sexta-feira, 5 de junho de 2009

Sabes onde fica a Rua Dr. Cid de Oliveira???






Vale a pena ver!

Agora é só explorar e actualizar!

Espero que não fique esquecido como outras funcionalidades e sites...


Ps: O Dr.Cid de Oliveira foi médico e editou inúmeras obras acerca dos benefícios das termas e em especial das Termas de Luso! Agradeço a quem tenha as ditas obras que escreva um postzinho...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

A FRASE DO DIA...




Nos casamentos não se deve aconselhar noiva; em eleições não se deve aconselhar o voto. Como em ambos a possibilidade de sair frustrada a prospectiva é quase de 100 por cento, o melhor é escolher você.
Vá lá!, no casamento, e desde que seja à espanhola, ainda posso, quanto muito, ser o padrinho; nas eleições, a única coisa que lhe posso indicar como sugestão é que vá mesmo votar. Vote em quem bem entenda, mas vote mesmo! Não lave as mãos como Pilatos…

UM PAÍS ATRASADO E DOIS ALTER-EGOS




Na terça-feira o Diário de Coimbra (DC), em primeira página, contava que “Tribunal manda reabrir loja Erótica”. Contava então o DC que “Numa acção de fiscalização em cumprimento de uma ordem superior emanada a nível nacional e levada a cabo em vários pontos do país, inspectores da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) determinaram, no dia 20 de Fevereiro de 2009, o encerramento da “Playground-Wanna Play?” erotik shop, sita no centro comercial Gira-Solum, em Coimbra. Para legitimar a decisão, a ASAE argumentou com artigos presentes em dois decretos-lei que remontam ao longínquo ano de 1976.”
Continuando a citar o DC, Um “dos argumentos invocados pela ASAE era a presença, a escassos metros, da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), fazendo uso do mesmo decreto nº 647/76, onde no seu artigo terceiro se lê que “os estabelecimentos de comércio de objectos ou meios de conteúdo pornográfico ou obsceno não poderão funcionar a menos de 300 metros de locais onde se pratique o culto de qualquer religião, de estabelecimentos de ensino, parques ou jardins infantis.
“Ontem, a juíza do 3º Juízo Criminal do Tribunal de Coimbra deu razão à proprietária da erotik shop ao confirmar que a ASAE não podia, nem tem poderes para fazer o que fez. (…)”, assim noticiava o DC este acontecimento.
Obviamente, porque apenas vou procurar incidir a minha análise sob o prisma social, não transcrevi alguns factos, embora sem relevância para o que pretendo defender. Também, e contrariamente ao que se possa pensar, não me vou debruçar sobre a intervenção da ASAE, e se a sua interpretação do citado diploma foi ou não a mais correcta. Para mim, isso aqui pouco conta.
O problema vem detrás. Muito detrás. Como se admite que leis que legislam sobre o costume continuem em vigor passados mais de trinta anos? A sociedade de hoje tem alguma coisa a ver com a de 1976, em que houvera dois anos apenas que saíramos de um regime autoritário?
Neste turbilhão de ventos de vontades, parece que temos três países distintos entre si a conviver hipocritamente numa amostra de nação sem ritmo em velocidade de desenvolvimento.
Metaforicamente, entremos nesta confederação de três países num só país. Comecemos pelo “país superdesenvolvido”, dos “jotas”: onde se ratifica, através da lei, a despenalização do aborto até às 10 semanas; onde temos uma lei vanguardista sobre a violência doméstica; onde está regulamentada a educação sexual nas escolas; onde está em estudo a legalização da eutanásia; onde está em curso a intoxicação da opinião pública para a distribuição gratuita de preservativos no ensino secundário; onde se pretende legalizar o casamento entre homossexuais.
A seguir temos o “país católico”, em que dizem professar esta religião mais de 90 por cento dos seus cidadãos maiores; é neste país irreal que, se dizendo laico, por causa de uma “catrafada” de “dias-santos”, numa economia deficiente como a que vivemos, ao longo do ano, se permite parar a quase cinquenta por cento; é aqui, neste reino de temor religioso, que se permite que uma actividade comercial, como a que cito no começo do texto, tenha de estar a mais de 300 metros de uma igreja ou estabelecimento de ensino.
Vem então o “país atrasado, hipócrita e falso-moralista”. Neste “país” fantástico, próprio das mil-e-uma-noites, do tempo dos califas, faz-se de conta que o tempo não corre, com leis como a que cito em cima, onde o sexo continua a ser tabu; onde, para adquirir um qualquer acessório de uso corrente na vida sexual, tem de ser às escondidas, pela calada da noite, pela internet, ou então numa loja, escondida num qualquer recanto escuro e nebuloso. Onde o cliente entra de óculos escuros, chapéu na cabeça, gabardina de gola levantada, e, a titubear, diz que foi um amigo que lhe pediu para comprar um vibrador; é neste “país surreal” que se pensa que a vendedora –normalmente, por acaso, só por acaso, brasileira- deve ser de outro planeta para estar ali a vender aquelas “badalhoquices” mas que a gente gosta tanto, e faz tanto jeito, de ter lá em casa –mas ninguém pode saber, caso contrário ainda nos rotulam de tarados; é neste “país de atrasados mentais” que se continua a permitir que a mulher se prostitua, sem dignidade, num qualquer pinhal à beira da estrada; é este “país medieval” que se opõe à legalização da prostituição; é este “país de faz-de-conta” que continua a permitir que os jovens adquiram drogas nas ruas, intensificando o tráfico, cortadas com substâncias tantas vezes mortais; é este “país subdesenvolvido” que se opõe que as drogas sejam vendidas em farmácias e com receita médica; é este país moralista que se opõe à legalização de bordéis e onde, livremente, se pratique “strip-tease” como coisa normalíssima, e onde se aceite a comunhão entre a arte, o porno e o erótico.
Por quantas mais décadas vai perdurar esta cumplicidade bacoca e pacóvia? Isso não sei. Mas o que posso dizer é que, socialmente, todos temos responsabilidades. Ninguém pode lavar as mãos como Pilatos, atirando a culpa para os nossos pais.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

BLOGUES COM CANCELA




Este blogue está aberto apenas a leitores convidados
Parece que não foi convidado para ler este blogue. Se pensa tratar-se de um erro, deverá contactar o autor do blogue e solicitar um convite.


Há pouco tentei aceder a um blogue. Para minha surpresa, recebi a nota que transcrevo. Bolas. Já tínhamos festas privadas, eventos oficiais de acesso restrito, só faltava mesmo a visita a blogues ser condicionada pelo convite. Até entendo, simplesmente, quanto a mim, deveria estar à porta uma secretária vestida a rigor –já agora, se não fosse considerado abuso, sugeria uma minissaia generosa e um decote até ao umbigo- para receber os pobres sem convite como eu.
É que não é por nada, uma pessoa fica com cara de parvo –quem não a tiver, obviamente. Em pensamento, somos assaltados pela dúvida: será por estar mal vestido? Será da falta de gel no cabelo? Ah…já sei, é das alpercatas, que apesar de as tentar engraxar bem, não consegue disfarçar os muitos quilómetros percorridos. É como a Efigénia, uma mocinha casadoira que conheço, coitadinha, ela bem se esforça para dissimular os apertos que tem levado por todos os homens lá da ruela esconsa onde moro. Ela compra cintas apertadíssimas, soutiens daqueles que elevam as mamas até à boca, meias apertadíssimas que mais parecem as caneleiras de guerra do tempo do Santo Condestável. Coitada! O que ela se esforça. Palavra de honra. Tenho tanta pena da Efigénia. Agora anda a pensar em fazer um “lifting”, diz que agora é rápido, sem intervenção cirúrgica, através de laiser. O problema é que não consegue patrocinadores. Os que usaram o produto, e deram cabo dele, agora, irresponsavelmente, fogem da pobre rapariga como se vissem o diabo. Depois é esta crise maldita que abafa tudo e põe tudo para baixo –até as mamas da Efigénia, coitadinha.
Calma! Eu bem sei que estava a falar de blogues e de repente passo para as mamas desta pobre alma que precisa de ajuda. Porque é que me dispersei? Sinceramente nem me lembro. Não devia ser nada importante…

terça-feira, 2 de junho de 2009

FRASES LAPIDARES




Hoje estive a conversar com uma pessoa –mulher, neste caso- que me atirou esta pérola: “eu sou uma intelectual, por isso, como estou acima do comum, eles que subam até mim!”.
Isto foi-me dito assim, sem mais nem menos. Normalmente, falando com os outros, vendo os seus deslizes, é que vejo as minhas idiotices. Ao apreciar os comportamentos gestuais e verbais, é como se estivesse a ver-me reflectido ao espelho. O problema é que tenho dificuldade em ser e tornar-me o oposto daquilo que normalmente critico.
Para me contentar, em acto de contrição, até digo: bolas! Mas eu nem sou nada como aquela fulana presunçosa, idiota e vaidosa. Mas será assim? Será que não tenho uns resquícios parecidos, e que, com o tempo, irei ficar assim ou pior? É que no caso em análise, a mulher tem mais de 60 anos. Embora ainda me faltem uns anitos, mas já vou a caminho. Depois, o que me deixa preocupado, é que a mulher escreve como eu. O quer dizer que não tenho salvação possível para entrar no reino dos humildes. Não sei se já alguém disse um dia –se não disse, digo eu-, que quem escreve –incluindo escritores, porque não é a mesma coisa- é naturalmente arrogante com quem o faz e não faz. Chegamos a sê-lo com “colegas” do mesmo ofício. Dizendo mal de A, B e C. Basta dar uma volta nos blogues. Não é só a ideologia, a política partidária, a religião (ou a falta dela) que estão em causa. É cada um que escreve sentir que está muito acima do outro. O outro é declaradamente, sob o prisma do seu conceito, um pateta. Deveria era estar quieto. Tem algum jeito continuar a escrever? E porque escreve ele? É viciado na escrita? “Vade rectro”, Satanás! Não pode ser boa peça, pensam em surdina. Esquecem que, enquanto humanos e rotineiros de hábitos, todos somos viciados em algo. Pode até ser na bica; no jornal diário; no café que diariamente frequentamos; na telenovela que seguimos diariamente; nas notícias que nos matraqueiam a mente com a crise internacional e aumenta a crispação com a cara-metade; naquele “tintolas” que abusamos ao jantar; aquele “charrozito” que descomplexa e faz voar; aquele filmezito pornográfico que, quando a “mais-que-tudo” já está dormir –porque ela não alinha nessas coisas-, nos excita e nos amanda naquela orgia louca e faz despertar a tal fantasia sexual que teima em nos matraquear a mente, e que nunca mais se realiza por causa do conservadorismo da Maria, que não vai lá com ramos de rosas, viagens prometidas às Bahamas ou até o tal cordão de ouro. O raio da mulher não descola. Teima em dizer que isso é imoral e pronto! Está dito!
Somos complicados com o “caraças”, não somos? Pois somos. E o problema é que temos de continuar humanos. Não há alternativa ou alternância. Fugi ao tema inicial? Se calhar dispersei-me mesmo. Mas que quer? Sou humano. Está tudo dito…

A DESORDEM DA ORDEM





Como se sabe, ontem, na RTP1, no programa “Prós e Contras”, houve um alargado debate em torno do Bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho e Pinto.
Ouvi, e vi, com atenção, na esperança de ficar mais esclarecido em relação à actuação do timoneiro dos causídicos. Confesso que se estava baralhado confuso fiquei. O que vi ali, como certamente outros se aperceberam, foi um “faroeste” num xerifado. Todos disparavam e se agrediam mutuamente, mas todos eram amigos, segundo diziam. Estranha amizade aquela. Advogados! Dirá você, num meio de um bocejo.
Que deve haver muitas maçãs podres no seio da classe também não fiquei com dúvidas. Que fiquei ainda mais confuso do que já estava em relação à personalidade de Marinho e Pinto também é verdade. Que deve ser uma pessoa de extrema sensibilidade não duvido. Que é bipolar –no sentido de actuar nos pólos, ou seja tão depressa dá a camisa como, em caso de refrega, pode desnudar o outro- tenho a certeza. Perante aquelas desoladoras imagens de desentendimento –afinal nem me deveria admirar. O que vimos ali é o que se passa em todos os sectores da sociedade, é o que se passa no país. É assim no funcionalismo público em geral, é assim nos sectores primário, secundário e terciário.
Aqui, no rectângulo “do todos reivindicam, todos têm um diagnóstico e sabem o que é preciso fazer”, mas depois a força esvai-se em discussões fúteis como a que assistimos ontem, com os interesses conflituantes de uns e de outros.
O bastonário, em metáfora, pareceu-me um transmontano -puro, sério e bom, embora truculento a lidar com os citadinos, hipócritas, interesseiros e imberbes- caído no meio de uma cidade cheia de burgueses cheios de vícios. Aliás, constatei isso quando ele, sozinho como Robin dos bosques, se insurgiu contra o tratamento preferencial –trata-se de dar preferência ao advogado num qualquer serviço público. É lógico que tem razão. Alguém numa fila gosta de se ver ultrapassado por outro qualquer? Ainda se lembram do “caso do Multibanco” em Coimbra? Pois, eu conto. Segundo os jornais à época, estava uma fila de várias pessoas para uma máquina de levantamentos de multibanco. Veio um juiz, em serviço no Tribunal Constitucional, e, sem explicações, colocou-se à frente de todos. Um dos pacientes –que infelizmente já não está entre nós- da fila insurgiu-se contra a má-educação do magistrado e este mandou prendê-lo. Digam lá está certo o que o juiz fez? O bastonário tem ou não razão em estar contra o tratamento de preferência?
Apesar de continuar perdido sem fio condutor, ainda que discorde um pouco da forma de actuação em detrimento do conteúdo, acho que Marinho e Pinto poderia ter dado um bom bastonário. Não está certo em tudo. Mas na maioria está. Uma oportunidade perdida pela recuperação da imagem da justiça. Uma pena!

sábado, 30 de maio de 2009

ESCREVER POR ESCREVER...




Eu escrevo da mesma forma que um alcoólico bebe um copo. Ele bebe qualquer “zurrapa”. Eu escrevo sobre qualquer merda. Ele, desde que dê pancada na tola, bebe. Eu, desde que ocupe os dedos e a mente, escrevo. Onde, naquela forma de vida, vai conduzir aquele viciado? Sei lá, provavelmente ao cemitério. E a mim, esta forma de adictício, onde me leva? Sei lá! Provavelmente a uma qualquer consulta de psiquiatria.
Pode ser, in extreminis, que alguém próximo do alcoólatra, ou, pelo contrário de longe, repare nele, e, num simples pormenor, que até aí nunca ninguém houvera notado, diz para si: “o que se passará com este tipo? Ele é diferente. O que o teria empurrado para o cano?”
Vai daí, fazendo um contrato com o seu alter-ego, resolve fazer a acção da sua vida e tenta salvar aquela pobre alma errante que vagueia pelas margens da humanidade.
E eu, para me salvar desta consumição, o que preciso? Primeiro entender a minha necessidade de escrever. O que me move? Necessidade de notoriedade? Será como aquele estudante que, no meio da multidão, lança um cartaz no ar a dizer “mamã, estou aqui!". O que quero dizer, é que, no meio dos imbecis, eu quero ser um imbecil notado. Será isso? Ou será que, julgando-me mensageiro, interiorizando que tenho algo a transmitir aos vindouros, escrevo como missão? Talvez julgando-me um novo Moisés, pense que tenho de escrever os cinco livros do apocalipse e tenha de conduzir o meu povo (que povo?) até ao limiar da Terra Prometida –mas que Terra Prometida?-, e, se preciso for, dividir um mar ao meio. Bom se não conseguir um mar –o ideal era ser vermelho, para seguir as pisadas do Mestre-, pode até ser um pequeno lago. Tem é de ser qualquer coisa com água. Noutra impossibilidade, pode ser, por exemplo, de um balde com água, conseguir dividir o mesmo líquido por dois. É difícil, não é? Pois é. Lá isso é. Mas pode ser que eu consiga. Eu sou muito esforçado. Tem de ser qualquer coisa que possa, no futuro, vir a ser encarado como um feito extraordinário, um possível milagre.
Agora que estou a reflectir no meu caso, acho que não tenho mesmo salvação. Tenho mesmo de ir a correr para um psiquiatra. Mas qual? Se eu não acredito em nenhum? Ai! Acho que estou mesmo nas últimas. Ai, estou mesmo! Ou não estarei? Ainda consigo rir-me de mim próprio, se calhar ainda tenho uma pontita de salvação. Vou mas é falar com o alcoólico, e saber com o é que vai a sua vida…

quarta-feira, 27 de maio de 2009

UM PARTO DIFÍCIL COMO Ó CARAÇAS!





Exclusivo SOL
Dias Loureiro renunciou ao Conselho de Estado
Dias Loureiro apresentou a renúncia ao cargo de conselheiro de Estado numa audiência com Cavaco Silva ao início da tarde. E vai pedir ao PGR para ser ouvido no âmbito do processo BPN

(FOGO! FOI UM PARTO DÍFÍCIL. PAPÁ, CAVACO, FARTO DE LIMPAR AS GOTÍCULAS DE SUOR DA FRONTE, ESTÁ FELIZ. O PADRINHO, JOSÉ DE OLIVEIRA E COSTA, “ARREGANHA A FATEIXA”.)

A FRASE DO DIA...




Às vezes queremos parecer tão imparciais, tão imparciais, que em nome dessa imparcialidade prejudicamos os nossos amigos, tantas vezes os nossos filhos. Segundo um amigo meu, chama-lhe a síndrome do cúmulo da imparcialidade. Para melhor percebermos, ilustra com uma metáfora: “imagina que eu sou o treinador. O meu filho joga na equipa principal. Então para não me acusarem de parcialidade, nunca o coloco a jogar. Ou seja, em nome dessa horrível imparcialidade, prejudico o meu filho…”

POIS NÃO! ESTÁ BEM ABELHA...




Juízes: Sistema de Justiça "não é tão mau" como alguns querem transmitir - associação
27 de Maio de 2009, 13:57

Lisboa, 27 Mai (Lusa) - O presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) considerou hoje que o sistema de Justiça "não é tão mau" como algumas avaliações "pouco objectivas" pretendem transmitir.
António Martins, que falava no final de uma audiência com o Presidente da República, no Palácio de Belém, em Lisboa, disse que muitas das avaliações que têm sido feitas ao actual estado da Justiça "não são as mais adequadas nem as mais objectivas" e que o sistema judicial "não está tão mau como se quer fazer pintar para ai com objectivos errados".
"Não depende só dos juízes a forma como a Justiça funciona e nós não podemos ser responsáveis pelos outros actores do sistema", afirmou.

(POIS NÃO...NÂO É TÃO MAU, NÃO. É PIOR!)

terça-feira, 26 de maio de 2009

UMA JUSTIÇA COM MEIOS MODERNOS, PRECISA-SE





Como se sabe, nos últimos tempos, cada vez estalam mais polémicas em torno da justiça. Então, com a eleição do actual bastonário dos advogados, Marinho Pinto, as acusações na trilogia Ministério Público, Juízes e a Ordem dos Advogados (AO), na pessoa do bastonário, estão ao rubro.
Para aumentar a confusão, Marinho Pinto, para além de já ser pedida a sua destituição no interior da instituição a que pertence, ganhou mais uma guerra com a polícia Judiciária (PJ) ao constituir a AO como assistente no julgamento do ex-coordenador daquela polícia, Gonçalo Amaral e mais quatro colegas por sevícias a Leonor Cipriano, personagem trágica do “caso Joana”.
Diga-se o que se disser de Marinho Pinto, mesmo que se discorde do método, uma qualidade ninguém lhe pode retirar: é a sua constante chamada de atenção para uma inoperante, arcaica, e lenta justiça.
A nossa justiça, com o direito em suporte, é maniqueísta. Ou é preta ou é branca. Como quem diz ou é culpado ou inocente. Como a culpa ou a inocência é baseada na presunção, significa que quanto mais se apostar nos meios de defesa, maior é a probabilidade de se inocentar um culpado. O que quer dizer que os meios materiais são condição “sine qua non” para uma defesa que possa ser classificada de justa. Pelo silogismo, quer dizer que temos uma justiça a duas velocidades. O que quer dizer que no âmbito da justiça –na pobreza extrema, apesar do direito garantístico de defesa- se pratica a iniquidade, a injustiça na condição social dos mais desfavorecidos.
E poderia ser de outra maneira? Creio que sim. A bem do futuro de todos, da dignidade da própria justiça, os meios de prova terão de mudar muito. "Guilt or not guilt", esta sentença ou acórdão, não deverá continuar apenas a assentar essencialmente na presunção e na convicção de quem julga. A bem de todos os intervenientes, é necessário alargar a abrangência de provas.
Já se sabe que o nosso direito foi beber os princípios ao direito Romano, e que hoje, quase passados três milénios, se mantêm inalteráveis. Sabe-se também que as leis, habitualmente, andam sempre atrás do costume. Só quando este se torna norma consuetudinária é que então o legislador intervém para dirimir conflitos emergentes. Mas este paradigma não pode explicar a lentidão da “Iustitia”.
Recorrendo um pouco à filosofia do direito, em que se afirma que “vale mais mil culpados em liberdade do que um inocente preso”, será que, em pleno século XXI, este princípio fará algum sentido?
Por que não utilizar livremente –sem mandado do juiz- os meios digitais de que dispomos hoje na procura da verdade? Tais como gravações áudio, filmes e outros meios de prova? Com uma criminalidade de ponta, do século XXI, fará algum sentido uma justiça com princípios arcaicos de há vários milénios em que na conflitualidade não tem qualquer comparação com esse tempo? Não quero dizer que todos tenham de ser reformados. Entendo que o valor vida deverá estar sempre acima, “prima facie”, de todos os actos judiciários. O que quer dizer que sou naturalmente contra a pena de morte e contra a tortura como meio de obter prova a qualquer custo.
É evidente que o que estou a escrever só faz sentido para mim. Muitos dirão, invocando Direitos Liberdades e Garantias Constitucionais, que só um louco defenderá tais medidas. Acerrimamente, bater-se-ão pelo direito à imagem e reserva da vida privada. Logo invocarão que o “valor” liberdade está acima de qualquer “valor” segurança. Dirão mais: “que só quem nunca foi livre abdica de um pouco sua liberdade em prol da segurança. Mas aqui teríamos de entrar no étimo “libér”, que significa de condição livre, independente. Ora, sem segurança alguém consegue ser livre? Filosoficamente, a liberdade é uma utopia. Em sentido amplo, é a independência relativamente às influências externas ou capacidade de autodeterminação. Haverá alguém humano não sujeito às influências externas? Verdadeiramente ninguém é livre, todos sofremos opiniões susceptíveis de alterar o nosso comportamento e subsequentemente a nossa independência e autodeterminação.
Nos últimos anos, com objectivos economicistas apenas e só, o Estado, desonerando-se da sua fundamental função reguladora de segurança dos nacionais, apregoando princípios de reinserção, espalhando a doutrina dos direitos humanos, que serve para todos os agressores mas não serve para as vítimas, tem vindo, na sua coercibilidade, a ser cada vez mais brando nas penas, a ponto de ser humilhado pela grande criminalidade.
Voltando ao caso das agressões a Leonor Cipriano na Polícia Judiciária, por que razão não deveriam ser autorizadas câmaras de vídeo na Polícia Judiciária e nas esquadras? Por exemplo todos os interrogatórios deveriam ser obrigatoriamente gravados e filmados. Se assim fosse, o ex-inspector-coordenador da PJ, Gonçalo Amaral, mesmo não tendo sido condenado por tortura –contrariamente às afirmações de Marinho Pinto-, ter-se-ia livrado da dúvida e do posterior estigma condenatório popular. Porque não colocar câmaras de vídeo nos julgamentos dos tribunais? Contrariamente ao que se afirma, a meu ver, tais medidas, em caso de recurso, defenderiam muito mais os réus do que o actual estado de registo áudio –que mesmo assim, depois de autorizado judicialmente, já é um avanço no tempo arcaico da justiça.
Marinho Pinto, com toda a sua intempestiva emotividade, invoquem-se mil argumentos contra a sua forma de procedimento, deixa marca na justiça. Não tenho dúvida que no futuro muito do que ele –para alguns- escreveu na água vai ser tudo aproveitado em favor de uma justiça que todos desejamos mais justa e actual.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A(S) FRASE(S) DO DIA...




Devagar, devagarinho, chega a água ao moinho e esta, lentamente, com passos a parecer gente, faz mover as pás da mó, que duma forma sem dó, esmaga todo o cereal; como se fosse animal, quase sem piedade, transforma em farinha, um grão de trigo de vontade; ganha anseios o moleiro, que na venda ganha a vida, para a seguir um concorrente, vendo nele um novo Midas, que ouro faz tocando a mão, esquecendo que é esforçado o sucesso de ocasião; o rival invejoso, que só trabalha pelo lucro, esquecendo que é o gozo que, como luz faroleira, ilumina o moleiro, protege e o afasta da asneira, e o conduz em religião; e o moleiro, coitado, suado na salvação, pensa para com seus botões, como é grande o aldrabão que o segue sem questões, como se ele fosse o timoneiro; moleiro prazenteiro trabalha em missão, não busca apenas o lucro, quer apenas união, saboreia o prazer, em grossos pingos de suor no rosto, não procura ter um posto, acima daquele que tem; o dinheiro é maldito, muita gente lhe tem dito, é viscoso e não tem cheiro, pensa para si o moleiro.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A(S) FRASE(S) DO DIA...




É mais fácil partir um bloco de pedra com a cabeça do que mudar os hábitos às pessoas. Todos nós, humanos, somos animais de rotinas, de usos e costumes arreigados, mas custa a entender a resistência a uma necessária mudança. Sobretudo quando (todos) nos apercebemos que, a continuar nos vícios adquiridos ao longo do tempo, se não invertermos caminho, mudando, caminhamos para o abismo e arrastamos quem estiver ao nosso lado.
Fincamos pé. Teimamos numa razão que não nos pertence, apenas e só, para demonstrarmos (aos outros) que somos pessoas de palavra. No limite, como jumentos, pomposamente, até afirmamos com ar balofo: “eu sou coerente”. Como se a coerência tivesse alguma coisa a ver com a estupidez.
Estou a lembrar-me de tantas pessoas que, estupidamente, em nome dessa dita e maldita coerência, não mudam. Estão alheios à mudança.
Estou a lembrar-me de um casal (que conheço bem) que se divorciou no ano passado. Têm três filhos. Estiveram casados 23 anos. E o que tem isto de especial, pergunta você, leitor? Tem muito. É que eles amam-se verdadeiramente. Não passam, um sem o outro, embora digam (para os outros) cobras e lagartos de cada um contrário. Cada um deles está já com uma nova companhia. Quando perguntam à mulher sobre o ex-marido, a primeira frase que sai é: “o meu homem não presta para nada!”. Repare, estão divorciados há quase um ano e ela diz: “o meu homem…”
Quando perguntam ao homem como vai a sua ex-mulher, igualmente, responde: “ a minha mulher é assim, assado…”. Podem enganar todos, mas não conseguem enganar o seu próprio coração.
Já apostei que não tardará um ano e estarão novamente juntos.
Mas então, o que está a complicar esta relação? O orgulho. O orgulho besta e “semiesco”. A resistência à mudança. Nenhum deles quer abdicar de nada. Ambos querem ganhar. Cada um deles está á espera que o outro apareça à sua frente a pedir “batatinhas”. Para, duma forma prosaica, poder dizer aos amigos: “foi ela (ou ele) que se curvou a mim e aceitou que eu é que tinha razão…”
É triste, não é? É infinitamente triste. E para mais quando são pessoas que gostamos, que conhecemos muito bem e, mesmo apesar disso, nada podemos fazer.
Também é quase um abuso eu supostamente ir escrever uma pequena frase e escrevi este longo texto. Ora bolas! Bem prega São Tomás! Não há forma de eu mudar…

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A INTERNET E A MANIPULAÇÃO

(RECEBI NO MEU E-MAIL ESTA MAGNÍFICA FOTO -É MESMO, É SIMPLESMENTE ESPECTACULAR- E O TEXTO QUE REPRODUZO, SEM VÉNIA AO SEU AUTOR, QUE NÃO FAÇO A MÍNIMA IDEIA DE QUEM SEJA)


"boa tarde a todos

Vinha novamente incomodar-vos para vocês votarem numa foto minha que está a concurso no site da Nestlé. http://www.campanhanestle.com.pt/maxibon/GaleriaDetalhe.aspx?ParticipacaoID=171
E um favor que estou a pedir a todos, para votarem não é necessário registarem-se no site, basta clicarem em votar e depois confirmarem o voto.
Alguns podem ficar a pensar que é uma forma injusta de ganhar estes passatempos, não este tipo de passatempos destina-se exactamente a isso, obrigar os participantes a divulgar o site e o produto de forma a obter mais votos, ou seja normalmente ganha quem divulgar melhor o site.
Por isso vinha com todo o respeito pedir para clicarem na hiperligação abaixo e votarem na foto em questão.
http://www.campanhanestle.com.pt/maxibon/GaleriaDetalhe.aspx?ParticipacaoID=171
Desde já o meu obrigado e se algum de vocês resolver participar também, terei todo o prazer em votar na vossa foto
Obrigado e os meus mais sinceros cumprimentos."



O que vou dizer parece La Palisse: o meu e-mail é como a minha caixa de correio tradicional. Nesta, cai lá tudo. Desde a publicidade a vibradores, das grandes superfícies comerciais, a um espectáculo de música, até às mensagens religiosas dos Jeovás.
Mas no meu “mail” é pior. Para além de uma pequena parte que descrevi em cima, ainda recebo pedidos para comentar blogues, concursos, como o que mostro em cima, e, isto é que me irrita profundamente, volta e meia lá recebo mensagens do tipo, “reencaminha esta mensagem a 20 pessoas. Se o não fizeres pode acontecer-te o pior. Manuel, recebeu-a e não fez caso, no dia seguinte morreu-lhe o gato persa e logo a seguir partiu uma perna”.
Como nunca obedeço a nenhuma destas solicitações, e muito menos às de reencaminhar mensagens, está mais que visto, está explicada a razão por que nunca ganho um premiozinho no Euromilhões; apesar de andar sempre a olhar para o chão, nunca acho uma carteira cheia de dinheiro, ou, no mínimo, uma notita de 20 euros, embrulhada com mil cuidados. Só pode ser isso! Não encontro outra explicação para o meu infortúnio. Vá lá, no mínimo, se tendo azar ao jogo, ao menos fosse sortudo no amor, pronto!, dava-me por vencido. Mas qual quê? Nenhuma mulher olha para mim com aqueles olhos libidinosos. Sabem? Daqueles olhares fulminantes, de luxúria, à “mata hari”. Nada! Nem a minha vizinha, a dona Perpétua, coitadinha, que tem noventa anos, e está viúva há mais de cinquenta, nem ela olha para mim com um olhar de jeito. Ora, fazendo o balanço da situação, só pode ser dessas malditas mensagens. Estão a dar-me cabo da vidinha. Só pode ser isso!
Já tentei tudo. Palavra de honra. Já comprei o Livro de São Cipriano, já me deram duas ferraduras, já tenho uma imagem de Santo António, mas qual quê? O santinho, perante tais mensagens maléficas, parece encolher-se todo. Se não me engano, às vezes dá-me a sensação que até transpira.
Ora bolas para isto…não tenho sorte nenhuma!

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE O EXTRAORDINÁRIO LEONARDO...)




Lisa disse...
Conhecer o Leonardo é uma sorte... é difícil chegar a este momento e pensar no que aconteceu.
Conheci, somente, o Leonardo o ano passado (em 2008) e tenho muita pena de o não ter conhecido antes.
Posso garantir que nunca vi, uma pessoa tão justa e, sobretudo, humana, como ele.
Ensinou-me muitas coisas e sempre admirei a sua filosofia de vida. Conversar com ele era simplesmente esclarecer todas as dúvidas que tinha.
Felicito a minha colega Soraia Lopes pela iniciativa.
No dia em que me deram a trágica notícia, não consegui acreditar e pensei "como é que a vida pode ser tão injusta? como é que Deus pode permitir uma coisa destas?"
bem a verdade é que há coisas que estão fora de nosso alcance e naquele dia o Leonardo fez a sua escolha.
Onde quer que estejas, digo-te "obrigada por tudo"
um abraço enorme
Lisa Fulgêncio
20 de Maio de 2009 23:41

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O EXTRAORDINÁRIO LEONARDO...






(UMA AMOSTRA DO EXTRAORDINÁRIO TALENTO DE LEONARDO BRAGA PINHEIRO)


Leonardo nasceu nos Açores, mais propriamente em Vila Franca do Campo, São Miguel. Desde menino foi sempre um ser especial. Muito tímido, mas essa imanente reserva era compensada pela sua extrema sensibilidade. Parecia ler o interior dos seus semelhantes. Quando falava com alguém, parecia dotado de presciência, quase sempre adivinhava o que o outro ia dizer.
Em Vila Franca do Campo todos gostavam de “Leo”. Não tinha muitos amigos. Talvez o maior de todos fosse o seu irmão “Manel”. A amizade era um sentimento muito especial para ser desperdiçado de qualquer maneira, costumava dizer.
Desde cedo Leonardo se sentiu próximo de Deus. Era profundamente místico. Sentia que Ele era o seu guia e protector. Sentia-se tocado por Ele, pela Sua omnipotência.
Era mais fácil vê-lo sozinho do que acompanhado. Sentado naquele penhasco sobre o atlântico, com o olhar perdido no horizonte, Leonardo parecia voar sobre as nuvens, atravessando oceanos e o cosmos. Quando caminhava pelas veredas estreitas do casario da ilha, aparentemente perdido, olhando demoradamente, parecia gravar na memória os gestos, o olhar da “ti” Ana. “Leo” era um nefelibata, parecia andar sempre nas nuvens, como se não apercebesse a realidade. Entendê-lo mesmo, verdadeiramente, só mesmo a sua mãe. Entre os dois parecia que o cordão umbilical não tinha sido cortado fisicamente à nascença. Continuavam ligados de corpo e alma.
Na escola básica e no secundário foi um aluno médio. Os professores sempre acharam que Leonardo, se quisesse, poderia ir muito mais longe.
Quando acabou o ensino liceal veio para o continente, mais propriamente para Coimbra. Foi aluno de Medicina Veterinária, na Escola Vasco da Gama. Mas este curso não o motivou. Muitas vezes os seus amigos o apanharam a contemplar as águas calmas do Mondego ali ao lado. Anteviam, apenas, nesse gesto de aparente nostalgia, a saudade da sua ilha longínqua e as águas transparentes do Atlântico. Sempre que podia andava com a sua companheira: a sua máquina fotográfica. A fotografia era o seu mundo. Era através dela que Leonardo expressava a sua sensibilidade. “Leo”, através dos retratos, era um caçador de expressões sentimentais. Era como se ele, tratando a impressionabilidade por tu, com poder extra-sensorial, conseguisse, através da máquina, ver o que ninguém mais via. As suas fotos não mostram apenas paisagens ou pessoas, mostram, isso sim, o âmago, o interior das coisas, o espírito, a alma da pessoa retratada.
Em Coimbra deixou uma marca profunda em quem conviveu de perto com ele. “Era um ser único! Uma pessoa muito meiga, muito querida, justa e muito sensível”, enfatizam num acordo de saudade.
Como a veterinária não lhe dizia nada, Leonardo transferiu-se para a Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra, onde era aluno em 2008.
Quis o destino, naquele ano de 2008, encurtar a vida de Leonardo. Como ladrão, este fado, esta fatalidade, este acaso, com 25 anos apenas, roubou-nos precocemente um talentoso artista, talvez, se tivesse tido tempo, o maior fotógrafo de todos os tempos.
As suas imagens, obras-primas deixadas à humanidade como testemunho da sua passagem por este mundo, são um monumento à vida que Leonardo não viveu. Dê uma alegria aos seus olhos, dê alento à sua alma. Venha comprovar tudo o que lhe disse até aqui. Vá na próxima sexta-feira, dia 22, e na segunda a seguir, até quarta, dia 26, visitar a primeira grande exposição de fotografia “PINTAR COM LUZ” –“Homenagem a Leonardo Braga Pinheiro”, à Escola Superior da Tecnologia da Saúde, em São Martinho do Bispo, em Coimbra.
Pode também ver esta belíssima exposição de imagem na Baixa. Estará patente no Café Santa Cruz no próximo sábado, dia 23, e a partir de quinta-feira, dia 27, e até 31 deste mês de Maio.
Um agradecimento muito especial à sua amiga de sempre, a Soraia Lopes, que contra ventos e marés, tudo fez para que a memória do seu amigo não se perca e acreditando sempre que Leonardo, através da obra deixada entre nós, não desapareceu. Está bem “vivo” entre nós através daquelas extraordinárias fotografias.

terça-feira, 19 de maio de 2009

QUANTAS MAIS MICRO EMPRESAS TERÃO DE MORRER?





Segundo os jornais do último 15 deste mês, 18 mil micro empresas encerraram desde Janeiro até essa data. No Jornal de Notícias (JN), citando o presidente da Associação das Pequenas e Médias Empresas (ANPME), Fernando Augusto Morais, “há micro empresários a falir todos os dias”. Só nos primeiros 13 dias deste mês (Maio) “90 empresas fecharam as suas portas” , exemplifica o responsável, lembrando que desde o início da crise, em Setembro de 2007, até 31 de Dezembro de 2008, “encerraram 40 mil empresas de pequena dimensão”. Para Fernando Augusto “a situação é crescente”. Em Portugal, existem cerca de 160 mil micro empresas”.
Continuando a citar o JN, “estes encerramentos “criam constrangimentos à sua volta”, alerta por seu turno Eugénio Fonseca, presidente da Caritas Portuguesa, instituição que nos últimos tempos tem recebido pedidos de ajuda de empresários “de todo o país”. “Muitos dos que nos procuram fazem parte da classe média baixa, mas também já há muitos da chamada classe média alta, com outro tipo de projectos que faliram, explica.”
Ainda segundo o JN, “De acordo com dados divulgados à Lusa pela Associação Industrial Portuguesa, as micro empresas empregam 28 por cento dos trabalhadores, mais três por cento do que as grandes empresas. Nestes casos, tentar salvar a empresa “é sinónimo de salvar a família”. “São projectos de vida que estão em causa” e muitos proprietários acabam por investir o seu património pessoal.”
Para o presidente da Associação Nacional de Jovens empresários (ANJE), Armindo Monteiro, “tem estado a fechar empresas que até agora sobreviviam a tudo e a todas as circunstâncias. O empresário tem sempre a tentação de ir até ao limite, dando o património pessoal como garantia da empresa, lembrando que quando as coisas correm mal os empresários nem têm direito a subsídio de desemprego: “Têm de pagar as dívidas e não têm nenhuma forma de rendimentos. É muito injusto”. É um drama. Neste tipo de empresas há relações familiares ou de quase família. Têm apenas três ou quatro postos de trabalho e por isso criam-se relações muito estreitas que se vão construindo ao longo dos anos”, lembra o presidente da ANJE.
Continuando a citar o JN, na pessoa do presidente da Caritas portuguesa, “Alguns além de não receberem subsídio de desemprego, ainda correm riscos de penhoras, porque na tentativa de fazer sobreviver as suas pequenas empresas deixaram de pagar ao fisco e à Segurança Social”.
Nesta reportagem do JN, penso, está tudo dito. O que será preciso para o governo ir muito mais além do que a linha de crédito PME Invest 4, num valor global de 400 milhões de euros, 200 milhões dos quais destinados a apoiar as micro e pequenas empresas? De que vale o crédito se ele apenas será possível para as empresas que não tiverem dívidas ao fisco e à Segurança Social? Não será um contra-senso? Quem mais precisa não tem acesso. Até lá, quantas mais micro empresas terão de morrer para que seja aberta uma linha de sobrevivência? Que responda quem souber…

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Faltava este!


Afinal ainda se faz Cultura no Luso!!
O Alcides enviou-me os cartazes mas o Luís antecipou-se (e muito bem!)!
Venham mais!

sábado, 16 de maio de 2009

A 7ª SEMANA CULTURAL DO LUSO BUÇACO





Vai decorrer no Luso e no Buçaco, de 21 a 27 de Maio, a 7ª semana cultural.
Na Quinta-feira, dia 21, no Buçaco, começará com a ancestral e tradicional Romaria de Ascensão. Às 10 horas será inaugurada a “FEIRA À MODA ANTIGA”. Pelas 15 horas haverá actuação de vários grupos folclóricos.

No Sábado, dia 23, no Luso, pelas 10 horas, será a abertura da “FEIRA DE ARTES TRADICIONAIS”; às 16 será a “GINCANA DE BICICLETAS”; às 19, seguir-se-à a actuação dos “DIXIE KOL GANG”, da Pampilhosa, e às 21,30, no Casino, haverá teatro de Revista, com a peça “Recordar é viver”, do grupo Artístico e Cultural “Rouxinóis” de Anadia.

No Domingo, dia 24, no Luso, pelas 10 horas, continuará a “FEIRA DE ARTES TRADICIONAIS”; às 15 haverá “JOGOS TRADICIONAIS”; e às 18 actuará o Grupo Folclórico “AS TRICANAS” de Luso.

Ainda pode ver mais, e inserido nesta 7ª Semana Cultural do Luso-Buçaco, de 21 a 27 deste mês de Maio, no lindíssimo Casino de Luso, uma exposição de fotografias sobre o tema “Luso-Buçaco: à descoberta da nossa terra”.

Hum! A coisa promete. Se você, leitor, mesmo conhecendo bem o Luso, ou pelo contrário, aproveite esta plêiade de bons eventos e venha daí até lá. Posso garantir-lhe que se come muito bem, e a seguir, para digerir, dê um passeio até à “nova recauchutada” Fonte de São João e prove a melhor água do mundo. Vá por mim…

quinta-feira, 7 de maio de 2009

BAIXA: "DESEJO-LHE BOA SORTE"


(EMBORA ESTE TEXTO SEJA RESPEITANTE A COIMBRA, COMO SEI QUE ESTES PROBLEMAS SÃO TRANSVERSAIS TAMBÉM AO CONCELHO DA MEALHADA, POR ISSO O INSERI NESTE BLOGUE)



Como já escrevi aqui (no blogue Questões Nacionais), faço parte de um grupo de comerciantes da Rua Eduardo Coelho que, vendo a situação calamitosa em que se encontra o comércio de rua, nomeadamente o centro histórico, em que quase todas as semanas encerram lojas, nos dirigimos à APBC, Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra, e à ACIC, Associação Comercial e Industrial de Coimbra, para que, todos juntos, estabelecêssemos um plano que visasse a inversão deste dramático problema.
Apesar de alguns de nós não serem associados, imediatamente estas duas entidades se disponibilizaram e, numa mesa, estabelecemos planos imediatos e a médio prazo. No tocante aos imediatos, entendemos que deveríamos recuperar os sábados todo o dia. Numa primeira impressão, não se entende como é que, nos tempos difíceis que passamos, a maioria das lojas continuem a encerrar às 13 horas. -Seria injusto se dissesse que não entendo alguns deles, sobretudo estabelecimentos com pessoal. Muitos deles têm problemas adstritos à legislação do trabalho e que não são fáceis de resolver. Mais à frente falarei de alguns deles.
Estão em curso várias iniciativas, em que se pede a colaboração da Câmara Municipal e das Juntas de Freguesias. Não vou aqui esmiuçá-las. A seu tempo, em conferência de imprensa, a APBC, as apresentará.
A partir de ontem, tenho tirado a manhã, para, de loja-em-loja, andar a pregar a minha mensagem. A todos, em ladainha, digo: as coisas estão muito más, como sabe, peço-lhe, em nome de todos, que mantenha o seu estabelecimento aberto aos sábados todo o dia. Para parecer Santo António, já que tenho o nome António, só me falta o hábito.
Posso dizer, com certeza, e também com satisfação, que cerca de oitenta por cento estão de acordo, de que é preciso começar por algum lado. Temos de fazer alguma coisa para evitar o genocídio desta classe comercial.
Mas, então, o que argumentam os outros 20%? Acredite, leitor, é um desconforto, para mim, transcrever aqui o que dizem, mas vou fazê-lo. Uns dizem: “o quê, eu trabalhar ao sábado de tarde? Nem pensar! É o único tempo que tenho para cuidar do meu quintal. Desculpa lá, mas não vou deixar de fazer isso!”
Outros, saem-se com isto: “Oh…trabalhar ao sábado todo o dia, para quê? Já aos outros dias normais pouco se faz. O melhor que se fazia era encerrarmos todos ao sábado durante todo o dia!”
Outros ainda: “Ora, ora, isto não vai resolver nada! Não deveria ser assim. Deveria haver outras medidas!” –quando lhe pergunto qual, começam a gaguejar e não sabem responder em conformidade.
Outros ainda: “olhe, eu tenho muita consideração por si. Palavra que tenho. Acredito em si. Mas estando metidas nisto a câmara, a agência (APBC) e a ACIC, desculpe lá, mas não acredito nessa gente. Nunca fizeram nada por nós. Isto não vai resultar. Era preciso outras medidas de fundo" –quais?, interrogo. "Não sei. Era preciso encontrar um homem que chamasse a si a defesa de todos” –quando lhe digo que esse “Sebastião” não existe, e que a solução está dentro de nós individualmente, que, no momento em que as coisas estão, não pergunte o que pode Deus fazer por nós, mas antes o que se pode fazer por Ele, continua: “não, sozinhos, não vamos a lado nenhum. É preciso alguém que nos salve. Vamos fazer assim: se resultar, eu entro na segunda fase. Está certo, não está? Olhe que eu até gosto muito da Baixa. Só por isso é que continuo aberto –não me esqueço que foi aqui que ganhei a minha vida- e só por isso ainda não aluguei a minha loja a um chinês. Apesar de estar descrente, desejo-lhe boa sorte”.
Pode parecer incrível, mas tudo o que aqui transcrevo é a mais pura das verdades.
Eu sei que as pessoas estão desmotivadas, cansadas, descrentes e até frustradas. Eu tenho dias que também me sinto do mesmo modo. Mas, sendo assim, vamos cruzar os braços e deixar que chegue a nossa vez de “morrer”?
Eu sei que não é fácil. Está tudo contra o comércio tradicional. A começar pelos políticos nacionais e locais. O que querem é ouvir que abriu mais uma grande superfície na sua cidade –hoje mesmo abriu o Dolce Vita Tejo, o maior do país e um dos maiores da Europa.
O desinteresse pela revitalização dos centros históricos levou a este estado de apatia e ao “deixa-arder-que-o-meu-pai-é-bombeiro”. Estabeleceu o princípio da “pescadinha-de-rabo-na-boca”: Os comerciantes não trabalham mais horas porque cada vez há menos pessoas para comprar. Por sua vez os clientes, mesmo os poucos, como antevêem que as lojas estarão encerradas, cada vez vêm menos.
O Código de Trabalho –tal como o Novo Regime de Arrendamento Urbano está para os proprietários- é profundamente discriminador para os empresários do comércio tradicional. Os funcionários admitidos de novo nas grandes superfícies comerciais, se preciso for, trabalham feriados e até à meia-noite. No comércio de rua, em nome do bizarro, em nome de “direitos adquiridos”, os antigos empregados, sem sua autorização e acordo, não trabalham, nem depois das 19 horas, nem aos feriados, nem aos sábados de tarde. Por cada tarde de trabalho extraordinário vale um dia de folga. Pergunta-se: quem consegue desenrolar esta meada, fugindo a esta teia em forma de armadilha?
Em resumo, se admito compreender as razões de alguns comerciantes como legítimas, não posso aceitar que fiquem de braços cruzados à espera do tal D. Sebastião ou um Deus que nos salve.
Temos de ir à luta. Por muito que todos nos queixemos, este é o resultado da nossa pouca exigência e capacidade de reivindicar. Penso que estamos no fim da linha. Ou se tomam medidas de salvação, ainda que sejam apenas de efeito “aspirina”, ou então vamos mesmo desaparecer todos. Não haja ilusões. Os grandes centros comerciais ficam muito gratos por esta passividade e falta de resposta.