quinta-feira, 21 de maio de 2009

A INTERNET E A MANIPULAÇÃO

(RECEBI NO MEU E-MAIL ESTA MAGNÍFICA FOTO -É MESMO, É SIMPLESMENTE ESPECTACULAR- E O TEXTO QUE REPRODUZO, SEM VÉNIA AO SEU AUTOR, QUE NÃO FAÇO A MÍNIMA IDEIA DE QUEM SEJA)


"boa tarde a todos

Vinha novamente incomodar-vos para vocês votarem numa foto minha que está a concurso no site da Nestlé. http://www.campanhanestle.com.pt/maxibon/GaleriaDetalhe.aspx?ParticipacaoID=171
E um favor que estou a pedir a todos, para votarem não é necessário registarem-se no site, basta clicarem em votar e depois confirmarem o voto.
Alguns podem ficar a pensar que é uma forma injusta de ganhar estes passatempos, não este tipo de passatempos destina-se exactamente a isso, obrigar os participantes a divulgar o site e o produto de forma a obter mais votos, ou seja normalmente ganha quem divulgar melhor o site.
Por isso vinha com todo o respeito pedir para clicarem na hiperligação abaixo e votarem na foto em questão.
http://www.campanhanestle.com.pt/maxibon/GaleriaDetalhe.aspx?ParticipacaoID=171
Desde já o meu obrigado e se algum de vocês resolver participar também, terei todo o prazer em votar na vossa foto
Obrigado e os meus mais sinceros cumprimentos."



O que vou dizer parece La Palisse: o meu e-mail é como a minha caixa de correio tradicional. Nesta, cai lá tudo. Desde a publicidade a vibradores, das grandes superfícies comerciais, a um espectáculo de música, até às mensagens religiosas dos Jeovás.
Mas no meu “mail” é pior. Para além de uma pequena parte que descrevi em cima, ainda recebo pedidos para comentar blogues, concursos, como o que mostro em cima, e, isto é que me irrita profundamente, volta e meia lá recebo mensagens do tipo, “reencaminha esta mensagem a 20 pessoas. Se o não fizeres pode acontecer-te o pior. Manuel, recebeu-a e não fez caso, no dia seguinte morreu-lhe o gato persa e logo a seguir partiu uma perna”.
Como nunca obedeço a nenhuma destas solicitações, e muito menos às de reencaminhar mensagens, está mais que visto, está explicada a razão por que nunca ganho um premiozinho no Euromilhões; apesar de andar sempre a olhar para o chão, nunca acho uma carteira cheia de dinheiro, ou, no mínimo, uma notita de 20 euros, embrulhada com mil cuidados. Só pode ser isso! Não encontro outra explicação para o meu infortúnio. Vá lá, no mínimo, se tendo azar ao jogo, ao menos fosse sortudo no amor, pronto!, dava-me por vencido. Mas qual quê? Nenhuma mulher olha para mim com aqueles olhos libidinosos. Sabem? Daqueles olhares fulminantes, de luxúria, à “mata hari”. Nada! Nem a minha vizinha, a dona Perpétua, coitadinha, que tem noventa anos, e está viúva há mais de cinquenta, nem ela olha para mim com um olhar de jeito. Ora, fazendo o balanço da situação, só pode ser dessas malditas mensagens. Estão a dar-me cabo da vidinha. Só pode ser isso!
Já tentei tudo. Palavra de honra. Já comprei o Livro de São Cipriano, já me deram duas ferraduras, já tenho uma imagem de Santo António, mas qual quê? O santinho, perante tais mensagens maléficas, parece encolher-se todo. Se não me engano, às vezes dá-me a sensação que até transpira.
Ora bolas para isto…não tenho sorte nenhuma!

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE O EXTRAORDINÁRIO LEONARDO...)




Lisa disse...
Conhecer o Leonardo é uma sorte... é difícil chegar a este momento e pensar no que aconteceu.
Conheci, somente, o Leonardo o ano passado (em 2008) e tenho muita pena de o não ter conhecido antes.
Posso garantir que nunca vi, uma pessoa tão justa e, sobretudo, humana, como ele.
Ensinou-me muitas coisas e sempre admirei a sua filosofia de vida. Conversar com ele era simplesmente esclarecer todas as dúvidas que tinha.
Felicito a minha colega Soraia Lopes pela iniciativa.
No dia em que me deram a trágica notícia, não consegui acreditar e pensei "como é que a vida pode ser tão injusta? como é que Deus pode permitir uma coisa destas?"
bem a verdade é que há coisas que estão fora de nosso alcance e naquele dia o Leonardo fez a sua escolha.
Onde quer que estejas, digo-te "obrigada por tudo"
um abraço enorme
Lisa Fulgêncio
20 de Maio de 2009 23:41

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O EXTRAORDINÁRIO LEONARDO...






(UMA AMOSTRA DO EXTRAORDINÁRIO TALENTO DE LEONARDO BRAGA PINHEIRO)


Leonardo nasceu nos Açores, mais propriamente em Vila Franca do Campo, São Miguel. Desde menino foi sempre um ser especial. Muito tímido, mas essa imanente reserva era compensada pela sua extrema sensibilidade. Parecia ler o interior dos seus semelhantes. Quando falava com alguém, parecia dotado de presciência, quase sempre adivinhava o que o outro ia dizer.
Em Vila Franca do Campo todos gostavam de “Leo”. Não tinha muitos amigos. Talvez o maior de todos fosse o seu irmão “Manel”. A amizade era um sentimento muito especial para ser desperdiçado de qualquer maneira, costumava dizer.
Desde cedo Leonardo se sentiu próximo de Deus. Era profundamente místico. Sentia que Ele era o seu guia e protector. Sentia-se tocado por Ele, pela Sua omnipotência.
Era mais fácil vê-lo sozinho do que acompanhado. Sentado naquele penhasco sobre o atlântico, com o olhar perdido no horizonte, Leonardo parecia voar sobre as nuvens, atravessando oceanos e o cosmos. Quando caminhava pelas veredas estreitas do casario da ilha, aparentemente perdido, olhando demoradamente, parecia gravar na memória os gestos, o olhar da “ti” Ana. “Leo” era um nefelibata, parecia andar sempre nas nuvens, como se não apercebesse a realidade. Entendê-lo mesmo, verdadeiramente, só mesmo a sua mãe. Entre os dois parecia que o cordão umbilical não tinha sido cortado fisicamente à nascença. Continuavam ligados de corpo e alma.
Na escola básica e no secundário foi um aluno médio. Os professores sempre acharam que Leonardo, se quisesse, poderia ir muito mais longe.
Quando acabou o ensino liceal veio para o continente, mais propriamente para Coimbra. Foi aluno de Medicina Veterinária, na Escola Vasco da Gama. Mas este curso não o motivou. Muitas vezes os seus amigos o apanharam a contemplar as águas calmas do Mondego ali ao lado. Anteviam, apenas, nesse gesto de aparente nostalgia, a saudade da sua ilha longínqua e as águas transparentes do Atlântico. Sempre que podia andava com a sua companheira: a sua máquina fotográfica. A fotografia era o seu mundo. Era através dela que Leonardo expressava a sua sensibilidade. “Leo”, através dos retratos, era um caçador de expressões sentimentais. Era como se ele, tratando a impressionabilidade por tu, com poder extra-sensorial, conseguisse, através da máquina, ver o que ninguém mais via. As suas fotos não mostram apenas paisagens ou pessoas, mostram, isso sim, o âmago, o interior das coisas, o espírito, a alma da pessoa retratada.
Em Coimbra deixou uma marca profunda em quem conviveu de perto com ele. “Era um ser único! Uma pessoa muito meiga, muito querida, justa e muito sensível”, enfatizam num acordo de saudade.
Como a veterinária não lhe dizia nada, Leonardo transferiu-se para a Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, onde era aluno em 2008.
Quis o destino, naquele ano de 2008, encurtar a vida de Leonardo. Como ladrão, este fado, esta fatalidade, este acaso, com 25 anos apenas, roubou-nos precocemente um talentoso artista, talvez, se tivesse tido tempo, o maior fotógrafo de todos os tempos.
As suas imagens, obras-primas deixadas à humanidade como testemunho da sua passagem por este mundo, são um monumento à vida que Leonardo não viveu. Dê uma alegria aos seus olhos, dê alento à sua alma. Venha comprovar tudo o que lhe disse até aqui. Vá na próxima sexta-feira, dia 22, e na segunda a seguir, até quarta, dia 26, visitar a primeira grande exposição de fotografia “PINTAR COM LUZ” –“Homenagem a Leonardo Braga Pinheiro”, à Escola Superior da Tecnologia da Saúde, em São Martinho do Bispo, em Coimbra.
Pode também ver esta belíssima exposição de imagem na Baixa. Estará patente no Café Santa Cruz no próximo sábado, dia 23, e a partir de quinta-feira, dia 27, e até 31 deste mês de Maio.
Um agradecimento muito especial à sua amiga de sempre, a Soraia Lopes, que contra ventos e marés, tudo fez para que a memória do seu amigo não se perca e acreditando sempre que Leonardo, através da obra deixada entre nós, não desapareceu. Está bem “vivo” entre nós através daquelas extraordinárias fotografias.

terça-feira, 19 de maio de 2009

QUANTAS MAIS MICRO EMPRESAS TERÃO DE MORRER?





Segundo os jornais do último 15 deste mês, 18 mil micro empresas encerraram desde Janeiro até essa data. No Jornal de Notícias (JN), citando o presidente da Associação das Pequenas e Médias Empresas (ANPME), Fernando Augusto Morais, “há micro empresários a falir todos os dias”. Só nos primeiros 13 dias deste mês (Maio) “90 empresas fecharam as suas portas” , exemplifica o responsável, lembrando que desde o início da crise, em Setembro de 2007, até 31 de Dezembro de 2008, “encerraram 40 mil empresas de pequena dimensão”. Para Fernando Augusto “a situação é crescente”. Em Portugal, existem cerca de 160 mil micro empresas”.
Continuando a citar o JN, “estes encerramentos “criam constrangimentos à sua volta”, alerta por seu turno Eugénio Fonseca, presidente da Caritas Portuguesa, instituição que nos últimos tempos tem recebido pedidos de ajuda de empresários “de todo o país”. “Muitos dos que nos procuram fazem parte da classe média baixa, mas também já há muitos da chamada classe média alta, com outro tipo de projectos que faliram, explica.”
Ainda segundo o JN, “De acordo com dados divulgados à Lusa pela Associação Industrial Portuguesa, as micro empresas empregam 28 por cento dos trabalhadores, mais três por cento do que as grandes empresas. Nestes casos, tentar salvar a empresa “é sinónimo de salvar a família”. “São projectos de vida que estão em causa” e muitos proprietários acabam por investir o seu património pessoal.”
Para o presidente da Associação Nacional de Jovens empresários (ANJE), Armindo Monteiro, “tem estado a fechar empresas que até agora sobreviviam a tudo e a todas as circunstâncias. O empresário tem sempre a tentação de ir até ao limite, dando o património pessoal como garantia da empresa, lembrando que quando as coisas correm mal os empresários nem têm direito a subsídio de desemprego: “Têm de pagar as dívidas e não têm nenhuma forma de rendimentos. É muito injusto”. É um drama. Neste tipo de empresas há relações familiares ou de quase família. Têm apenas três ou quatro postos de trabalho e por isso criam-se relações muito estreitas que se vão construindo ao longo dos anos”, lembra o presidente da ANJE.
Continuando a citar o JN, na pessoa do presidente da Caritas portuguesa, “Alguns além de não receberem subsídio de desemprego, ainda correm riscos de penhoras, porque na tentativa de fazer sobreviver as suas pequenas empresas deixaram de pagar ao fisco e à Segurança Social”.
Nesta reportagem do JN, penso, está tudo dito. O que será preciso para o governo ir muito mais além do que a linha de crédito PME Invest 4, num valor global de 400 milhões de euros, 200 milhões dos quais destinados a apoiar as micro e pequenas empresas? De que vale o crédito se ele apenas será possível para as empresas que não tiverem dívidas ao fisco e à Segurança Social? Não será um contra-senso? Quem mais precisa não tem acesso. Até lá, quantas mais micro empresas terão de morrer para que seja aberta uma linha de sobrevivência? Que responda quem souber…

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Faltava este!


Afinal ainda se faz Cultura no Luso!!
O Alcides enviou-me os cartazes mas o Luís antecipou-se (e muito bem!)!
Venham mais!

sábado, 16 de maio de 2009

A 7ª SEMANA CULTURAL DO LUSO BUÇACO





Vai decorrer no Luso e no Buçaco, de 21 a 27 de Maio, a 7ª semana cultural.
Na Quinta-feira, dia 21, no Buçaco, começará com a ancestral e tradicional Romaria de Ascensão. Às 10 horas será inaugurada a “FEIRA À MODA ANTIGA”. Pelas 15 horas haverá actuação de vários grupos folclóricos.

No Sábado, dia 23, no Luso, pelas 10 horas, será a abertura da “FEIRA DE ARTES TRADICIONAIS”; às 16 será a “GINCANA DE BICICLETAS”; às 19, seguir-se-à a actuação dos “DIXIE KOL GANG”, da Pampilhosa, e às 21,30, no Casino, haverá teatro de Revista, com a peça “Recordar é viver”, do grupo Artístico e Cultural “Rouxinóis” de Anadia.

No Domingo, dia 24, no Luso, pelas 10 horas, continuará a “FEIRA DE ARTES TRADICIONAIS”; às 15 haverá “JOGOS TRADICIONAIS”; e às 18 actuará o Grupo Folclórico “AS TRICANAS” de Luso.

Ainda pode ver mais, e inserido nesta 7ª Semana Cultural do Luso-Buçaco, de 21 a 27 deste mês de Maio, no lindíssimo Casino de Luso, uma exposição de fotografias sobre o tema “Luso-Buçaco: à descoberta da nossa terra”.

Hum! A coisa promete. Se você, leitor, mesmo conhecendo bem o Luso, ou pelo contrário, aproveite esta plêiade de bons eventos e venha daí até lá. Posso garantir-lhe que se come muito bem, e a seguir, para digerir, dê um passeio até à “nova recauchutada” Fonte de São João e prove a melhor água do mundo. Vá por mim…

quinta-feira, 7 de maio de 2009

BAIXA: "DESEJO-LHE BOA SORTE"


(EMBORA ESTE TEXTO SEJA RESPEITANTE A COIMBRA, COMO SEI QUE ESTES PROBLEMAS SÃO TRANSVERSAIS TAMBÉM AO CONCELHO DA MEALHADA, POR ISSO O INSERI NESTE BLOGUE)



Como já escrevi aqui (no blogue Questões Nacionais), faço parte de um grupo de comerciantes da Rua Eduardo Coelho que, vendo a situação calamitosa em que se encontra o comércio de rua, nomeadamente o centro histórico, em que quase todas as semanas encerram lojas, nos dirigimos à APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, e à ACIC, Associação Comercial e Industrial de Coimbra, para que, todos juntos, estabelecêssemos um plano que visasse a inversão deste dramático problema.
Apesar de alguns de nós não serem associados, imediatamente estas duas entidades se disponibilizaram e, numa mesa, estabelecemos planos imediatos e a médio prazo. No tocante aos imediatos, entendemos que deveríamos recuperar os sábados todo o dia. Numa primeira impressão, não se entende como é que, nos tempos difíceis que passamos, a maioria das lojas continuem a encerrar às 13 horas. -Seria injusto se dissesse que não entendo alguns deles, sobretudo estabelecimentos com pessoal. Muitos deles têm problemas adstritos à legislação do trabalho e que não são fáceis de resolver. Mais à frente falarei de alguns deles.
Estão em curso várias iniciativas, em que se pede a colaboração da Câmara Municipal e das Juntas de Freguesias. Não vou aqui esmiuçá-las. A seu tempo, em conferência de imprensa, a APBC, as apresentará.
A partir de ontem, tenho tirado a manhã, para, de loja-em-loja, andar a pregar a minha mensagem. A todos, em ladainha, digo: as coisas estão muito más, como sabe, peço-lhe, em nome de todos, que mantenha o seu estabelecimento aberto aos sábados todo o dia. Para parecer Santo António, já que tenho o nome António, só me falta o hábito.
Posso dizer, com certeza, e também com satisfação, que cerca de oitenta por cento estão de acordo, de que é preciso começar por algum lado. Temos de fazer alguma coisa para evitar o genocídio desta classe comercial.
Mas, então, o que argumentam os outros 20%? Acredite, leitor, é um desconforto, para mim, transcrever aqui o que dizem, mas vou fazê-lo. Uns dizem: “o quê, eu trabalhar ao sábado de tarde? Nem pensar! É o único tempo que tenho para cuidar do meu quintal. Desculpa lá, mas não vou deixar de fazer isso!”
Outros, saem-se com isto: “Oh…trabalhar ao sábado todo o dia, para quê? Já aos outros dias normais pouco se faz. O melhor que se fazia era encerrarmos todos ao sábado durante todo o dia!”
Outros ainda: “Ora, ora, isto não vai resolver nada! Não deveria ser assim. Deveria haver outras medidas!” –quando lhe pergunto qual, começam a gaguejar e não sabem responder em conformidade.
Outros ainda: “olhe, eu tenho muita consideração por si. Palavra que tenho. Acredito em si. Mas estando metidas nisto a câmara, a agência (APBC) e a ACIC, desculpe lá, mas não acredito nessa gente. Nunca fizeram nada por nós. Isto não vai resultar. Era preciso outras medidas de fundo" –quais?, interrogo. "Não sei. Era preciso encontrar um homem que chamasse a si a defesa de todos” –quando lhe digo que esse “Sebastião” não existe, e que a solução está dentro de nós individualmente, que, no momento em que as coisas estão, não pergunte o que pode Deus fazer por nós, mas antes o que se pode fazer por Ele, continua: “não, sozinhos, não vamos a lado nenhum. É preciso alguém que nos salve. Vamos fazer assim: se resultar, eu entro na segunda fase. Está certo, não está? Olhe que eu até gosto muito da Baixa. Só por isso é que continuo aberto –não me esqueço que foi aqui que ganhei a minha vida- e só por isso ainda não aluguei a minha loja a um chinês. Apesar de estar descrente, desejo-lhe boa sorte”.
Pode parecer incrível, mas tudo o que aqui transcrevo é a mais pura das verdades.
Eu sei que as pessoas estão desmotivadas, cansadas, descrentes e até frustradas. Eu tenho dias que também me sinto do mesmo modo. Mas, sendo assim, vamos cruzar os braços e deixar que chegue a nossa vez de “morrer”?
Eu sei que não é fácil. Está tudo contra o comércio tradicional. A começar pelos políticos nacionais e locais. O que querem é ouvir que abriu mais uma grande superfície na sua cidade –hoje mesmo abriu o Dolce Vita Tejo, o maior do país e um dos maiores da Europa.
O desinteresse pela revitalização dos centros históricos levou a este estado de apatia e ao “deixa-arder-que-o-meu-pai-é-bombeiro”. Estabeleceu o princípio da “pescadinha-de-rabo-na-boca”: Os comerciantes não trabalham mais horas porque cada vez há menos pessoas para comprar. Por sua vez os clientes, mesmo os poucos, como antevêem que as lojas estarão encerradas, cada vez vêm menos.
O Código de Trabalho –tal como o Novo Regime de Arrendamento Urbano está para os proprietários- é profundamente discriminador para os empresários do comércio tradicional. Os funcionários admitidos de novo nas grandes superfícies comerciais, se preciso for, trabalham feriados e até à meia-noite. No comércio de rua, em nome do bizarro, em nome de “direitos adquiridos”, os antigos empregados, sem sua autorização e acordo, não trabalham, nem depois das 19 horas, nem aos feriados, nem aos sábados de tarde. Por cada tarde de trabalho extraordinário vale um dia de folga. Pergunta-se: quem consegue desenrolar esta meada, fugindo a esta teia em forma de armadilha?
Em resumo, se admito compreender as razões de alguns comerciantes como legítimas, não posso aceitar que fiquem de braços cruzados à espera do tal D. Sebastião ou um Deus que nos salve.
Temos de ir à luta. Por muito que todos nos queixemos, este é o resultado da nossa pouca exigência e capacidade de reivindicar. Penso que estamos no fim da linha. Ou se tomam medidas de salvação, ainda que sejam apenas de efeito “aspirina”, ou então vamos mesmo desaparecer todos. Não haja ilusões. Os grandes centros comerciais ficam muito gratos por esta passividade e falta de resposta.

O Presidente dos EUA, Barack Obama, vai propor hoje três leis para combater a fuga ao pagamento de impostos nas operações das multinacionais realizadas através de paraísos fiscais (“offshore”) e para desincentivar as famílias norte-americanas que colocam o seu dinheiro em bancos "livres de impostos".




Agora sim parecemos a "Velha Europa"!

Os líderes Europeus não têm pedalada para este homem! Nunca fui messiânico e sinceramente pensei que Obama fosse mais uma desilusão e não cumprisse as expectativas mas estou surpreendido! Todas as semanas toma medidas novas com impacto real e a tocar em "feridas" que pareciam nunca sarar!

Esta é mais uma! Pena que a UE não o vá acompanhar nesta luta contra as off-shores impossibilitando o seu sucesso!
Já não é a primeira vez que isto acontece! O governo Americano toma medidas de fundo e de carácter global e os poderes instituidos no Velho Continente impedem a sua concretização prática às escala mundial!

Pena é também que os media portugueses dêem mais relevo ao Bo do que à política e às medidas do seu dono!

terça-feira, 5 de maio de 2009



"O PSD deve, e pode, ganhar as eleições, e quando ganhar as eleições logo se vê a orientação que se segue"


Manuela Ferreira Leite, In Jornal de Notícias



Boa solução apresentada pela líder do "maior" partido da oposição! Para já muda-se! Depois logo se vê para onde!!


É mesmo do que o país precisa: um tiro no escuro!

sábado, 2 de maio de 2009

AMANHÃ É DIA DA MÃE


(FOTO DE LEONARDO BRAGA PINHEIRO)


Amanhã é o teu dia mãezinha,
hoje, e sempre que me lembrar,
serás sempre a minha queridinha,
aquela que me afaga e quero beijar;
Nunca te dei o teu justo merecimento,
não sei, talvez te visse como a lua,
em todo o lado, sempre em movimento,
mas em verdade, verdade mesmo crua,
na dor, estiveste sempre no meu pensamento;
Já saí de ti, há tanto tempo que me pariste,
que o que nos liga em cordão é a saudade,
deste meu queixume de amor sempre sorriste,
com esse olhar misterioso de madona sem idade;
Comparo-te ao o sol, ao calor quente de verão,
que, como raio, derrete a neve e o frio de rachar,
és a alegria, o contento dos pobrezinhos sem pão,
és a vida, a essência, a luz na noite escura, o luar;
Ai mamã, o teu colo, esse abraço de protecção,
a falta que me faz, esse amor, como vagabundo,
à procura de uma carícia, um olhar de admiração,
por mais que procure, nunca o encontro neste mundo.

O DISPARATE DO DIA...-SERÁ MESMO?





O homem com o entrar da velhice torna-se impaciente, filósofo e sonhador. Procura a todo o custo o reconhecimento e deixar o seu nome gravado na pedra granítica da esfera social. Precisa de uma mulher nova para lhe retirar de cima o estigma da ruga dos anos. Exala, ferozmente, como máquina de projecção filosófica, tocando tudo à sua volta. Envolvendo e procurando ser o centro de atenções de dentro para fora. Acha que, a todo o custo, deve transmitir a sua experiência empírica, o seu saber, aos mais novos.

A mulher, na mesma situação, torna-se um poço de sabedoria. Como máquina de sucção, extrai, de fora para dentro, do meio que a rodeia, tudo o que possa enriquecer a sua vida ascética. A qualquer momento pode surpreender pela sua visão concisa, clara e racional. Normalmente não se expõe. Sabe sofrer em silêncio a maior das dores. Oculta-se num manto de mistério. Não gosta de aventuras com miúdos. Convive com eles apenas pela sua alegria. Assume bem a sua idade como missão e mensagem religiosa. Olha para o homem com brandura, como se este fosse uma criança que não cresceu.

O RENEGADO QUE MANDOU A ORTODOXIA ÀS MALVAS






Tenho para mim que Vital Moreira não é o candidato às europeias que mais interessa ao Partido Socialista. Apesar de ser de Coimbra, e um distinto professor universitário de Direito Constitucional, não é um prosélito do partido de governo, na verdadeira acepção da palavra. É um homem apagado, cinzento, e com pouca intervenção política dentro da área socialista. Para além do blogue “Causa Nossa” e de uma crónica semanal no Jornal Público, pouco mais se sabe dele na defesa da área rosa. O que se sabe, isso ressalta, é que foi um filiado notável do PCP e que ainda no tempo de Álvaro Cunhal, tal como Zita Seabra, abandonaram o partido da foice e do martelo, sendo apelidados pelo “grande Mestre ideólogo” como “folhas secas”.
O acto “dramatológico” de José Sócrates, aquando do Congresso do PS, ao apresentá-lo como um passe de mágica, como se tirasse um coelho da cartola, foi precipitado e, para além de gerar pequenos ódios dentro do partido de governo, deixou de fora muitos notáveis mais bem colocados para avançar. Estes, ressabiados, depois da agressão de ontem, estão agora a rir-se. Jamais lhe perdoarão a afronta.
Falando então da agressão de ontem, em Lisboa, numa manifestação da CGTP, este acto cobarde, vem clarificar muita coisa.
Começaria pelo próprio Vital Moreira, que em declarações ao Jornal de Notícias (JN), diz que esta agressão tem “um efeito muito positivo”, talvez pensando na agressão de Mário Soares na Marinha Grande em 1986. Porém, os tempos de hoje, ainda que haja uma similitude na depressão económica, não têm nada a ver uma coisa com a outra. Normalmente os candidatos, e Vital também, seguindo os efeitos secundários de Soares há mais de vinte anos, pensam logo em capitalizar o efeito de vítima. Simplesmente, já se sabe, os humanos são imprevisíveis, e a mesma água nunca passa duas vezes debaixo da mesma ponte.
A seguir chamava a atenção para esta atitude “democrática” de alguns membros do PC, que, nos seus gritos de “traidor”, “vira-casacas” e a seguir a agressão física, mostra bem a sua filosofia de tolerância. O quão próximo está de uma qualquer seita de fanáticos, onde só conta o imperativo categórico: depois de mim só a morte.
Ainda citando o JN, mostra a atitude cívica dos agentes da PSP, que perante os desacatos, “nenhum dos agentes presentes se aproximou da confusão”. O que estariam a fazer lá? Estariam também a comemorar o 1º de Maio? No limite, nesta omissão deliberada, é legítimo questionar para onde caminha esta polícia, e devemos pensar que também estavam de acordo com a agressão?
Para terminar, a posição de Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, perante este atentado contra as boas maneiras, argumentando que não viu, é paradigmático: “não vou comentar o que não vi”.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O DISPARATE DO DIA




MANDAMENTOS DA MULHER CASADA

1º-Amar o seu marido sobre todas as coisas –e ao próximo como a vós mesmas. Se como sempre, na cama, você ficar a contar navios, diga-lhe que ele é o maior, é melhor que o John Holmes;
2º-Não o tratar em vão, como se fosse coisa sem valor –cuidado que cada vez há menos homens…e perfeito, perfeito, só mesmo o amante;
3º-Guardá-lo das outras mulheres e das pulgas –é preciso garantir que ele não anda a oferecer rosas a outra qualquer;
4º-Honrá-lo, penteá-lo e trazê-lo sempre limpo –embora não lhe aumente muito a auto-estima, é perigoso;
5º-Não lhe fazer cócegas com demasiada insistência para não o matar –andam demasiados homens a morrer de AVC;
6º-Guardá-lo da má vizinhança e sobretudo da melhor amiga –embora ele seja um grande traste, nesta crise de homens, não é fácil de arranjar melhor;
7º-Não lhe furtar nada às vistas (por que já se sabe que às escondidas é fatal);
8º-Não lhe levantar a voz em público (por que lá em casa já se sabe quem grita mais alto);
9º-Não desejar o marido de outrem (seja pelo menos discreta, porque já se sabe que em pensamento é inevitável…”a galinha da minha vizinha…”);
10º-Não cobiçar os vestidos, as coisas alheias, e muito menos pedir ao marido –a vida está mesmo muito complicada, estamos em crise. Ainda ontem ele ofereceu uma écharpe à Idalina, a colega…).

ANDAR NA TERRA COM A CABEÇA NO CÉU




Não sei se já se aperceberam que ultimamente se vêem cada vez mais pessoas com audiofones nos ouvidos. Passam por nós na rua como zombies que não pertencem a este mundo. Nalguns a música está tão alta que, para além de incomodar, tendo de a “gramar”, é invasora do nosso espaço individual.
Se entrarmos num qualquer transporte público, e um lugar estiver vago, embora os outros estejam completos e até algumas pessoas viajem de pé, só quando nos sentamos naquele lugarzinho guardado para nós, percebemos a razão de ninguém o querer. É que o barulho é ensurdecedor. Estoicamente, lá aguentamos para que ninguém olhe para nós. Não vão os outros pensar que somos fracos e que é um qualquer “ruidozeco” que nos derruba.
Confesso que já me falta a pachorra. Começa-me a saltar a tampa, sobretudo quando alguém tenta falar comigo com as palas –como os burros- nos ouvidos. Começo por dizer que não estou a ouvi-lo. Se a coisa persiste, passo-me e digo-lhe: olhe lá, não se importa de falar comigo sem essa coisa nas orelhas? “Ai desculpe!, até me tinha esquecido”, tenta safar-se o meu interlocutor.
O que me chateia mais é que até pessoas de meia idade –onde normalmente pensamos que reside a virtude, a reserva moral da Nação- estão a embarcar na viagem de “pés-na-terra e cabeça-no-céu”. Isto é que é uma sorte! Parecem bandos de marcianos descarregados por acidente no solo terreno.
O problema é que começa a ser grave. Há três semanas, uma senhora da Europa de Leste, de trinta e poucos anos, morreu trucidada por um comboio, em Coimbra, porque levava nos ouvidos o tal “cabresto”.
Não sei se esta moda é consequência ou não da crise económica e existencial –devido às constantes ameaças de pandemia que nos atropelam. O que sei é que parece uma droga. Com cada vez mais aderentes, todos querem “isolar-se”, fugir de qualquer maneira, desta realidade que parece ficção, do meio em que estão “agarrados” e é impossível desligarem-se.

terça-feira, 28 de abril de 2009

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE HOJE É O DIA 25 DE ABRIL)




Milu disse...
Tinha 13 anos quando aconteceu o 25 de Abril. Em minha casa o rádio emitia constantemente o "Grândola Vila Morena" e outras cantigas de intervenção. Ouvia os meus pais conversarem e discutirem a liberdade e o fascismo, mas não acredito que eles soubessem o que estavam a dizer. Nem tão pouco acredito que alguma vez se tenham apercebido das consequências do regime fascista, ou o que significava a liberdade, à semelhança de tantas outras coisas, das quais tenho a certeza, que desconheciam. Por mim posso dizer que tudo isso me passou ao largo, com a idade que tinha havia, porventura, outros interesses, que chamavam mais a minha atenção, e ainda bem.

Lembro-me das manifestações de rua, de ver pessoas conhecidas a agitar bandeiras e a gritar a plenos pulmões, "O povo unido jamais será vencido". Vociferavam contra o patronato que os explorava, e " Abaixo os patrões". Um dia ouvi o meu pai dizer à minha mãe, que parte dessas pessoas que passeavam bandeiras vermelhas e de foice, se estivessem na pele dos patrões, eram bem capazes de fazer pior que eles! Pode cair-me o Carmo e a Trindade em cima, mas, afirmo veementemente, que penso, que o meu pai não era parvo nenhum, porque o que disse é verdade! Até eu penso assim!

O ano passado trabalhei sábados e domingos. Trabalhei no dia 1º de Maio, no dia 25 de Abril, na sexta-feira santa e sei lá que mais! E toda contente, bom jeito me fez o dinheirinho que levei para casa, porque não é a descansar que governo a minha casa. E não me venham dizer que sou de direita nem merda nenhuma, o que quero é trabalhar e ganhar o meu dinheiro! Quem não quiser trabalhar estabeleça-se por conta própria, que logo vê como é que elas mordem. Já agora o meu eleito é Sócrates, ele é o meu Obama! Assumo tudo aquilo em que acredito, senão,
não sou mulher nem sou nada, passo a ser uma coisa amorfa... Uma amêijoa mole!
Um abraço!
27 de Abril de 2009 22:36

domingo, 26 de abril de 2009

Também é um prémio!


"O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, manifestou hoje o seu orgulho pela canonização de Nuno Álvares Pereira, considerando o "forte Dom Nuno" como um exemplo para todos, em particular, para as Forças Armadas portuguesas."O 'forte Dom Nuno', como lhe chamou Camões, é um exemplo para todos nós e, muito em particular, para as nossas Forças Armadas", afirma o chefe de Estado, numa mensagem vídeo colocada na página da Internet da Presidência da República. Sublinhando o seu orgulho pela canonização de Nuno Álvares Pereira, "pelo que ela representa de reconhecimento do valor exemplar de um português heróico e ilustre", Cavaco Silva diz ser hoje "um dia de alegria para todos os portugueses". "A canonização de Nuno Álvares Pereira constitui um gesto que honra uma das figuras mais marcantes da nossa História, uma figura em que os Portugueses se revêem como símbolo de amor ao seu País, de defesa corajosa da independência nacional, de vontade de triunfar mesmo nas horas mais difíceis", declara o Presidente da República."



In O Público



Assisti com alguma apreensão a algumas discussões acerca da tomada de posição do Presidente da República em relação à canonização do novo São Nuno de Santa Maria.

Enquanto agnóstico praticante não fico chocado, nem ofendido e muito menos acho que a laicidade do estado seja posta em causa! Infelizmente muitos têm confundido laicidade com laicismo, demonstrando muito pouca tolerância e até alguma mesquinhez.


Laicidade- é a forma institucional que toma nas sociedades democráticas a relação política entre o cidadão e o Estado, e entre os próprios cidadãos. No início, onde esse princípio foi aplicado, a Laicidade permitiu instaurar a separação da sociedade civil e das religiões, não exercendo o Estado qualquer poder religioso e as igrejas qualquer poder político.

Laicismo- é uma doutrina filosófica que defende e promove a separação do Estado das igrejas e comunidades religiosas, assim como a neutralidade do Estado em matéria religiosa. Não deve ser confundida com o ateísmo de Estado. Promove a inibição de qualquer manifestação religiosa pública.

sábado, 25 de abril de 2009

HOJE É O DIA 25 DE ABRIL




Dando uma volta pelos blogues aqui ao meu lado, fico um pouco constrangido. Os conotados com a esquerda, homenageiam e elevam os homens que fizeram o 25 de Abril, independentemente do que vieram a fazer a seguir. Os simpatizantes da direita, chamam a alguns destes heróis da revolução dos cravos desde assassinos a cobardes.
Que diabo, como não tenho simpatia nem para uns nem para outros e não sei onde me colocar. Talvez o centro, como fiel de balança –e neste caso seria muito cómodo para mim-, resolvia-me parcialmente a questão. O problema é que nunca gostei de ambiguidades, e neste caso, o centro, para além de ser ambíguo é também bipolar, tem um braço e uma perna na direita e os outros membros na esquerda. Então como é que resolvo isto com alguma racionalidade e objectividade?
Para mais, para suprema ofensa da esquerda, presumo, estou a trabalhar hoje, quando a maioria está a gritar loas à origem do feriado. Ontem, quando conversava com um amigo e colega comunista, quando lhe disse que trabalhava hoje, com grande grito de revolta, saído lá das profundezas, exclamou: “o quê, trabalhas no dia da Revolução?! Fogo, a mim, para trabalhar neste dia, nem que pagassem milhões!”
Engraçado é que, para mim, o dia de hoje é apenas um marco assinalado na história de Portugal. E nada mais. Tal como foram datas importantes para o país, como por exemplo, o 1º de Dezembro de 1640 –com a Restauração da Independência e expulsão do reinado dos Filipes de Espanha- ou o 5 de Outubro de 1910 –com a queda da monarquia e implantação da República.
É verdade que em Abril de 1974 eu tinha apenas 18 anos e nenhuma cultura política. Já trabalhava há quase 8 anos. Enquanto eu fui infante, os meus ascendentes andavam tão preocupados com o pão para a boca que sabiam lá eles que havia oposição a Salazar.
O dia da Revolução de 25 de Abril veio apanhar-me a vender trapos numa grande loja da Baixa de Coimbra e hoje encerrada. O patrão, que subira a corda da vida a pulso, nesse dia, se ficou preocupado não o demonstrou. No dia seguinte, quando começaram as manifestações de rua, perante os seus cerca de 15 empregados, tratou de fazer sessões colectivas de esclarecimento político e clarificar que ali, na sua loja, era ele que mandava. Portanto, partido, a haver, teria de ser o PSD ou o CDS. Estas formações político-partididárias é que eram boas. Eram as únicas que defendiam a iniciativa privada. Os outros, e sobretudo os comunistas, “comiam meninos ao pequeno-almoço”.
Fosse por isso ou por outra coisa qualquer, a verdade é que até hoje nunca fui a nenhum comício partidário. Dos 18 aos 25 anos que trabalhei naquela grande firma, fui tentando fazer a minha destrinça entre o comportamento do patrão de direita e outros que haviam na Baixa e que eram assumidamente comunistas. Nunca cheguei a nenhuma conclusão clarificadora de qual deles seria melhor. Aliás, sempre encontrei grandes similitudes na sua forma de proceder. Nunca vi um comerciante comunista distribuir, fosse o que fosse, da sua riqueza, por quem mais precisava. No da direita, igualmente, o que via era que tentava enriquecer o mais possível. Ao mesmo tempo, na firma onde trabalhava, apercebia-me, havia uma “utilização” abusiva dos trabalhadores. Todos trabalhávamos mais para além do horário, diariamente. Em vez de 30 dias de férias eram apenas gozados 15. É certo que no fim do ano todos levávamos um “cheque-bónus” pela lealdade e bom comportamento.
A única diferença que eu notava, quer no comerciante de direita, quer no de esquerda, era o ódio que cada um nutria ao outro. Um era apodado de fascista salazarento, o outro de vermelho ao serviço de Moscovo.
Nesta loja onde trabalhei 9 anos, fui continuando sem manifestar nenhum pendor político-partidário. Mas há uma história engraçada que nunca me esqueci. Em 1975, com 19 anos de idade, tinha as minhas férias marcadas antecipadamente como era norma. Tinha tudo programado para as iniciar na data acordada. Na véspera, o gerente da loja comunica-me o cancelamento das minhas férias previamente anunciadas. Mandei-me aos “arames” e, no meio de uma discussão, disse-lhe que nem pensar. Ia e ia mesmo. Quando chegou o patrão, a mesma coisa. “Não senhor, que não podia ir e pronto!”, verberou o velho comerciante. Então, irritado, interroguei: o senhor pensa que nós somos carne para canhão? O homem, espavorido, olhou-me fixamente, começou a andar à minha volta e a soletrar como um disco riscado: “é comunista! Ele é comunista! Eu tenho um comunista na minha casa!”
Na noite anterior eu estivera a ler a 25ª hora, de Virgil Gheorghiu, e não dormira. Foi a noite toda em claro a ler o livro que até hoje mais me entusiasmou sem conseguir descolar. Uma das frases que memorizara foi exactamente “carne para canhão”.
Esse acontecimento passou e, tenho a certeza, que apesar da minha rebeldia, o velho comerciante, deixou passar. Despedi-me com 25 anos de idade, por minha iniciativa. Bem que ele tentou que eu não o fizesse, com toda a honestidade.
A partir daí, nunca me interessei muito pela política partidária, embora, diga-se, sempre tentei saber tudo o que se passava à minha volta. O mesmo se passa com o futebol. Não gosto do desporto-rei, e não tenho qualquer simpatia por este ou aquele clube, mas aqui, neste desporto, nem me interessa saber. Como se isto fosse pouco sou agnóstico. Já vêm, somando estas parcelas, que sou muito pouco ortodoxo. Sou um desalinhado totalmente do sistema social. Ah…mas esqueci-me de dizer que gosto de fado, o que já não é de todo mau. Do aforismo Fátima, futebol e fado, vá lá, sempre se aproveita o fado!
Ora, como vêm, regressando ao início do texto, estou muito preocupado. Num país em que toda a gente gosta de futebol e tem um partido político de eleição, eu, sendo diferente para pior, está de ver, das duas uma: ou sou um nacionalista de “carregar pela boca”, ou então sou um comunista renegado da pior espécie. Ou seja, acabo por ser um mal-amado por uns e por outros, perdido neste universo homogéneo e unanimista que é a nossa sociedade de consumo político-partidária.
Sou uma espécie de alma esvoaçante, que numa equidistância intencional ou desligada do aparelho “religioso” anda à procura do seu deus terreno.
O que hei-de fazer? Já pensei em fazer terapia partidária, ou então, se esta não resultar, hipnose por regressão. Há qualquer coisa que não bate certo…

sexta-feira, 24 de abril de 2009

AMANHÃ HÁ FEIRA DE VELHARIAS EM COIMBRA




Como sempre, ao quarto sábado de cada mês, na Praça do Comércio, o senhor Joaquim e a esposa, vindos de Lisboa, estarão presentes com a sua exposição de velharias e antiguidades amanhã na Baixa.
Chegarão à cidade cerca das sete horas da manhã e colocar-se-ão junto do local onde costumam ficar para garantir o lugar.
Às 8 horas começarão a arrumar a sua banca. Aquele gramofhone de Edison, de funil comprido, de modelo tão diferente dos que costumam aparecer vai ficar mesmo no centro da grande mesa. O senhor Joaquim, como arquitecto a tomar medidas, vai olhar de um lado, de outro, e mais ao centro, a imaginar o cliente a bater com os olhos naquela peça, que será o “chamaril” da sua banca improvisada. Vai pegar num par de pratos de porcelana “Companhia das Índias” e colocará um de cada lado da caixa de reprodução de música. Como se estivesse a tecer um tapete de Arraiolos, toda a cobertura da mesa terá de obedecer a uma lógica matemática. Ele conhece bem todos os olhares do seu cliente, desde o primeiro que ditará a sua permanência ou não na sua banca. Por isso toda aquela exposição estudada ao pormenor. O senhor Joaquim não estudou sociologia, antropologia ou psicologia, mas a experiência empírica da vida licenciou-o. Ele conhece o ser humano como ninguém. A sua sensibilidade, quase extra-sensorial, ajuda.
São nove horas e a banca está quase completa, atapetada com todas aquelas obras de arte que o antiquário trata como filhos. Está agora com uma figura articulada de Bordalo Pinheiro entre mãos. Pega-lhe com carinho. Parece abraçar um menino de berço. A mulher-esposa de Joaquim, a Dona Efigénia, sendo mais racional que o homem, que apesar de estar casada com ele há mais de trinta anos, nunca conseguiu entender esta ternura do homem pelas peças que vende, num berro, já habitual, vai gritar: “Ó homem, despacha-te que são nove horas e tu para aí a afagar as peças, parece que nunca as viste!”
O senhor Joaquim, que conhece este sermão de cor e salteado, e até dá razão à mulher, vai arrumar o resto mais rápido. E finalmente está tudo. “Ufa!, que canseira”, pensa o vendedor para com os seus botões. Não está nada tudo! Falta a parte mais importante, o símbolo da sorte que vai ditar o dia de Joaquim. Vai ao saco pessoal, retira uma pequena caixa, e lá de dentro tira uma pequena imagem que beija com delicadeza. Mentalmente fará uma pequena oração: “meu querido Santo Onofre, mais uma vez preciso de ti hoje. Não me vais deixar mal, pois não?”
Como se pegasse num passarinho irá colocar esta imagem atrás do gramofhone, de costas voltadas para os compradores e virado de frente para si e para a sua mulher Efigénia.
E pronto! Está tudo arrumado. Olha o céu, com os raios solares a brincarem com os beirais, e pensa: “Hum! Isto vai pintar. Feriado e bom tempo, vai correr bem…”

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Bons exemplos


"O presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU e prémio Nobel da Paz, Rajendra Pachauri, declarou hoje que "a humanidade está a aproximar-se do precipício" e que Portugal parece estar no bom caminho para o evitar.
...
"Muito do que Portugal está a fazer pode ser uma inspiração para o resto do mundo", disse, apontando a maior central de energia solar no mundo e o que é feito com a energia das ondas e a energia do vento."

In Diário Digital


Devemos seguir neste caminho. Cria-se riqueza, criam-se empregos e afastamo--nos mais um pouco da dependência energética que nos atrofia o crescimento!

Em desespero de causa...


"Se alguém divulga um documento alheio difamatório para outrem, o divulgador também comete o crime de difamação. Se o crime for cometido através dos media, a pena será agravada. E se a vítima for um membro de órgão de soberania, também tem pena agravada. Além disso, se se tratar de documento de um processo em segredo de justiça, há também o correspondente crime. O problema é a lentidão da nossa justiça penal..."


Doutor Vital Moreira, In Causa Nossa


Parece-me uma opinião a ter em conta.

Não me parece difícil de perceber.

Faça-se justiça!


Ps: Caricatura de Henrique Monteito @henrycartoon.blogs.sapo.pt