quinta-feira, 9 de abril de 2009

OS CHINESES TAMBÉM SE ABATEM

(EMBORA SE TRANSFERISSE, A VERDADE É QUE ESTA LOJA ENCERROU)


É sabido que quando o alimento escasseia as pessoas tornam-se mais cínicas, invejosas e intolerantes. E lembro-me desta constatação filosófica porque há dias uns comerciantes meus amigos criticavam fortemente a abertura de uma nova loja de chineses na Baixa da cidade –no caso, trata-se dos antigos Marthas, de um espaço centenário, com colunas neoclássicas, onde, por altura do século XVIII/XIX, funcionou um antigo hospital de Coimbra.
Então, os vendedores portugueses, verberavam fortemente nos comerciantes vindo do outro lado do mundo. “Que a Câmara Municipal não deveria admitir a instalação destes comerciantes nos centros históricos. Que faz falta aqui um Alberto João Jardim. Que os chineses são como o eucalipto. Secam tudo à sua volta. Que ali se deveria criar um café”, descarregavam os comerciantes.
Debalde lhes tentei dizer que a autarquia não pode fazer absolutamente nada. Nenhuma câmara municipal, à luz das directivas europeias concernentes à livre concorrência, pode obstaculizar a instalação de um estrangeiro no país, desde que este esteja legalizado em conformidade. A lei é geral e abstrata. Ainda lhes pedi que imaginassem estar num qualquer outro país e pretenderem estabelecer-se por conta-própria. Gostariam de ser marginalizados e impedidos de exercerem uma actividade que lhes permitisse sobreviver? “Ah! Isso é diferente”, responderam quase em coro.
Voltando a Alberto João Jardim, líder do PSD/Madeira, quanto a mim, não serve de bom exemplo para ninguém. É um populista, que em 2005 se limitou a mandar para o ar umas bacoradas contra os chineses e indianos impróprias de um representante em exercício de funções de Estado. Foram apenas uns dislates, porque, na prática, não evitou –nem à luz da Constituição podia evitar- a instalação de chineses ou indianos na região autónoma da Madeira.
No caso dos presidentes das autarquias, estes, têm um instrumento legal –Declaração de Interesse Municipal- que pode evitar o desaparecimento de estabelecimentos emblemáticos antigos. Como no caso dos antigos cafés Arcádia e Brasileira. A Câmara Municipal se tivesse usado esta prerrogativa teria evitado o seu encerramento. Ao classificar um estabelecimento de interesse municipal, não evita a venda do edifício, trespasse ou cedência de quotas, mas em contrapartida, ao usar este instrumento legal, garante que aquele espaço só pode desenvolver o ramo de negócio, comercial ou industrial, na actividade a que sempre esteve adstrito.
Ora, voltando ao chinês dos Marthas, naturalmente que sendo durante 90 anos papelaria, não existia fundamentação nem legitimidade social –tendo em conta o ramo de negócio- para legalmente classificar aquele estabelecimento. Deve-se ter em conta os interesses em conflito, particular e social. No caso particular, quem acautelava os interesses dos Marthas, legal proprietário do espaço comercial? Segundo se consta, os novos inquilinos chineses estão a pagar cerca de 3000 euros mensais. Que actividade comercial, neste momento, em equivalência, podia ressarcir aquela sociedade anónima naquele montante?
Mas, no limite, imaginemos que a autarquia até exercia aquele direito e classificava o espaço. Iria evitar que fosse ocupado por um chinês? Não. De modo nenhum. Bastava que o natural da China tivesse uma pequena secção de papelaria e automaticamente estava dentro da lei para desenvolver a sua actividade comercial no âmbito do seu interesse particular.

terça-feira, 7 de abril de 2009

COINCIDÊNCIAS (IN)FELIZES E MAU DESEMPENHO




Acabei de ser alertado para um facto que é deveras curioso. O concelho de Ourém é um “ninho” de santos. Lá nasceram a Santa Teresa de Ourém, Nossa Senhora da Ortiga, Nossa Senhora de Fátima, os beatificados Pastorinhos e agora o futuro santo Condestável.
O que terá este concelho a mais em relação, por exemplo, a Coimbra? Isto não está certo. Eu também quero um santo para Coimbra. Eu sei o que você está a pensar: já temos a Rainha Santa. Pois temos mas não chega. Os poderes da Rainha, que até é a padroeira da cidade, não tem evitado o cair constante de influência desta no todo nacional. Isto quer dizer o quê? Que a Santa Isabel não está a trabalhar como deve. Se tivesse concorrência, isto é, mais um santo na cidade, as coisas mudavam. Ah pois mudavam! E, perante este fraco desempenho da Santa, o que faz a Igreja Católica, nomeadamente a Diocese de Coimbra? Nada, absolutamente nada. Não deveria o bispo ter pedido já uma avaliação extraordinária ao desempenho da Padroeira?
Eu sei que sou suspeito a falar –até digo mais: não mereço crédito nenhum-, mas uma coisa tenho de dizer, e que me faz comichão atrás da orelha: a Rainha Santa Isabel foi canonizada no reinado dos Filipes de Espanha em Portugal (1580-1640). Ora isto quer dizer o quê? Se de Espanha não vem bom vento nem bom casamento…porque nos dariam uma boa protectora? Eles sabiam que esta venerada Santa não ia fazer de Coimbra a terceira cidade do Reino. Tenho de confessar que só há pouco descobri. Andei eu, enganado, a culpar o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, de nada fazer pela Baixa e afinal ele é inocente. Ah pois é! Ele não tem é quem o ajude nos milagres. Tivesse ele um bom santo na cidade e a coisa mudava de figura. Roubam-nos tudo. Para além das direcções regionais até o Santo António, que andou por aqui tantos anos, passou a ser “Santo António de Lisboa”. Uns ladrões, é o que são. O país está a saque, mas já há muito tempo. Gamamo-nos uns aos outros.
E, volto a dizer, outro culpado também é a Diocese, que, como administrador, não tem sabido aproveitar, reivindicando, o que qualquer um vê a olho descoberto.
E até nem é por falta de milagres. Por aqui há-os aos centos. Eu conheço vários. Por exemplo, do outro lado do rio, a senhora Emília, com quatro filhos menores, com o marido desempregado, a receber menos do que o ordenado mínimo (426,50 euros), farta-se de trabalhar. Sai do emprego às 17 horas e ainda vai fazer limpezas em várias casas. Esta senhora não deveria ser candidata à beatificação? Claro. Mas há mais. Muito mais.
Como estou chateado com esta situação, injusta e discriminatória para a cidade dos estudantes (e dos futricas), não aceitei o convite do Papa Bento XVI para assistir no próximo dia 26 de Abril à canonização de Nun’Alvares Pereira. Fiz bem, não fiz? Pois claro que fiz. É com estas formas de manifestação que as coisas mudam. Bem pode mandar o Papa emissários à cidade para me convencer a ir. Não vou, já disse!...

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE O PAÍS...)



Milu disse...
Uma questão aqui se impõe! Porquê aquela senhora? Porque terá sido iluminada com tão grande graça? Logo ela! Que terá feito de tão gracioso que milhares de seres humanos nunca disso foram capazes? A ela até a compreendo, porque o seu mundo deve de ser imensamente restrito! De tão pequenino nem consegue alcançar ou construir na sua empobrecida mente, a verdadeiramente dimensão do sofrimento humano, que para além dela existe e sempre existiu neste mundo! Contudo os altos dignatários da igreja sabem que tudo não passa de uma falácia! Arquitectada para quem, afinal? Para os fiéis? Onde é que eles estão que os não vejo? O que vejo é imensa gente com medo de morrer, isso sim! Acreditar em Deus é o último reduto para aliviar o medo! Mas tudo bem, não sou contra , desde que saibam separar as águas! É que Deus e a igreja não são a mesma coisa, nem nunca foram, isso nos demonstra a história! A igreja não é Deus, não pode por isso decidir por ele!
6 de Abril de 2009 21:55

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O PAÍS DA FÉ NO SANTO QUE NOS SALVE



No próximo dia 26 de Abril, Nun’Álvares Pereira (1360-1431), graças a um salpico de óleo a ferver que atingiu o olho esquerdo de uma cozinheira de Ourém, será o sétimo português a ser canonizado quase 600 anos depois da sua morte. Segundo fez constar a Igreja Católica, Guilhermina de Jesus, cozinheira aposentada, em Setembro de 2000, estava descansada a colocar uns bocados de peixe na sertã, quando de repente lhe salta para uma das vistas um borrifo de óleo a ferver e lhe provoca uma queimadura grave. “Os médicos foram de opinião que a mazela requeria dois anos de tratamento e que a cura seria apenas parcial. Guilhermina, que apareceu repentinamente curada três meses após o acidente, afirmou que tinha uma imagem do beato Nuno na mesa-de-cabeceira e que lhe pedira que intercedesse a seu favor” –in jornal Público de 5 de Abril.
E pronto!, com uma declaração destas está feito um santo.
Segundo reza a história, quando morreu em 1431 já tinha fama de santo. Foi beatificado quase cinco séculos depois, em 1918 pelo Papa Bento XV –curioso ser o homólogo deste Papa, Bento XVI, a conferir-lhe a canonização.
Conforme anunciado, Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa, vai estar presente em Roma no próximo dia 26. Ao que se diz, Portugal é um Estado laico. A ser assim como entender que uma nação que é independente de qualquer confissão religiosa, que professa o laicismo, vai, em representação do Estado português assistir a este evento religioso? Posso estar a ser injusto, mas há aqui qualquer coisa que não liga. Que vão a Roma as mais altas individualidades da hierarquia católica portuguesa até será legítimo e compreensível. Mas ir o chefe de Estado português?
Sinceramente, sem ofender a sensibilidade de quem faz o favor de me ler, acredito que esta canonização não é mais do que uma fraude, um embuste para os católicos. Talvez por isso, Cavaco Silva, devesse manter alguma distância. Evidentemente que este acto não é isolado, vem no seguimento de outros, como por exemplo a beatificação dos pastorinhos.
Admito que as minhas afirmações sejam conflituosas, mas creio que as beatificações e as subsequentes canonizações, pela vulgaridade, começam a tornar-se tão “lana caprina” que qualquer dia as pessoas boas vão deixar escrito em testamento que não querem ser santos “desta casa” que é Portugal.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O ÚLTIMO "BAZAR DE PORTUGAL"...EM COIMBRA






A Rua da Gala, em Coimbra, para além da sua antiguidade, é uma daquelas ruelas estreitas onde o tempo, na sua lenta modorra, parece ter parado, a fazer lembrar o século XIX. Ladeada de prédios altos, que impedem o sol de se espreguiçar e estender a sua luz resplandecente, esta artéria poderia perfeitamente ser o modelo que visionamos das cidades antigas, com varandas de pedra, resguardo de ferro forjado, assente sobre cachorros com florões, e janelas de avental e guilhotina. Como curiosidade histórica, a Rua da Gala manteve sempre o mesmo nome desde 1678, data em que aparece documentada e relativamente a casas pertença da Universidade e da Câmara.
Como postal ilustrado de um comércio tradicional em vias de extinção, na sua diversidade, não falta a taberna, a “tasca”, a casa de frutas, o pequeno restaurante, a loja de discos, cd’s e vinis, uma pequena padaria, com café, uma loja de artigos chineses, uma loja de pássaros, e uma de brinquedos, que vou falar particularmente: o “Bazar de Portugal”.
Há uma vintena de anos a cidade tinha uma rua inteira de bazares. Na Rua Adelino Veiga, nos seus “néons”, podia ler-se, entre outros nomes, “Bazar de Lisboa”, “Bazar do Porto”, “Bazar de Coimbra”. Pois, ao longo deste tempo, como nevoeiro fustigado pelo sol, todos desapareceram. O último resistente em Coimbra, com o nome baptismal, é o “Bazar de Portugal”.
Fundado por Fernando Dourado, há cerca de 50 anos, este bazar, actualmente a navegar com dificuldade em águas revoltas, tumultuosas, e com ventos ciclónicos tocados pela força do capitalismo proletário do outro lado do mundo, a China, vai-se aguentando à borrasca pelo gosto e amor do antigo empregado e agora proprietário Mário Nicolau. “Vamos resistindo a muito custo. Antigamente tínhamos a revenda. Aos poucos foi acabando, tal como as barracas do “choupalinho”. Hoje subsistimos apenas da venda ao balcão. Tivemos de alargar o nosso leque de oferta para outras áreas. Praticamente todas as fábricas de brinquedos em Portugal encerraram. O “genocídio” do fabricante nacional e dos bazares começou com o aparecimento das lojas de 300. A seguir vieram as lojas de artigos chineses e as grandes superfícies. Como força virulenta, estas liquidaram aquelas e os poucos bazares que restavam. Só continuo aqui porque a renda não é elevada e adoro tudo isto. Os brinquedos são o meu mundo. Continuo a vender os carrinhos plásticos com o mesmo carinho de há 25 anos. Mas também com 66 anos vou fazer o quê?”- interroga-me Mário Nicolau.
Este antigo atleta do Sporting Nacional, situado no Largo da Freiria, recorda os tempos em que, enquanto futebolista, militava nos campeonatos distritais daquela colectividade –este clube, também em coma profundo, tal como o comércio de rua, não se sabe se ainda respira, apesar dos esforços de pessoas como o Mário para o trazer de novo à vida.
A atender os poucos clientes “lá vem um”, igual a qualquer outra loja do comércio tradicional, está a Mara Isabel, herdeira do Nicolau. Com 20 anos e a completar o 12º ano, pergunto-lhe se ela pretende ser a continuadora do negócio. "Gosto muito de atender as pessoas –embora algumas sejam difíceis-, o problema é o pouco movimento que assistimos diariamente no centro histórico. Não vejo futuro no comércio. Tenho pena, mas vou continuar a estudar e optar por outras saídas profissionais. Mas quem sabe?!”, conclui a Mara no meio de um sorriso alargado e cheio de alma.

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE A IRRESPONSABILIDADE...)



Milu disse...
Tenho alguma pena de não saber e, por isso, não poder com legitimidade alvitrar uma opinião sobre esses professores catedráticos. Deve ser algo complicado, porque lidam com alunos que já não são crianças, porventura, alguns bem mais inteligentes do que eles, professores. Em casos de injustiça, ou de nítida soberba destes últimos deve ser muito difícil para os alunos, especialmente para aqueles que, eventualmente, possam ser detentores de um espírito crítico apurado, terem uma vez ou outra de engolir sapos daqueles bem gordos e viscosos! Pela parte que me toca direi que, apenas, consigo recordar-me das minhas professoras até ao Ciclo Preparatório pelas piores razões! Foram tão desgraçadas comigo que me sinto incapaz, de todo, de evocar as suas memórias, por o que quer que seja que pudesse ter sido positivo! Já registei, até, algumas histórias do meu tempo de escola e do relacionamento que tive com as professoras! Decididamente não lhes perdoo! A nossa infância é por demais importante para a nossa formação, como indivíduos capazes e autónomos, para ser ferida assim de qualquer maneira. Fizeram-me mal, sim! Afirmo-o sem peias! Apenas uma professora, apenas uma, foi capaz de deixar uma marca positiva! Julgo que nunca me bateu, porque disso não guardo memória, muito pelo contrário, sinto que foi muito simpática comigo! Posto isto, este é um assunto que me é muito caro! Não fico de ânimo leve do lado da causa dos professores! Está marcado a ferros e a fogo e a sangue, se assim posso dizer, toda a humilhação de que um dia fui vítima. Já na minha idade adulta retomei os estudos e aí sim, tive professores que eram gente! Fiz o 12 ºano e daí não passei e por aqui vou ficar, que isto não está para devaneios!
2 de Abril de 2009 15:04

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O QUE FAZ UMA PESSOA SER IMPORTANTE/MENTIRA DE ABRIL



Como certamente os meus leitores se aperceberam, o texto em epígrafe é um a mentirita de Abril…com muito pouco nível. Aliás, nota-se bem. Há dias assim. Não estava inspirado, e depois só sai borrada. Ainda por cima, ao que parece, a notícia do Diário de Coimbra, afinal, é mesmo verdadeira. Antes fosse uma “peta” de Abril, mas isso é outro assunto.
Aos visados, que refiro no texto, as minhas desculpas. Espero sinceramente que ninguém leve a mal. Foi apenas uma brincadeira. Pelo menos foi esse o objecto do texto.
Um grande abraço para todos.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

O QUE FAZ UMA PESSOA SER IMPORTANTE...




Hoje, primeiro de Abril, passei praticamente o dia todo agarrado ao telefone. Tive que ligar para a terra do “tio Sam”, por causa da Madonna e do Jornal as Beiras. Mal tinha acabado de falar com o meu amigo Obama (que afinal estava em Londres) –este gajo é um oportunista, aproveitando a boleia do meu telefonema, começou logo a fazer perguntas sobre o que é que eu achava de enviar ou não enviar mais tropas para o Iraque. E para o Afeganistão? Fogo! Gosto deste rapaz, mas manda-me para a falência. Gastei todo o meu saldo do telemóvel. Às tantas, passei-me e disse-lhe: ó pá não tens vergonha de te estares a aproveitar de um pequeno comerciante de um pais pequenino como Portugal? “Como? Portugal? Então tu não falas de Espanha? Ah, já sei! Portugal é uma província de Espanha, é isso não é?” Palavra de honra, fiquei irritadíssimo, se não fosse tão amigo dele mandava-o apanhar…morangos em Espanha.
Ainda estava a contar até dez, para me acalmar, ligou-me o presidente da Junta de Freguesia dos Olivais, o meu amigo Francisco Andrade –ai não sabem quem é? Ignorantes duma figa. Então não sabem que foi um dos maiores jogadores da Académica? Diz-me então, através do telefone, o Andrade: “ó pá, esta notícia do Diário de Coimbra de hoje, citando-me e com a minha foto e tudo, a dizer que “se adivinha confusão nos cadernos eleitorais” é catastrófico para mim. Como sabes, vestindo eu a camisola do PSD, até vão pensar que sou eu o culpado desta coisa. Bolas, pá! Eu não tenho culpa nenhuma disto, pá! Isto é uma mentira pegada”.
Eu, que conheço bem o Andrade, com a minha calma, fui-lhe dizendo: ó pá não te preocupes, eu vou ligar ao “Zé” (Sócrates) e isto resolve-se rapidamente. “Fazes isso por mim, Luís?, interroga-me o Francisco, como se estivesse a falar com Deus. Claro, pá! E assim foi, lá perdi mais umas horas a falar com o “Zé”. Tal como o meu amigo negro da Casa Branca, tratou logo de se aproveitar do meu telefonema, e toca de me perguntar isto e aquilo. Se deveria demitir o procurador-geral da República. Se eu aceitava ser o substituto do Provedor da Justiça, Nascimento Rodrigues, etc. Fogo! Primeiro que me livrasse dele…

segunda-feira, 30 de março de 2009

UC: A (IR)RESPONSABILIDADE DE UMA INSTITUIÇÃO

(ESTA FOTO É APENAS UMA SINGELA HOMENAGEM A UM GRANDE ARTISTA QUE SE PERDEU)



Recebi um comentário de uma senhora dos Açores, mãe de um malogrado estudante da Universidade de Coimbra, que em Maio de 2008, por alturas da Queima das Fitas, se suicidou. Nessa altura escrevi aqui no blogue -Questões Nacionais- um texto sobre este nefasto acontecimento.
Para não provocar mais dor a esta mãe de sangue, que, na primavera da vida, sem explicação plausível, vê partir a “carne da sua carne”, não vou referir o nome. Acrescento apenas, sem favor, que, para além de ter sido um fotógrafo de extrema sensibilidade, se não fosse este incidente triste, muito teria dado às artes de retratar a realidade que nos cerca.
Já em Maio do ano passado, nesse meu “post”, chamava a atenção para o facto de na Queima das Fitas –que, como sabemos, a edição deste ano, se aproxima a passo rápido- acontecerem todos os anos vários suicídios de estudantes da Universidade de Coimbra. Embora a Universidade tenha um serviço de SOS-Estudante –com o número de telefone 808200204- desde 1997, sabe-se que a este apoio poucos estudantes recorrem.
E perante as mortes (anunciadas) que ocorrem todos os anos o que faz a Universidade de Coimbra? Nada. Ora é aqui que está o fulcro da questão. A universidade, enquanto instituição pública de formação intelectual deveria preocupar-se mais com os alunos e não o faz.
Não se pense que eu falo por falar. Que tenho apenas informação e nenhum conhecimento. Nada disso. Andei lá até há três anos e sei o que por lá se passa. A relação entre professores e alunos é tão fria que nem o novo programa do governo para aderência aos painéis solares vai resolver seja o que for. É evidente que, como em tudo, há excepções, mas são poucas. Um aluno para um catedrático, regente da cadeira, é uma besta. Admite-se que em pleno século XXI, numa faculdade onde se ministra, para além do conhecimento, a tolerância, o trato e a intervenção pública, os alunos sejam tratados como coisas? Evidentemente que falo da Faculdade de Direito, que, a meu ver, mais responsabilidade social deveria ter na formação de advogados e futuros magistrados.
Poderia contar alguns casos que se passaram comigo, mas para que não se pense que falo porque estou ressabiado –e estou mesmo, assumo-o- contarei apenas um caso de um aluno meu conhecido que ilustra bem o que pretendo demonstrar. Há dois anos, em Julho, este meu amigo foi fazer uma oral. Como era verão, apresentou-se de bermudas e chinelos. Quando foi chamado para o exame, o regente da cadeira, demais conhecido e com um ego que não cabe no país e muito menos em Coimbra, ostensivamente mirou-o de alto a baixo. “Só pela forma provocadora e fulminante como ele me olhou senti-me logo intimidado. Vi logo que estava chumbado”, disse-me na altura o meu jovem amigo.
O tal regente da cadeira, do alto da sua importância majestática, fez a primeira pergunta. O aluno começou a “gaguejar”. O doutor nem o deixou acabar. Com ar de gozo, atira-lhe: “Olhe lá, o senhor é do Alentejo, não é verdade?” Perante a anuência do meu amigo, continua: “então faça-nos um favor, vá para lá guardar cabras, que é lá o seu lugar”. E acabou ali o exame oral do meu jovem amigo.
Servirá para alguma coisa dizer que este doutorado cometeu uma ilegalidade? De nada vale, evidentemente.
Sei de várias alunas que sofreram “esgotamentos”, e muitas outras que mudaram de curso e de universidade. É quase cruel a forma como são submetidos os alunos a este tipo de ensino quase medieval. Ninguém questiona um aluno porque não consegue entender o que se pretende. E porquê? Porque, pessoalmente, tenho quase a certeza de que mesmo os professores não sabem o que querem. E, assim sendo, é evidente, como podem explicar algo que não sabem? Costumo dar este exemplo metafórico um bocado estúpido: mandam os alunos apanhar pedras, mas não dão mais especificações. Então, acontecem coisas do arco-da-velha, como não conhecem os parâmetros desejados, aparecem alunos com pedras às costas com mais de cem quilos e outros com pedrinhas de um grama. É assim mesmo. Ninguém sabe, concretamente, o que se pretende. Aparentemente, corre nos corredores que, tal como na Ordem dos Advogados, a intenção é tornar o ensino e as formalidades tão “catatónicas” para que mais de metade desista, ou então continue lá inscrito e não consiga fazer nenhuma cadeira –esta é uma das razões para o chumbo do Tribunal de Contas ao défice da Universidade pelas propinas não pagas na ordem dos 2,6 milhões de euros.
É incrível. Como é que passados mais de um século, da “Geração de 1870” e depois do “In Illo Tempore” de Trindade Coelho, a Universidade de Coimbra, e sobretudo o seu ensino anacrónico, em vez de realçar o que melhor há nos alunos, continue virada para fomentar as depressões individuais.
Se tanto se fala na avaliação dos professores (do Secundário) porque não são avaliados os do Ensino Superior? O caricato disto é que estes professores-doutores, péssimos “ensinadores”, até se dão ao luxo de “botarem faladura” em jornais diários contra os colegas do secundário. É simplesmente ridículo.
No meio disto tudo, quem mais sofre, como é o caso desta senhora dos Açores, são as muitas mães que perdem os seus filhos no dealbar da vida e, ainda mais, por um ensino vergonhoso, que é uma causa perdida.
Para esta mãe, e para tantas outras, o meu lamento profundo.
O que peço a estas pessoas, que provocam a morte por suicídio a tantos jovens, que no seu autismo nem se apercebem, é que arrepiem caminho e que tomem consciência que o poder ou estatuto é uma ilusão. Quando envelhecerem, ou se jubilarem, um ano depois, já ninguém os conhece, a não ser pelas tropelias que fizeram aos alunos, e, tal como qualquer um, vão acabar entre quatro tábuas. A única diferença, na hora do funeral, será o som da cabra (sinos da Universidade) a ecoar por toda a cidade.

sábado, 28 de março de 2009

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE AMANHÃ...)



Milu disse...
EH pá! Não há dúvida que a figura da mulher se presta para tudo! Até para dar horas! Às primeiras impressões ainda pensei que se tratava de uma original demonstração de como se podia utilizar um termómetro! Mas está bem, não fere os olhos, não há ali qualquer famigerado vestígio de celulite! Fez aqui uma referência a um pormenor encantador - O cantar do galo! Sempre que de madrugada ouço um galo cantar, existe pelo menos um, algures perto da minha casa, sou logo invadida por um sentimento de nostalgia, que me atira para um tempo há muito ido! Na aldeia, terra natal dos meus pais, que costumávamos visitar por altura das festas tradicionais e onde se vivia, principalmente, daquilo que a terra dava. Os cantares dos galos sucediam-se uns aos outros, numa reconfortante sinfonia, que nos aproximava de tudo o que há de mais simples na vida! Os animais eram uma parte integrante da família. Quase todas as famílias tinham um burro! Até a minha avó, coitadinha! Um dia apeteceu-me dar uma voltinha, mal o meu pai me sentou em cima do jerico, este deu um jeito aos lombos torcendo-se todo e despejou-me outra vez nos braços do meu pai! Apanhei um susto e nunca mais quis saber do burro! Arroz de cabidela, manjar dos Deuses, um prato forte, tem que ser domado com um tinto, bem encorpado!
28 de Março de 2009 16:22

AMANHÃ MUDA A HORA




Mais logo, quando for 1 hora da manhã, não esqueça, rode os ponteiros para a frente para as 2 horas.
O que é que havemos de fazer? Se tudo aumenta, naturalmente que a hora não foge à regra. No limite, você até pode dizer que não é aumento nenhum. O que se trata, isso sim, é de uma deslocalização. Os conceitos não sei. O que posso dizer é que mais uma vez o governo até neste aumento da hora, ou deslocalização, meteu a colherada. Mais uma vez ficamos a perder. Amanhã vamos receber um dia apenas com 23 horas. Está certo isto? Claro que não! A quem nos vamos queixar? Quem nos paga uma hora a menos de sono? Depois, eu tenho outro grande problema, como é que vou explicar ao Hermegildo, o galo que me desperta todos os dias à mesma hora a cantar, que o horário em que ele mostra os seus dotes artísticos mudou? É claro que ele não vai acreditar. Às tantas ainda vai dizer, a cacarejar, que estes humanos são uns doidos. E, provavelmente, já vi: isto vai dar arroz de cabidela, só pode!
Um dia com 23 horas? Onde é que isto já se viu? Isto é especulação pura. A ASAE deveria intervir. Não acha?

EDUCAÇÃO BÁSICA PARA TODOS



“SÓCRATES E FERNANDA CÂNCIO VAIADOS NO CCB”

Segundo o Expresso, “O primeiro-ministro, José Sócrates, e a jornalista Fernanda Câncio receberam uma vaia geral quando entraram esta noite atrasados no grande auditório do Centro Cultural de Belém (CCB). É que os espectadores ali presentes não gostaram de ter de esperar a chegada de Sócrates para se dar início à ópera Crioulo, que, por causa do sucedido, atrasou meia-hora”.
Continuando a citar o semanário, “O Expresso soube, no entanto, que o primeiro-ministro esteve à espera do seu homólogo cabo-verdiano, José Maria das Neves, o que terá justificado o atraso”.

Um mau exemplo. São estes pequenos nadas que marcam toda a diferença. Quando é que quem gere estes espaços de cultura, e outros, se capacita que o primeiro-ministro, ou o presidente da República são pessoas iguais a qualquer um de nós? Com os mesmos direitos, mas com mais obrigações. Institucionalmente são diferentes na responsabilidade que carregam nos ombros, por isso, deles, se espera um melhor exemplo (do que este) para os nossos filhos e netos.

sexta-feira, 27 de março de 2009

VOZES, RUÍDOS E TROVÕES INSTITUCIONAIS




“Caso Freeport: Marinho Pinto acusa Polícia Judiciária de manipulação”, in Jornal de Notícias online (JN) de hoje.
A determinado passo, e continuando a citar o JN, é dito: “A carta anónima que incriminou Sócrates foi combinada com a PJ. (…) Nesse despacho, a procuradora (Inês Bonino, do Ministério Público) diz claramente que a carta nunca foi anónima. A PJ reunia frequentemente com o sujeito que a escreveu. Eram reuniões em que participavam também jornalistas da revista “Tempo” e políticos –um deles era da Assembleia Municipal e estava em vias de perder as eleições, o outro era o deputado do PSD Miguel Almeida, ex-chefe de gabinete de Santana Lopes– e todos criticavam o PS. Então, a coordenadora da PJ de Setúbal, Maria Alice Fernandes, sugeriu que alguém lhe enviasse as críticas sob a forma de carta anónima. A procuradora, diz ainda (Marinho Pinto), de forma clara, que havia interesse em denegrir a imagem do agora primeiro-ministro”, diz ao JN o bastonário dos Advogados.
Já todos nos habituámos aos disparos de canhão de pólvora seca –isto é, sem consequências- de Marinho Pinto. Porém, o que hoje é transcrito pelo JN é, quanto a mim, de uma tal gravidade desmesurada que, no momento em que os portugueses têm a justiça, esta acusação não pode, como as outras ficar perdida no éter.
Das duas uma: ou o Procurador da República manda investigar com carácter de urgência e, caso se prove a atoarda, o bastonário deve sentar o rabinho no mocho por difamação agravada, ou então, se seguir a mesma linha de anteriores afirmações, em que tais “bojardas” são classificadas de âmbito estritamente político, mais uma vez a justiça portuguesa cai no charco da chafurdice.
Porque, admitamos que tais afirmações são verídicas, é muito grave. Uma procuradora do MP, um qualquer outro magistrado, um qualquer agente de polícia que sugere o recurso à carta anónima deveria ser sancionado gravosamente. A carta anónima é própria de cobardes sem qualquer respeito por si mesmo e muito menos por outrem. Um Estado que admite este recurso para iniciar investigações não é “pessoa de bem”. É um instigador da corrupção ética e comportamental.
Ainda em 26 de Janeiro deste ano, João Batista Romão, Director Nacional Adjunto da Polícia Judiciária do Porto, em entrevista também ao JN, afirmava preto no branco: “Passou-se ao exagero. Há muita denúncia que não tem fundamento. Que chega-se à conclusão que é tudo falso. Isso atrapalha processos importantes porque não há tempo. Não se consegue dar resposta. Em 100 denúncias, por regra, 80 não correspondem à verdade”.
Perante estas afirmações de um magistrado e Director da PJ o que espera o governo para acabar com as denúncias sem rosto? É difícil? Penso que não. Seria apenas alargar o “estatuto do arrependido” e aplicá-lo a um qualquer denunciante que o solicitasse. A sua identidade seria mantida em segredo, embora as autoridades soubessem a sua identidade. Aliás, a investigação só teria a ganhar porque a determinado passo do inquérito é necessário consultar o denunciante e tal “demarche” torna-se impossível pelo desconhecimento do autor.
Claro que se se falar neste propósito a qualquer magistrado do MP, logo, vai dizer que tem de ser assim, em virtude do Código Penal contemplar indemnização por denúncia caluniosa. Mas, e o que acontece agora? O denunciado inocente pode demandar o caluniador? Claro que não. Ou seja é um falso argumento.
Portanto, investigue-se depressa as afirmações do Bastonário dos Advogados e, a bem da Nação, a bem de todos nós, de alguma dignidade que ainda nos resta, acabe-se com este cobarde acto institucionalizado, próprio dos Estados ditatoriais ou terceiro-mundistas.

quinta-feira, 26 de março de 2009

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE MAMA MIA...)



Milu disse...
É visível que fome esta senhora não passa, nem tem cara de ter doença! Não concordo com esta forma de fazer face à vida. Uma pessoa que se sinta digna, mas que está a atravessar um mau momento na vida, tem todo o direito e o dever de recorrer a ajudas institucionalizadas. No caso de não obter resposta deve por todos os meios possíveis fazer denúncia. Ir para a rua com um filho nos braços para apoquentar as consciências dos transeuntes, isso é que não! Porque a vida custa a todos! Há uns tempos trabalhei em turnos, havia uma semana em que tinha de acordar cerca das três da madrugada e saia do emprego às 13,00H. Desde criança sempre tive dificuldade em conciliar o sono, há em mim uma tendência natural para me deitar tarde e acordar tarde, logo trabalhar por turnos era uma brutalidade a que me encontrava submetida. Para me levantar às três da madrugada e para dormir o suficiente teria de ir para a cama ainda com sol, ora, uma situação que ia contra a minha natureza. A maior parte das vezes nem sequer dormia. De maneira que quando saia do emprego até vinha doida e com uma brutal bebedeira de sono, não pensava correctamente, via mal, enfim tudo mau. A caminho de casa, costumava parar num supermercado para me abastecer de algumas coisas necessárias, o pão por exemplo. À entrada do estabelecimento, invariavelmente, encontravam-se algumas destas pessoas que vivem do vício da pedinchice, mão estendida e filho à ilharga. Bem, eu nem sei o que sentia! Vi-as ali fresquinhas e bem dormidas, mal trajadas, é certo, mas de aspecto radioso, enquanto eu tinha feito o supremo sacrifício de sair da minha confortável caminha de madrugada para enfrentar o dia de trabalho, sentia um caco, um farrapo humano, tão desfalecida que o mais pequeno piparote seria o suficiente para me derrubar ao chão! Que espera, caro senhor, que dissesse a quem me estendia a mão suplicando uma esmolinha? Correndo o risco de parecer ter um coração cruel e empedernido digo a verdade, porque nem admito outra coisa, sempre fui capaz de fazer peito às consequências das minhas acções, não é agora, nesta altura do campeonato que tem sido a minha vida, que vou desistir de ser quem sou. Pois bem, olhava a pessoa bem nos olhos e dizia-lhe - precisas de dinheiro? Então vai vergar a mola... O mesmo é dizer vai trabalhar...
26 de Março de 2009 14:15

terça-feira, 24 de março de 2009

MADRE MIA (DIZ A CRIANÇA)




Esta mulher amamenta
uma criança adormecida,
estende a mão e acalenta,
talvez nem esteja sentida,
é a esperança que a sustenta;
Sinta bem o seu olhar,
perdido na imensidão,
parece nem se importar,
se é ou não provocação,
aquele alvo seio mostrar;
“Ajude”, parece dizer,
em ladainha estudada,
talvez choque quem ver,
aumentando a passada,
olhando o céu sem querer;
De onde virá, que faz aqui?
São interrogações a mais,
num quadro que só por si,
misturado com os demais,
deveria envergonhar aqui;
Condenamos a mulher-mãe?
por usar aquela criança?
Ou tentamos ver também
uma réstia de esperança
a "ninguém" que quer ser alguém?

segunda-feira, 23 de março de 2009

A F(PH)ARMÁCIA (DE) NAZARETH

(UM PORMENOR DO TECTO)

("OLHE AQUI! ESTÁ VER ESTE BARÓMETRO?")

(A LINDA FACHADA; TALVEZ A RAINHA DE TANTAS OUTRAS)

Quem passar pela Rua Ferreira Borges, em Coimbra, mesmo que ande distraído, inevitavelmente os seus olhos vão poisar na mais linda fachada daquela artéria, quiçá rainha de todas as frontarias da cidade.
É o estabelecimento, em actividade, mais antigo da Lusa Atenas. “Foi fundada em 1815. Olhe que ainda conservamos os rótulos antigos feitos em Paris”, diz-me, acaloradamente e cheio de orgulho, o Dr. Victor David. Na sua voz, como um conservador de museu que ama o que preserva, nota-se a convicção, o empenho e a certeza de que tem uma responsabilidade social ao usufruir uma jóia de valor incalculável.
Fazendo analogia com o nome, pela sua beleza de exemplar único, se esta farmácia existisse no tempo de Jesus de Nazareth, este Homem, embora na Bíblia não conste de que alguma vez estivesse doente, teria sido cliente desta botica.
A título de curiosidade, começando pelo étimo, “Farmácia” é a ciência que tem por objecto o reconhecimento, a recolha e conservação das drogas simples e a elaboração dos medicamentos compostos. Esta ciência, e arte, de preparar medicamentos começou a ser protegida em Portugal em meados do século XV. A Faculdade de Botica foi instituída na Universidade de Coimbra no reinado de D. Sebastião (1568-1578)”, in Moderna Enciclopédia Universal.
Voltando à nossa jóia da Coroa, e continuando a ouvir Victor David, “esta farmácia é a vida e a alma da minha mulher”. E de facto, em boa verdade, não exagerou. Ao falar com a Drª Maria Ascensão, esposa e também proprietária, directora técnica da farmácia, sente-se o seu envolvimento na forma como fala da “menina dos seus olhos”.
A Farmácia Nazareth foi a primeira distribuidora para Portugal de artigos para revelação de fotografia e material radiológico. Estamos a falar dos primórdios do retrato, por volta de 1860, das placas de vidro de gelatino-brometo. Nos clientes da farmácia, de artigos radiológicos, contavam-se os falecidos médicos Moura Relvas e Adolfo Rocha (Miguel Torga).
Se os móveis originais desta botica “ancienne” falassem, mil histórias contariam. No entanto, a Drª Ascenção não deixa créditos por mãos alheias. Tudo o que respeita à sua “menina do peito” esta senhora não se cansa de contar. “Olhe que a minha farmácia foi o primeiro estabelecimento autorizado de distribuição para a zona centro de água das Pedras e água de Luso”. Complementa o marido, Victor David, “por volta do fim do século XIX, a água vinha pela “posta-restante” até à ponte de ferro, até à casa da Ponte, em Santa Clara, e depois era transportada em carroça até aqui à farmácia”.
Continuando a ouvir, com gosto, estes dois teimosos na conservação do património comercial, “olhe aqui! Está a ver este barómetro? Por volta de 1920/1930, os jornais diários da cidade (certamente entre eles o Conimbricense) vinham aqui saber das previsões de chuva para o dia seguinte”, diz-me Victor David, embalado na descrição de factos históricos relativos ao mais antigo estabelecimento de Coimbra e que está na sua família desde 1980.
A Farmácia Nazareth, contrariamente aos guias turísticos da cidade, que olvidam este quase bicentenário estabelecimento, é referida no Guia Michelin com a seguinte menção honrosa: “ao passar na Rua Ferreira Borges, vindo do Largo da Portagem, nos números 135/139, não esqueça de olhar para o seu lado direito. Encontrará a Farmácia Nazareth, um bom exemplo de conservação do património comercial” –citado de memória.

UM SORRISO MARCA A VIDA



Encontrei-te por acaso,
numa rua da cidade,
tropeçei no teu sorriso,
pareces não ter idade;
Tanto tempo já passou,
eu mal te reconhecia,
se não fosse o teu sorriso,
eu jamais me lembraria;
É estranho um sentimento,
p’ra viver é tão preciso,
parece que nada contou,
a não ser o teu sorriso;
Essa alegria espontânea,
que me prendeu tanto a ti,
foi esse sorriso louco,
que me escravizou assim;
Agora até entendo,
e consigo compreender,
por que é que só um sorriso
nos amarra até morrer.

sábado, 21 de março de 2009

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE A VOZ INCÓMODA)

(EDUARDA MAIO, JORNALISTA DA ANTENA 1)


Milu disse...
A publicidade melhor conseguida é, sem dúvida, toda aquela que se apoia nas cenas mais evidentes do quotidiano.Não é preciso rebuscar muito, basta olhar em volta, basta, também, ter a sensibilidade suficiente para conseguir captar o sentimento mais generalizado do tempo actual. Ora, o que tem estado na ordem do dia, na verdade, são as manifestações, greves e diversas contestações de carácter político, etc. Sendo assim, é normal que se aproveite o boneco, quer para construir publicidade quer para fazer humor, para certos programas que vivem da sátira. Não vejo razão para o empolamento deste caso! Qualquer coisinha hoje é notícia. Uma paneleirice qualquer enche páginas de jornais! Estamos mesmo em crise! Ultimamente tudo serve para atacar este governo. Com a economia do mundo inteiro de pantanas,querem-nos fazer crer que Sócrates é o principal responsável pela situação precária do nosso país. Mas atenção - tudo isto não passa de um golpe baixo, que se traduz numa grave falta de respeito pelos portugueses, porque não é verdade, antes fosse... Trocava-se de governo e ficávamos todos ricos, todos a viver um oásis de abundância! Infelizmente a realidade é bem amarga! Não vamos lá com pachos e panos quentes. É preciso trabalhar e sobretudo mudar esta mentalidade comesinha, pequenina e miserabilista.

sexta-feira, 20 de março de 2009

A RTP PÔE-SE A JEITO...



Segundo o Sol online, há cerca de uma hora, a RTP colocou-se de cócoras, pronta a ser “entalada” pelo PSD e PCP.
Tristeza de direcção…sem direcção! É por atitudes destas que o país está onde está. Ou seja, na sanita da Europa. E, pelos vistos, com esta gente, tardará em sair de lá. Todos cagam na nossa dignidade, a começar pelos partidos políticos. Está explicado o raquitismo que enferma a democracia. Coitadinha da “menina”, jamais chegará a adulta, com tais pais protectores e detractores.
Muitos medos têm as instituições de celeumas partidárias, mesmo quando se trata do seu respeito e o que devem aos portugueses.
Porca miséria! Vou mas é para Angola…

A VOZ INCÓMODA




Depois dos ciganos de Barcelos, aí está outra controvérsia, agora em torno de um anúncio da Antena1, em que aparece uma grande fila de carros parados e alguns a tocarem a buzina. Dentro de uma viatura, um condutor ouve Eduarda Maio –autora do livro “Sócrates: o menino de ouro do PS”, a biografia autorizada do primeiro-ministro, lançada em 2008-, uma jornalista daquela estação de rádio pública, dizer que “daqui a pouco, vamos em directo para o Parlamento, vamos acompanhar o debate, desta tarde, na Assembleia da República. São agora 11,23. Uma informação de trânsito…”
A seguir, Eduarda Maio entabula uma conversa em directo com o condutor:
-Ó Rui, não vale a pena ir por aí, está cortada a rua…
-Não acredito! Outro acidente, Eduarda? –pergunta exasperado o chouffeur.
-Não. É uma manifestação, responde a jornalista.
-E desta vez é contra quê? –interroga o condutor.
-Bom, pelos vistos, é contra si, Rui! –conclui Eduarda Maio.
-Sim, sim… contra mim! -desabafa o condutor, parecendo não acreditar.
-Pois! Contra quem quer chegar a horas –remata a jornalista.
Seguidamente aparece o Spot publicitário, com uma voz masculina de outro jornalista: “Quem nos diz tudo sobre a actualidade, diz-nos muito. Antena 1, liga Portugal”.
Segundo o jornal Público online, o PSD, perante este texto publicitário, pediu hoje a demissão da direcção da Antena 1 “devido ao “Spot” publicitário de promoção à informação da rádio, que considera “atentar contra a liberdade de expressão e de manifestação”.
Salienta-se que o Spot publicitário mereceu igualmente críticas da restante oposição.
Continuando a citar o Público, “O “Spot” também vai motivar uma queixa da CGTP ao Conselho de opinião da RTP (…). O PCP admite, ainda, chamar ao Parlamento a administração da RTP se não for retirado o anúncio (…), que descreve como uma “ofensa” a “um direito fundamental” –o direito à manifestação.”
Não deixa de ser irónico que, passados quase 35 anos, os partidos políticos, auto-apelidando-se de progenitores da democracia –e sobretudo o PCP- tratem este sistema político -em que a autoridade emana do conjunto dos cidadãos, baseando-se nos princípios de igualdade e liberdade- ao sabor das suas conveniências. Aparam a democracia consoante o jeito que lhes dá, e como se esta fosse imberbe, nunca crescesse. Os partidos, certamente, pensam que as pessoas serão tolas e não têm cabeça para pensar. A sua hipocrisia é tão grande que nem a chegada da primavera, com os seus odores a flores, consegue disfarçar o cheiro a mofo que empesta o ar.
Ficam duas perguntas a balouçar no éter: Quem atenta contra a liberdade de expressão?
E se, por acaso, a voz, em vez de ser de Eduarda Maio –que escreveu a biografia de Sócrates- fosse de uma qualquer outra jornalista, teria desencadeado a mesma reacção partidária?