal.
Voltando à nossa jóia da Coroa, e continuando a ouvir Victor David, “esta farmácia é a vida e a alma da minha mulher”. E de facto, em boa verdade, não exagerou. Ao falar com a Drª Maria Ascensão, esposa e também proprietária, directora técnica da farmácia, sente-se o seu envolvimento na forma como fala da “menina dos seus olhos”.
A Farmácia Nazareth foi a primeira distribuidora para Portugal de artigos para revelação de fotografia e material radiológico. Estamos a falar dos primórdios do retrato, por volta de 1860, das placas de vidro de gelatino-brometo. Nos clientes da farmácia, de artigos radiológicos, contavam-se os falecidos médicos Moura Relvas e Adolfo Rocha (Miguel Torga).
Se os móveis originais desta botica “ancienne” falassem, mil histórias contariam. No entanto, a Drª Ascenção não deixa créditos por mãos alheias. Tudo o que respeita à sua “menina do peito” esta senhora não se cansa de contar. “Olhe que a minha farmácia foi o primeiro estabelecimento autorizado de distribuição para a zona centro de água das Pedras e água de Luso”. Complementa o marido, Victor David, “por volta do fim do século XIX, a água vinha pela “posta-restante” até à ponte de ferro, até à casa da Ponte, em Santa Clara, e depois era transportada em carroça até aqui à farmácia”.
Continuando a ouvir, com gosto, estes dois teimosos na conservação do património comercial, “olhe aqui! Está a ver este barómetro? Por volta de 1920/1930, os jornais diários da cidade (certamente entre eles o Conimbricense) vinham aqui saber das previsões de chuva para o dia seguinte”, diz-me Victor David, embalado na descrição de factos históricos relativos ao mais antigo estabelecimento de Coimbra e que está na sua família desde 1980.
A Farmácia Nazareth, contrariamente aos guias turísticos da cidade, que olvidam este quase bicentenário estabelecimento, é referida no Guia Michelin com a seguinte menção honrosa: “ao passar na Rua Ferreira Borges, vindo do Largo da Portagem, nos números 135/139, não esqueça de olhar para o seu lado direito. Encontrará a Farmácia Nazareth, um bom exemplo de conservação do património comercial” –citado de memória.

UM SORRISO MARCA A VIDA



Encontrei-te por acaso,
numa rua da cidade,
tropeçei no teu sorriso,
pareces não ter idade;
Tanto tempo já passou,
eu mal te reconhecia,
se não fosse o teu sorriso,
eu jamais me lembraria;
É estranho um sentimento,
p’ra viver é tão preciso,
parece que nada contou,
a não ser o teu sorriso;
Essa alegria espontânea,
que me prendeu tanto a ti,
foi esse sorriso louco,
que me escravizou assim;
Agora até entendo,
e consigo compreender,
por que é que só um sorriso
nos amarra até morrer.

sábado, 21 de março de 2009

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE A VOZ INCÓMODA)

(EDUARDA MAIO, JORNALISTA DA ANTENA 1)


Milu disse...
A publicidade melhor conseguida é, sem dúvida, toda aquela que se apoia nas cenas mais evidentes do quotidiano.Não é preciso rebuscar muito, basta olhar em volta, basta, também, ter a sensibilidade suficiente para conseguir captar o sentimento mais generalizado do tempo actual. Ora, o que tem estado na ordem do dia, na verdade, são as manifestações, greves e diversas contestações de carácter político, etc. Sendo assim, é normal que se aproveite o boneco, quer para construir publicidade quer para fazer humor, para certos programas que vivem da sátira. Não vejo razão para o empolamento deste caso! Qualquer coisinha hoje é notícia. Uma paneleirice qualquer enche páginas de jornais! Estamos mesmo em crise! Ultimamente tudo serve para atacar este governo. Com a economia do mundo inteiro de pantanas,querem-nos fazer crer que Sócrates é o principal responsável pela situação precária do nosso país. Mas atenção - tudo isto não passa de um golpe baixo, que se traduz numa grave falta de respeito pelos portugueses, porque não é verdade, antes fosse... Trocava-se de governo e ficávamos todos ricos, todos a viver um oásis de abundância! Infelizmente a realidade é bem amarga! Não vamos lá com pachos e panos quentes. É preciso trabalhar e sobretudo mudar esta mentalidade comesinha, pequenina e miserabilista.

sexta-feira, 20 de março de 2009

A RTP PÔE-SE A JEITO...



Segundo o Sol online, há cerca de uma hora, a RTP colocou-se de cócoras, pronta a ser “entalada” pelo PSD e PCP.
Tristeza de direcção…sem direcção! É por atitudes destas que o país está onde está. Ou seja, na sanita da Europa. E, pelos vistos, com esta gente, tardará em sair de lá. Todos cagam na nossa dignidade, a começar pelos partidos políticos. Está explicado o raquitismo que enferma a democracia. Coitadinha da “menina”, jamais chegará a adulta, com tais pais protectores e detractores.
Muitos medos têm as instituições de celeumas partidárias, mesmo quando se trata do seu respeito e o que devem aos portugueses.
Porca miséria! Vou mas é para Angola…

A VOZ INCÓMODA




Depois dos ciganos de Barcelos, aí está outra controvérsia, agora em torno de um anúncio da Antena1, em que aparece uma grande fila de carros parados e alguns a tocarem a buzina. Dentro de uma viatura, um condutor ouve Eduarda Maio –autora do livro “Sócrates: o menino de ouro do PS”, a biografia autorizada do primeiro-ministro, lançada em 2008-, uma jornalista daquela estação de rádio pública, dizer que “daqui a pouco, vamos em directo para o Parlamento, vamos acompanhar o debate, desta tarde, na Assembleia da República. São agora 11,23. Uma informação de trânsito…”
A seguir, Eduarda Maio entabula uma conversa em directo com o condutor:
-Ó Rui, não vale a pena ir por aí, está cortada a rua…
-Não acredito! Outro acidente, Eduarda? –pergunta exasperado o chouffeur.
-Não. É uma manifestação, responde a jornalista.
-E desta vez é contra quê? –interroga o condutor.
-Bom, pelos vistos, é contra si, Rui! –conclui Eduarda Maio.
-Sim, sim… contra mim! -desabafa o condutor, parecendo não acreditar.
-Pois! Contra quem quer chegar a horas –remata a jornalista.
Seguidamente aparece o Spot publicitário, com uma voz masculina de outro jornalista: “Quem nos diz tudo sobre a actualidade, diz-nos muito. Antena 1, liga Portugal”.
Segundo o jornal Público online, o PSD, perante este texto publicitário, pediu hoje a demissão da direcção da Antena 1 “devido ao “Spot” publicitário de promoção à informação da rádio, que considera “atentar contra a liberdade de expressão e de manifestação”.
Salienta-se que o Spot publicitário mereceu igualmente críticas da restante oposição.
Continuando a citar o Público, “O “Spot” também vai motivar uma queixa da CGTP ao Conselho de opinião da RTP (…). O PCP admite, ainda, chamar ao Parlamento a administração da RTP se não for retirado o anúncio (…), que descreve como uma “ofensa” a “um direito fundamental” –o direito à manifestação.”
Não deixa de ser irónico que, passados quase 35 anos, os partidos políticos, auto-apelidando-se de progenitores da democracia –e sobretudo o PCP- tratem este sistema político -em que a autoridade emana do conjunto dos cidadãos, baseando-se nos princípios de igualdade e liberdade- ao sabor das suas conveniências. Aparam a democracia consoante o jeito que lhes dá, e como se esta fosse imberbe, nunca crescesse. Os partidos, certamente, pensam que as pessoas serão tolas e não têm cabeça para pensar. A sua hipocrisia é tão grande que nem a chegada da primavera, com os seus odores a flores, consegue disfarçar o cheiro a mofo que empesta o ar.
Ficam duas perguntas a balouçar no éter: Quem atenta contra a liberdade de expressão?
E se, por acaso, a voz, em vez de ser de Eduarda Maio –que escreveu a biografia de Sócrates- fosse de uma qualquer outra jornalista, teria desencadeado a mesma reacção partidária?

ELEIÇÕES A 7 DE JUNHO



Cavaco Silva, presidente da República, no desempenho das suas competências, anunciou ontem a marcação da data de 7 de Junho para as eleições para o Parlamento Europeu.
Claro que eu já sabia há muito. Nestas decisões importantes, há duas pessoas que ele tem sempre de ouvir: uma é a sua Maria e a outra…sou eu.
Há uns dias atrás, ligou-me, eram para aí umas cinco horas da manhã, a perguntar-me o que eu achava do dia para as eleições? Que data aconselhava? Bom, como estava meio estremunhado, não o reconheci pela voz palheta, e barafustei: ó pá!, são horas de me estares a telefonar? Fogo, quando o reconheci então, ia caindo da cama abaixo. Fiz tanta vénia que ainda tenho aqui umas pontadas nas costas. Depois de curvar a espinha até ao exagero, fui então dizendo-lhe, por que não o 10 de Junho? Como era o dia da nação, podia ser que os “portugas” caíssem em si e fossem votar. “Não, esse dia não pode ser, que não estou cá", disse-me então Cavaco. Então ponha lá o dia 7, disse eu. “Dia 7? Disse dia 7?", repetiu. Sim, reiterei. "Pronto! Está escolhido, se você acha, assim será."
Tenho de confessar que, quando acordei, de manhã, fiquei na dúvida, será que sonhei? Já vi que não. Afinal ele ligou-me mesmo. Aliás liga-me sempre nestas grandes indecisões…

OLÁ PRIMA VERA



Já chegou a prima Vera,
como ela está tão lustrosa,
parece que veio de longe,
ela está maravilhosa;
Eu adoro a minha prima,
é diferente das demais,
anda sempre florida
como a baiana Morais;
Traz consigo a alegria
e ninhos de andorinhas,
todo o mundo contagia,
é a alma de uma casinha;
Sou perdido pela Vera,
adoro a minha prima,
ai! ela é tão sincera,
levanta-me, esta garina;
Se eu estiver deprimido,
manda-me então respirar,
diz que tudo faz sentido,
neste mundo de encantar;
“Olha à volta”, diz a prima,
repara naquelas perdizes,
vê lá se outra a subestima,
apontando as varizes”;
“Deixa de olhar o chão,
arrastando os teus pés,
goza a vida meu irmão,
mostra apenas o que és”.

quinta-feira, 19 de março de 2009

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE CHATEIA-ME A FALTA DE ALTERNATIVA)



Milu disse...
Por vezes sinto um apelo para estar do lado de Manuela Ferreira Leite, é uma mulher e penso ser meu dever apoiar todas aquelas que ousam dar mais um passo em frente e investir com garra nas mais diversas áreas, principalmente na política, que sempre foi e continua a ser dominada por homens! Solidariedade feminina, precisa-se! Todavia e mau grado meu estou contra ela, por causa desta minha posição sinto-me como se me traísse a mim própria. Mas que fazer se ainda não logrei vislumbrar na Manuela F. Leite ideias capazes de me convencerem que é uma alternativa para o actual governo? Chego até a recear, que devido a qualquer capricho do destino venha a ganhar as eleições. Quem é que está esquecido da forma como desempenhou a missão de ministra das finanças? Não foi verdade que enveredou pela venda de património para conseguir baixar o défice? E que nem assim conseguiu? É assim desta maneira, a vender os anéis que muitos filhos dão cabo da herança deixada pelos pais, fruto muito trabalho, suor, sangue e lágrimas!

HOJE É DIA DO PAI




Pai nosso que estás presente,
mesmo que estejas ausente,
tentamos sempre lembrar-te
-umas vezes que nos embalou
para dormir, outras nos pegou-,
tanta memória a recordar-te,
fazendo o balanço do que falhou,
num abraço que quis dar-te,
mas, a vacilar, não passou;
Há filhos de pais malvados?
E pais de filhos de mãe?
Porque somos tão diferentes,
Aparentemente mal amados,
sós no mundo, sem ninguém,
parece não sermos gentes,
tantas vezes recusados,
por querermos ser alguém,
será pai, isso o que sentes?;
Lembras-te quando eu nasci?
Eu chorava, a mãe gemia,
entre o encanto e a dor,
tu sorrias só para mim,
como prenda, eu sentia
ser fruto de muito amor,
uma sagrada família, assim,
num jardim de alegria,
onde eu era uma flor;

CHATEIA-ME A FALTA DE ALTERNATIVA




O primeiro-ministro José Sócrates “anunciou na Assembleia da República que as famílias com desempregados vão beneficiar de uma redução de 50 por cento com a prestação da casa, tendo Sócrates explicado que o seu executivo, em conjunto com as instituições financeiras, vai criar uma “moratória nas prestações de crédito à habitação” que se poderá prolongar por dois anos e que pode ser requerida até ao fim deste ano”, in Sol online.
Antes de fazer uma apreciação sobre a medida governamental, vamos ver o que diz a líder do principal partido de oposição, Manuela Ferreira Leite (MFL): “É mais um anúncio do governo que não sabe se será concretizado, e que até poderá ser bastante negativo. Pode criar problemas às famílias muito mais graves do que aqueles com que se debatem hoje. A medida poderá ter um impacto bastante negativo se, por exemplo, as famílias tiverem que obrigatoriamente devolver esse dinheiro daqui a dois anos”, continuando a citar o Sol Online e as declarações de Manuela Ferreira Leite.
Vamos então, com objectividade, tentar analisar a medida do governo e as declarações da ex-ministra de Estado e das finanças de Durão Barroso.
Comecemos pela moratória do governo. O que nos diz a proposta? Diz-nos que se nós temos uma dívida, em forma de prestações mensais, e, por razões conjunturais –devido a desemprego- não a podemos pagar, o credor (o banco), durante dois anos, tendo em atenção a nossa situação financeira, receberá apenas metade (50/%) do que tínhamos convencionado contratualmente. Após os dois anos, certamente já teremos melhorado a nossa situação laboral, então, nessa altura, pagaremos o débito em falta ao credor. É uma boa medida? Para mim é. É uma forma de imensas famílias não perderem as casas em função da sua infelicidade.
O que diz então a “dama de Ferro” dos governos de Cavaco Silva? “A medida poderá ter um impacto bastante negativo se, por exemplo, as famílias tiverem que obrigatoriamente devolver esse dinheiro daqui a dois anos”. Como? Importa-se de repetir? Então o credor facilita o pagamento e, ainda por cima, deveria perdoar a dívida? É caso para perguntar se MFL procede assim em relação aos seus devedores.
Depois queixa-se a líder do PSD de ninguém lhe dar ouvidos. Eu falo por mim, que diariamente procuro alternativas, quer locais, quer nacionais, como podemos dar ouvidos a uma pessoa que nos seus discursos é completamente vazia de conteúdo? Para além de se limitar a um combate político desorganizado, disparando em todas as direcções, parece dar a entender que os eleitores são uma cambada de asnos, que não pensam.
Arre burra! Isto é que é uma sorte!

quarta-feira, 18 de março de 2009

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE O IGUALITARISMO CARREIRISTA)



Milu disse...
Na cidade onde vivo existem algumas famílias de ciganos tradicionais, ou seja, daquele tipo de ciganos que vive em acampamentos feitos às três pancadas arrumados a uma qualquer parede. Pela minha observação tirei algumas ilações que me permitiram formular uma opinião da qual estou inteiramente convicta. Este género de ciganos não está minimamente interessado em integrar-se plenamente na civilização. Aquela é a sua maneira de estar no mundo e são felizes assim! Alterar-lhes aquela forma de vida é a mesma coisa que arrancar-lhes a alma. No fundo, pensando bem, nem é de todo descabido. Pelo menos não sofrem ralações como eu, que por vezes tenho de andar a rapar aqui, outras, a rapar acolá, para fazer frente à vida e satisfazer os meus compromissos! Enquanto dou mais voltas na cama do que aquelas que seria normal dar, a pensar como irá ser o dia de amanhã, os ciganos por seu lado, estão descontraídos de papo para o ar a contar as estrelas que brilham no firmamento! Com os diversos subsídios que sacam à Segurança Social e tendo em conta que o único encargo que têm é a barriga deles e a da mula que puxa a carroça, na volta, ainda levam uma vida melhor que a minha, mais descansada e despreocupada, pelo menos! Essa é que é essa! Por mim podem viver à sua maneira que nunca os apoquentarei, apenas lhe condeno o facto de nos perseguirem na sua eterna pedinchice! Isso não aprovo! Que vivam, sim, à sua maneira, mas que não incomodem!
18 de Março de 2009 22:49

O IGUALITARISMO CARREIRISTA



Pode um anão já adulto, com um metro de altura, ser igual a uma outra pessoa qualquer, que na mesma idade medirá no mínimo um metro e meio?
Provavelmente a maioria, tendo em conta a obsessão pela igualdade que corre o país, responderá que sim. Acontece que não é nem jamais será, pelo menos fisicamente. Já sabemos que perante a lei, em questões de direitos Constitucionais substantivos, à luz da defesa da alienável dignidade da pessoa humana, este homem tem os mesmos direitos de personalidade.
Agora, esticando mais a corda, pode uma criança de cerca de dez anos, que mal sabe ler, habituada a costumes nómadas, a andar de terra em terra, em que o conhecimento e a literacia nada significa para os seus pais, ser “incorporada” numa turma de outras crianças com outro tipo de educação? Os novos intelectuais dizem que sim. Como já viu, falo de ciganos, e mais propriamente do caso da EB1 de Lagoa Negra, em Barcelos, em que uma turma entre os nove e os 18 anos foi concentrada.
Trata-se, como se sabe, de discriminação positiva. Convém explicar o que é isto de “discriminação positiva”? Se responder à La Palisse diria que é o contrário da negativa, mas muita gente ficaria na mesma. Vou dar dois pequenos exemplos de discriminação positiva para melhor compreensão: o apoio judiciário e uma série de medidas de apoio a deficientes, tais como estacionamento próprio e, inclusive, em sede de IRS.
Trata-se, portanto, de medidas positivas –isto é, tratamento de modo diferenciado para cima- perante uma insuficiência material-social –caso do apoio judiciário-, ou de, em caso de deficiência, haver uma “garantística”, que, através da lei, permita colmatar essas diferenças e elevem o “discriminado” à mesma categoria de “igual”. Uma vez que sem esse subsídio integrador nunca alcançaria essa igualdade pretendida na lei e na Constituição.
Claro que o leitor, que sabe mais disto do que eu –porque sinceramente percebo pouco, tenho apenas umas luzes-, pode acabar logo comigo se disser: mas o ideal não seria acabar com todo o género de discriminação, positiva e negativa? Seria sim. Mas não existem sociedades ideais. Todas pecam, umas por defeito –por exemplo a América Latina e África- e outras por exagero –caso da Europa, que abusa da discriminação positiva.
Voltando ao caso de Barcelos –que quase perdi o fim à meada-, o problema é o aproveitamento destes casos emblemáticos. Começa logo pelo governo, ao anunciar hoje, através do Ministério da Educação, que vai intervir com urgência na escola EB1 da Lagoa Negra. A seguir vem as associações a favor das minorias –caso da SOS Racismo-, que adoram uma notícia sobre discriminação, mesmo que seja positiva, como no caso. Para estas associações são sempre negativas e atentatórias da sua dignidade. Depois vêm os intelectuais, que adoram uma “sandes” de racismo segregacionista e levando atrás os patriarcas das etnias em causa.
Já teriam pensado estes homens de letras que “formatar”, à força, estas pessoas num caldo de cultura pré-concebido é, isto sim, uma violência contra a história e raízes identitárias de um povo? E além de mais: está mais que provado que os resultados têm sido catastróficos ou quase. Se nos lembrarmos de França. Dos bairros problemáticos de Lisboa e, aqui em Coimbra, a integração forçada de pessoas ciganas no Bairro do Ingote.
Há casos de sucesso, há sim senhor, mas serão muito poucos. Pelo que sei, uma maioria de ciganos saídos de acampamentos não se consegue ambientar em habitações ditas normalizadas.
Não resisto a contar esta história. Há cerca de dois anos, a Câmara de Coimbra, senhoria da maior parte do Bairro do Ingote, mandou pintar por dentro e por fora a maioria das habitações sociais. Para além disso, restaurou os locados por dentro. Pois houve casos em que para substituir as louças sanitárias só foi possível com o recurso à PSP, que se manteve no local. Mesmo assim, e perante os técnicos e a polícia, alguns inquilinos ciganos verberavam: “para que é isto? Quando vocês virarem costas eu escavaco isto tudo”. Este testemunho foi-me dito na altura por um técnico que andou lá.

segunda-feira, 16 de março de 2009

BORA LÁ, SÁBADO, TODOS PARA O TAGV




Se você é uma das centenas de pessoas que ontem andava no Choupal a usufruir aquele paradisíaco património natural da cidade, mais responsabilidade tem e, por isso mesmo, não pode deixar de estar presente no próximo sábado no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV).
Olhe que a coisa promete. Por 6 euros (ou 4, se for estudante ou fizer de conta) você pode participar neste concerto/acção de protesto “Primavera no Choupal”, no próximo sábado, dia 21 de Março, às 21,30, e “curtir” “os Quarto Minguante”, o J. P. Simões (Belle Chase Hotel), os “Ena Pá 2000”, o “Diabo a Sete” e, além disso, pode ver um vídeo sobre a nossa querida Mata Nacional, organizado pela Plataforma do Choupal.
Mas se, por acaso, você não estiver a atinar com o espectáculo, olhe…para a Joana Dias. Essa. Essa mesmo! É aquela boazona da SIC Radical. Só por ela, vale a pena ir.
Pelo Sansão Coelho, que também vai apresentar o espectáculo, esse é bom rapaz, mas muito feio. Coitado do homem nem tem culpa. Ai!, mas a Joana…
Vá lá! Se você é como eu, e aquele fulano importante na cidade dos estudantes, que ontem encontrei no choupal –e quando o tratei pelo nome ficou mais inchado que um porco-espinho- e convidei para ir sábado ao TAGV, que “botamos faladura” acerca da cidade tão facilmente como se diz mal dos políticos. A cidade é assim, assado, que A é melhor que B e que o sicrano nunca gostou de beltrano. Que o que a cidade precisa, a gente sabe tudo –palavra de honra que eu sou mesmo assim. O problema é quando nos convidam para participar num evento. Isso não. “Não tenho tempo, estou ocupado. Como sabe, as minhas responsabilidades nacionais obrigam-me a não poder participar no protesto. Mas, olhe que eu estou solidário”. Foi assim que ontem o tal cromo me respondeu. Embora eu já conhecesse a manha…basta olhar para mim.
Felizmente que você não é como eu. E sábado vai mesmo estar no TAGV.