sábado, 2 de maio de 2009

O RENEGADO QUE MANDOU A ORTODOXIA ÀS MALVAS






Tenho para mim que Vital Moreira não é o candidato às europeias que mais interessa ao Partido Socialista. Apesar de ser de Coimbra, e um distinto professor universitário de Direito Constitucional, não é um prosélito do partido de governo, na verdadeira acepção da palavra. É um homem apagado, cinzento, e com pouca intervenção política dentro da área socialista. Para além do blogue “Causa Nossa” e de uma crónica semanal no Jornal Público, pouco mais se sabe dele na defesa da área rosa. O que se sabe, isso ressalta, é que foi um filiado notável do PCP e que ainda no tempo de Álvaro Cunhal, tal como Zita Seabra, abandonaram o partido da foice e do martelo, sendo apelidados pelo “grande Mestre ideólogo” como “folhas secas”.
O acto “dramatológico” de José Sócrates, aquando do Congresso do PS, ao apresentá-lo como um passe de mágica, como se tirasse um coelho da cartola, foi precipitado e, para além de gerar pequenos ódios dentro do partido de governo, deixou de fora muitos notáveis mais bem colocados para avançar. Estes, ressabiados, depois da agressão de ontem, estão agora a rir-se. Jamais lhe perdoarão a afronta.
Falando então da agressão de ontem, em Lisboa, numa manifestação da CGTP, este acto cobarde, vem clarificar muita coisa.
Começaria pelo próprio Vital Moreira, que em declarações ao Jornal de Notícias (JN), diz que esta agressão tem “um efeito muito positivo”, talvez pensando na agressão de Mário Soares na Marinha Grande em 1986. Porém, os tempos de hoje, ainda que haja uma similitude na depressão económica, não têm nada a ver uma coisa com a outra. Normalmente os candidatos, e Vital também, seguindo os efeitos secundários de Soares há mais de vinte anos, pensam logo em capitalizar o efeito de vítima. Simplesmente, já se sabe, os humanos são imprevisíveis, e a mesma água nunca passa duas vezes debaixo da mesma ponte.
A seguir chamava a atenção para esta atitude “democrática” de alguns membros do PC, que, nos seus gritos de “traidor”, “vira-casacas” e a seguir a agressão física, mostra bem a sua filosofia de tolerância. O quão próximo está de uma qualquer seita de fanáticos, onde só conta o imperativo categórico: depois de mim só a morte.
Ainda citando o JN, mostra a atitude cívica dos agentes da PSP, que perante os desacatos, “nenhum dos agentes presentes se aproximou da confusão”. O que estariam a fazer lá? Estariam também a comemorar o 1º de Maio? No limite, nesta omissão deliberada, é legítimo questionar para onde caminha esta polícia, e devemos pensar que também estavam de acordo com a agressão?
Para terminar, a posição de Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, perante este atentado contra as boas maneiras, argumentando que não viu, é paradigmático: “não vou comentar o que não vi”.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O DISPARATE DO DIA




MANDAMENTOS DA MULHER CASADA

1º-Amar o seu marido sobre todas as coisas –e ao próximo como a vós mesmas. Se como sempre, na cama, você ficar a contar navios, diga-lhe que ele é o maior, é melhor que o John Holmes;
2º-Não o tratar em vão, como se fosse coisa sem valor –cuidado que cada vez há menos homens…e perfeito, perfeito, só mesmo o amante;
3º-Guardá-lo das outras mulheres e das pulgas –é preciso garantir que ele não anda a oferecer rosas a outra qualquer;
4º-Honrá-lo, penteá-lo e trazê-lo sempre limpo –embora não lhe aumente muito a auto-estima, é perigoso;
5º-Não lhe fazer cócegas com demasiada insistência para não o matar –andam demasiados homens a morrer de AVC;
6º-Guardá-lo da má vizinhança e sobretudo da melhor amiga –embora ele seja um grande traste, nesta crise de homens, não é fácil de arranjar melhor;
7º-Não lhe furtar nada às vistas (por que já se sabe que às escondidas é fatal);
8º-Não lhe levantar a voz em público (por que lá em casa já se sabe quem grita mais alto);
9º-Não desejar o marido de outrem (seja pelo menos discreta, porque já se sabe que em pensamento é inevitável…”a galinha da minha vizinha…”);
10º-Não cobiçar os vestidos, as coisas alheias, e muito menos pedir ao marido –a vida está mesmo muito complicada, estamos em crise. Ainda ontem ele ofereceu uma écharpe à Idalina, a colega…).

ANDAR NA TERRA COM A CABEÇA NO CÉU




Não sei se já se aperceberam que ultimamente se vêem cada vez mais pessoas com audiofones nos ouvidos. Passam por nós na rua como zombies que não pertencem a este mundo. Nalguns a música está tão alta que, para além de incomodar, tendo de a “gramar”, é invasora do nosso espaço individual.
Se entrarmos num qualquer transporte público, e um lugar estiver vago, embora os outros estejam completos e até algumas pessoas viajem de pé, só quando nos sentamos naquele lugarzinho guardado para nós, percebemos a razão de ninguém o querer. É que o barulho é ensurdecedor. Estoicamente, lá aguentamos para que ninguém olhe para nós. Não vão os outros pensar que somos fracos e que é um qualquer “ruidozeco” que nos derruba.
Confesso que já me falta a pachorra. Começa-me a saltar a tampa, sobretudo quando alguém tenta falar comigo com as palas –como os burros- nos ouvidos. Começo por dizer que não estou a ouvi-lo. Se a coisa persiste, passo-me e digo-lhe: olhe lá, não se importa de falar comigo sem essa coisa nas orelhas? “Ai desculpe!, até me tinha esquecido”, tenta safar-se o meu interlocutor.
O que me chateia mais é que até pessoas de meia idade –onde normalmente pensamos que reside a virtude, a reserva moral da Nação- estão a embarcar na viagem de “pés-na-terra e cabeça-no-céu”. Isto é que é uma sorte! Parecem bandos de marcianos descarregados por acidente no solo terreno.
O problema é que começa a ser grave. Há três semanas, uma senhora da Europa de Leste, de trinta e poucos anos, morreu trucidada por um comboio, em Coimbra, porque levava nos ouvidos o tal “cabresto”.
Não sei se esta moda é consequência ou não da crise económica e existencial –devido às constantes ameaças de pandemia que nos atropelam. O que sei é que parece uma droga. Com cada vez mais aderentes, todos querem “isolar-se”, fugir de qualquer maneira, desta realidade que parece ficção, do meio em que estão “agarrados” e é impossível desligarem-se.

terça-feira, 28 de abril de 2009

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE HOJE É O DIA 25 DE ABRIL)




Milu disse...
Tinha 13 anos quando aconteceu o 25 de Abril. Em minha casa o rádio emitia constantemente o "Grândola Vila Morena" e outras cantigas de intervenção. Ouvia os meus pais conversarem e discutirem a liberdade e o fascismo, mas não acredito que eles soubessem o que estavam a dizer. Nem tão pouco acredito que alguma vez se tenham apercebido das consequências do regime fascista, ou o que significava a liberdade, à semelhança de tantas outras coisas, das quais tenho a certeza, que desconheciam. Por mim posso dizer que tudo isso me passou ao largo, com a idade que tinha havia, porventura, outros interesses, que chamavam mais a minha atenção, e ainda bem.

Lembro-me das manifestações de rua, de ver pessoas conhecidas a agitar bandeiras e a gritar a plenos pulmões, "O povo unido jamais será vencido". Vociferavam contra o patronato que os explorava, e " Abaixo os patrões". Um dia ouvi o meu pai dizer à minha mãe, que parte dessas pessoas que passeavam bandeiras vermelhas e de foice, se estivessem na pele dos patrões, eram bem capazes de fazer pior que eles! Pode cair-me o Carmo e a Trindade em cima, mas, afirmo veementemente, que penso, que o meu pai não era parvo nenhum, porque o que disse é verdade! Até eu penso assim!

O ano passado trabalhei sábados e domingos. Trabalhei no dia 1º de Maio, no dia 25 de Abril, na sexta-feira santa e sei lá que mais! E toda contente, bom jeito me fez o dinheirinho que levei para casa, porque não é a descansar que governo a minha casa. E não me venham dizer que sou de direita nem merda nenhuma, o que quero é trabalhar e ganhar o meu dinheiro! Quem não quiser trabalhar estabeleça-se por conta própria, que logo vê como é que elas mordem. Já agora o meu eleito é Sócrates, ele é o meu Obama! Assumo tudo aquilo em que acredito, senão,
não sou mulher nem sou nada, passo a ser uma coisa amorfa... Uma amêijoa mole!
Um abraço!
27 de Abril de 2009 22:36

domingo, 26 de abril de 2009

Também é um prémio!


"O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, manifestou hoje o seu orgulho pela canonização de Nuno Álvares Pereira, considerando o "forte Dom Nuno" como um exemplo para todos, em particular, para as Forças Armadas portuguesas."O 'forte Dom Nuno', como lhe chamou Camões, é um exemplo para todos nós e, muito em particular, para as nossas Forças Armadas", afirma o chefe de Estado, numa mensagem vídeo colocada na página da Internet da Presidência da República. Sublinhando o seu orgulho pela canonização de Nuno Álvares Pereira, "pelo que ela representa de reconhecimento do valor exemplar de um português heróico e ilustre", Cavaco Silva diz ser hoje "um dia de alegria para todos os portugueses". "A canonização de Nuno Álvares Pereira constitui um gesto que honra uma das figuras mais marcantes da nossa História, uma figura em que os Portugueses se revêem como símbolo de amor ao seu País, de defesa corajosa da independência nacional, de vontade de triunfar mesmo nas horas mais difíceis", declara o Presidente da República."



In O Público



Assisti com alguma apreensão a algumas discussões acerca da tomada de posição do Presidente da República em relação à canonização do novo São Nuno de Santa Maria.

Enquanto agnóstico praticante não fico chocado, nem ofendido e muito menos acho que a laicidade do estado seja posta em causa! Infelizmente muitos têm confundido laicidade com laicismo, demonstrando muito pouca tolerância e até alguma mesquinhez.


Laicidade- é a forma institucional que toma nas sociedades democráticas a relação política entre o cidadão e o Estado, e entre os próprios cidadãos. No início, onde esse princípio foi aplicado, a Laicidade permitiu instaurar a separação da sociedade civil e das religiões, não exercendo o Estado qualquer poder religioso e as igrejas qualquer poder político.

Laicismo- é uma doutrina filosófica que defende e promove a separação do Estado das igrejas e comunidades religiosas, assim como a neutralidade do Estado em matéria religiosa. Não deve ser confundida com o ateísmo de Estado. Promove a inibição de qualquer manifestação religiosa pública.

sábado, 25 de abril de 2009

HOJE É O DIA 25 DE ABRIL




Dando uma volta pelos blogues aqui ao meu lado, fico um pouco constrangido. Os conotados com a esquerda, homenageiam e elevam os homens que fizeram o 25 de Abril, independentemente do que vieram a fazer a seguir. Os simpatizantes da direita, chamam a alguns destes heróis da revolução dos cravos desde assassinos a cobardes.
Que diabo, como não tenho simpatia nem para uns nem para outros e não sei onde me colocar. Talvez o centro, como fiel de balança –e neste caso seria muito cómodo para mim-, resolvia-me parcialmente a questão. O problema é que nunca gostei de ambiguidades, e neste caso, o centro, para além de ser ambíguo é também bipolar, tem um braço e uma perna na direita e os outros membros na esquerda. Então como é que resolvo isto com alguma racionalidade e objectividade?
Para mais, para suprema ofensa da esquerda, presumo, estou a trabalhar hoje, quando a maioria está a gritar loas à origem do feriado. Ontem, quando conversava com um amigo e colega comunista, quando lhe disse que trabalhava hoje, com grande grito de revolta, saído lá das profundezas, exclamou: “o quê, trabalhas no dia da Revolução?! Fogo, a mim, para trabalhar neste dia, nem que pagassem milhões!”
Engraçado é que, para mim, o dia de hoje é apenas um marco assinalado na história de Portugal. E nada mais. Tal como foram datas importantes para o país, como por exemplo, o 1º de Dezembro de 1640 –com a Restauração da Independência e expulsão do reinado dos Filipes de Espanha- ou o 5 de Outubro de 1910 –com a queda da monarquia e implantação da República.
É verdade que em Abril de 1974 eu tinha apenas 18 anos e nenhuma cultura política. Já trabalhava há quase 8 anos. Enquanto eu fui infante, os meus ascendentes andavam tão preocupados com o pão para a boca que sabiam lá eles que havia oposição a Salazar.
O dia da Revolução de 25 de Abril veio apanhar-me a vender trapos numa grande loja da Baixa de Coimbra e hoje encerrada. O patrão, que subira a corda da vida a pulso, nesse dia, se ficou preocupado não o demonstrou. No dia seguinte, quando começaram as manifestações de rua, perante os seus cerca de 15 empregados, tratou de fazer sessões colectivas de esclarecimento político e clarificar que ali, na sua loja, era ele que mandava. Portanto, partido, a haver, teria de ser o PSD ou o CDS. Estas formações político-partididárias é que eram boas. Eram as únicas que defendiam a iniciativa privada. Os outros, e sobretudo os comunistas, “comiam meninos ao pequeno-almoço”.
Fosse por isso ou por outra coisa qualquer, a verdade é que até hoje nunca fui a nenhum comício partidário. Dos 18 aos 25 anos que trabalhei naquela grande firma, fui tentando fazer a minha destrinça entre o comportamento do patrão de direita e outros que haviam na Baixa e que eram assumidamente comunistas. Nunca cheguei a nenhuma conclusão clarificadora de qual deles seria melhor. Aliás, sempre encontrei grandes similitudes na sua forma de proceder. Nunca vi um comerciante comunista distribuir, fosse o que fosse, da sua riqueza, por quem mais precisava. No da direita, igualmente, o que via era que tentava enriquecer o mais possível. Ao mesmo tempo, na firma onde trabalhava, apercebia-me, havia uma “utilização” abusiva dos trabalhadores. Todos trabalhávamos mais para além do horário, diariamente. Em vez de 30 dias de férias eram apenas gozados 15. É certo que no fim do ano todos levávamos um “cheque-bónus” pela lealdade e bom comportamento.
A única diferença que eu notava, quer no comerciante de direita, quer no de esquerda, era o ódio que cada um nutria ao outro. Um era apodado de fascista salazarento, o outro de vermelho ao serviço de Moscovo.
Nesta loja onde trabalhei 9 anos, fui continuando sem manifestar nenhum pendor político-partidário. Mas há uma história engraçada que nunca me esqueci. Em 1975, com 19 anos de idade, tinha as minhas férias marcadas antecipadamente como era norma. Tinha tudo programado para as iniciar na data acordada. Na véspera, o gerente da loja comunica-me o cancelamento das minhas férias previamente anunciadas. Mandei-me aos “arames” e, no meio de uma discussão, disse-lhe que nem pensar. Ia e ia mesmo. Quando chegou o patrão, a mesma coisa. “Não senhor, que não podia ir e pronto!”, verberou o velho comerciante. Então, irritado, interroguei: o senhor pensa que nós somos carne para canhão? O homem, espavorido, olhou-me fixamente, começou a andar à minha volta e a soletrar como um disco riscado: “é comunista! Ele é comunista! Eu tenho um comunista na minha casa!”
Na noite anterior eu estivera a ler a 25ª hora, de Virgil Gheorghiu, e não dormira. Foi a noite toda em claro a ler o livro que até hoje mais me entusiasmou sem conseguir descolar. Uma das frases que memorizara foi exactamente “carne para canhão”.
Esse acontecimento passou e, tenho a certeza, que apesar da minha rebeldia, o velho comerciante, deixou passar. Despedi-me com 25 anos de idade, por minha iniciativa. Bem que ele tentou que eu não o fizesse, com toda a honestidade.
A partir daí, nunca me interessei muito pela política partidária, embora, diga-se, sempre tentei saber tudo o que se passava à minha volta. O mesmo se passa com o futebol. Não gosto do desporto-rei, e não tenho qualquer simpatia por este ou aquele clube, mas aqui, neste desporto, nem me interessa saber. Como se isto fosse pouco sou agnóstico. Já vêm, somando estas parcelas, que sou muito pouco ortodoxo. Sou um desalinhado totalmente do sistema social. Ah…mas esqueci-me de dizer que gosto de fado, o que já não é de todo mau. Do aforismo Fátima, futebol e fado, vá lá, sempre se aproveita o fado!
Ora, como vêm, regressando ao início do texto, estou muito preocupado. Num país em que toda a gente gosta de futebol e tem um partido político de eleição, eu, sendo diferente para pior, está de ver, das duas uma: ou sou um nacionalista de “carregar pela boca”, ou então sou um comunista renegado da pior espécie. Ou seja, acabo por ser um mal-amado por uns e por outros, perdido neste universo homogéneo e unanimista que é a nossa sociedade de consumo político-partidária.
Sou uma espécie de alma esvoaçante, que numa equidistância intencional ou desligada do aparelho “religioso” anda à procura do seu deus terreno.
O que hei-de fazer? Já pensei em fazer terapia partidária, ou então, se esta não resultar, hipnose por regressão. Há qualquer coisa que não bate certo…

sexta-feira, 24 de abril de 2009

AMANHÃ HÁ FEIRA DE VELHARIAS EM COIMBRA




Como sempre, ao quarto sábado de cada mês, na Praça do Comércio, o senhor Joaquim e a esposa, vindos de Lisboa, estarão presentes com a sua exposição de velharias e antiguidades amanhã na Baixa.
Chegarão à cidade cerca das sete horas da manhã e colocar-se-ão junto do local onde costumam ficar para garantir o lugar.
Às 8 horas começarão a arrumar a sua banca. Aquele gramofhone de Edison, de funil comprido, de modelo tão diferente dos que costumam aparecer vai ficar mesmo no centro da grande mesa. O senhor Joaquim, como arquitecto a tomar medidas, vai olhar de um lado, de outro, e mais ao centro, a imaginar o cliente a bater com os olhos naquela peça, que será o “chamaril” da sua banca improvisada. Vai pegar num par de pratos de porcelana “Companhia das Índias” e colocará um de cada lado da caixa de reprodução de música. Como se estivesse a tecer um tapete de Arraiolos, toda a cobertura da mesa terá de obedecer a uma lógica matemática. Ele conhece bem todos os olhares do seu cliente, desde o primeiro que ditará a sua permanência ou não na sua banca. Por isso toda aquela exposição estudada ao pormenor. O senhor Joaquim não estudou sociologia, antropologia ou psicologia, mas a experiência empírica da vida licenciou-o. Ele conhece o ser humano como ninguém. A sua sensibilidade, quase extra-sensorial, ajuda.
São nove horas e a banca está quase completa, atapetada com todas aquelas obras de arte que o antiquário trata como filhos. Está agora com uma figura articulada de Bordalo Pinheiro entre mãos. Pega-lhe com carinho. Parece abraçar um menino de berço. A mulher-esposa de Joaquim, a Dona Efigénia, sendo mais racional que o homem, que apesar de estar casada com ele há mais de trinta anos, nunca conseguiu entender esta ternura do homem pelas peças que vende, num berro, já habitual, vai gritar: “Ó homem, despacha-te que são nove horas e tu para aí a afagar as peças, parece que nunca as viste!”
O senhor Joaquim, que conhece este sermão de cor e salteado, e até dá razão à mulher, vai arrumar o resto mais rápido. E finalmente está tudo. “Ufa!, que canseira”, pensa o vendedor para com os seus botões. Não está nada tudo! Falta a parte mais importante, o símbolo da sorte que vai ditar o dia de Joaquim. Vai ao saco pessoal, retira uma pequena caixa, e lá de dentro tira uma pequena imagem que beija com delicadeza. Mentalmente fará uma pequena oração: “meu querido Santo Onofre, mais uma vez preciso de ti hoje. Não me vais deixar mal, pois não?”
Como se pegasse num passarinho irá colocar esta imagem atrás do gramofhone, de costas voltadas para os compradores e virado de frente para si e para a sua mulher Efigénia.
E pronto! Está tudo arrumado. Olha o céu, com os raios solares a brincarem com os beirais, e pensa: “Hum! Isto vai pintar. Feriado e bom tempo, vai correr bem…”

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Bons exemplos


"O presidente do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU e prémio Nobel da Paz, Rajendra Pachauri, declarou hoje que "a humanidade está a aproximar-se do precipício" e que Portugal parece estar no bom caminho para o evitar.
...
"Muito do que Portugal está a fazer pode ser uma inspiração para o resto do mundo", disse, apontando a maior central de energia solar no mundo e o que é feito com a energia das ondas e a energia do vento."

In Diário Digital


Devemos seguir neste caminho. Cria-se riqueza, criam-se empregos e afastamo--nos mais um pouco da dependência energética que nos atrofia o crescimento!

Em desespero de causa...


"Se alguém divulga um documento alheio difamatório para outrem, o divulgador também comete o crime de difamação. Se o crime for cometido através dos media, a pena será agravada. E se a vítima for um membro de órgão de soberania, também tem pena agravada. Além disso, se se tratar de documento de um processo em segredo de justiça, há também o correspondente crime. O problema é a lentidão da nossa justiça penal..."


Doutor Vital Moreira, In Causa Nossa


Parece-me uma opinião a ter em conta.

Não me parece difícil de perceber.

Faça-se justiça!


Ps: Caricatura de Henrique Monteito @henrycartoon.blogs.sapo.pt

PORQUE É QUE SALAZAR IRRITA TANTO ALGUMAS PESSOAS?

(ESTE HOMEM NÃO PRECISA DE APRESENTAÇÕES)

(JOÃO LOURENÇO, PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE SANTA COMBA DÃO)



O que me levou a escrever este texto foi a leitura de um blogue aqui ao meu lado e, com todo respeito, dá por nome de “Ponte Europa”. Não conheço o administrador. O que sei é que escreve muito bem. Há muitos anos que me habituei a ler as suas opiniões, quer no Diário de Coimbra, no Diário as Beiras, quer no Expresso.
Como se sabe no próximo dia 25 de Abril a Câmara Municipal de Santa Comba Dão, incluída na comemoração da revolução dos cravos, vai dar o nome de Salazar a um largo da terra que foi recentemente requalificado. Ao que parece, mesmo sem placa toponímica, sempre se chamou assim.
Citando o “post”, com o título “Santa Comba Dão –Um fascista à solta”, do meu colega “bloguer”, “não, não é justo que o Expresso brinque com os leitores e apresente como notícia uma provocação grosseira que atribui a um autarca do PSD intenções fascistas e arruaceiras”.
Continuando a citar o blogue, “O Expresso menciona o nome do presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão –João António de Sousa Pais Lourenço-, eleito por uma coligação PSD/CDS, como autor de um propósito vil que nem o mais execrável fascista se atreveria a pôr em prática. Não é justo para o homem (…) que lhe atribuam a vileza relatada na notícia, que o imaginem um solípede à solta, sem rédea, sem cabresto, um pulha execrável com a suástica no coração e serradura no cérebro. (…) uma atoarda desta natureza pode fazer por canalha um homem de bem, sujar um nome honrado e criar a imagem de crápula num honesto autarca. (…) Haverá sempre alguém que, recordado da ditadura e esquecido do desmentido, se afaste do indivíduo, convencido que é um réptil que passa, um primata que se desloca em posição erecta, um verme que se confunde com a paisagem.”
Colocando a análise adjectiva do texto, incidindo no autarca de Santa Comba Dão, que me parece excessiva, deliberadamente vou virar-me para Salazar. O que pode enfurecer tanto uma pessoa quando o ditador é citado? Só posso entender este “ódio” através das mazelas deixadas no corpo, isto é, admito que esta pessoa foi preso político e, assim sendo, ficou marcado para toda a vida.
Saindo desta probabilidade, atenuada com alguma compreensão, viro-me para a história: Salazar foi ou não um estadista que, com todos os defeitos e virtudes, deve ser citado? Como se sabe a uns agrada a outros não –nesta polémica, demarco-me. Apenas defendo o respeito que lhe é devido enquanto parte integrante da moderna história de Portugal e nada mais. Seguindo a vontade dos que não agrada, será que se deveria fazer um plebiscito para retirar o seu nome da história de Portugal? Afinal já se fez o mesmo com a ponte, agora chamada de 25 de Abril.
Ora, a ser assim –se se fizer o plebiscito e ganhar o “não”- apague-se o nome do homem, como se faz com uma borracha. Mas até lá, deixe-se, a quem o achar por bem, invocar a sua memória.
E mais, no caso em análise, porque raio não pode o autarca de Santa Comba –que não conheço- dar nome a uma praça a um homem nascido na terra e que legitimamente –até agora- faz parte da nossa modernidade? Se fosse Álvaro Cunhal, já podia? E se fosse Sidónio Pais, que foi eleito deputado à Assembleia Nacional Constituinte e elaborou a Constituição Portuguesa de 1911, e, depois em 1917, veio a suspender normas essenciais e se tornou um ditador, será que este homem poderia dar nome a uma qualquer praça?
Será que o autarca de Santa Comba não foi eleito para desenvolver a sua terra e capitalizar tudo o que seja uma mais valia, incluindo figuras históricas, de modo a poder atrair pessoas ao seu concelho? Estará assim tão errado? Se um qualquer de nós estivesse no lugar dele não faria a mesma coisa?
A Espanha, não há dúvidas, tem muito que nos ensinar. Até no respeito pelas figuras de Estado. Francisco Franco, na Guerra Civil de Espanha, mandou matar milhares de opositores políticos. No entanto, o seu nome continua a ser invocado em praças, monumentos e ruas.
É curioso questionar quem tem laivos ditatoriais, os democratas de hoje –que a toda a força querem impor a sua vontade-ou os outros “democratas” –deliberadamente colocada a frase entre comas- que a toda a força querem que não se “apague a memória” –curiosamente, este é um movimento de esquerda que pretende que não se apague o nome…só de alguns.
No mínimo, é estranha esta democracia, não é?

terça-feira, 21 de abril de 2009

É uma boa solução...



"O programa Porta 65 Jovem, que apoia o arrendamento de habitação para residência permanente a todos os jovens com idades entre os dezoito e os trinta anos, inicia o próximo período de candidaturas amanhã, 21 de Abril, e prolonga-se até ao próximo dia 21 de Maio. A Câmara Municipal facilita a todos os munícipes que tenham interesse em se candidatar o apoio dos técnicos do Gabinete de Acção Social na formulação das candidaturas."





Muito interesante! Acompanhamento social ao cidadão.

Porque será que acaba dia 21 de Maio? Contingências do próprio programa?


"Vários autarcas usaram dinheiro das câmaras para pagar multas passadas, a título pessoal, pelo Tribunal de Contas, em vez de as saldarem do próprio bolso, como manda a lei. O Ministério Público será chamado a intervir."





Pelo menos deste mal não padecemos! As contas são o orgulho da CMM! Que se mantenham assim por muitos e bons anos!


A atitude é que podia ser melhorzinha... Mais activa e dinâmica!!

sábado, 18 de abril de 2009


"Os telejornais da sexta-feira da TVI não são informação, são meras simulações de tribunais plenários fascistas onde um casal simula estar a noticiar para julgarem na praça pública e sem regras as personalidades de que os conjugues não gostam. E se alguém ousar criticá-los passa a ser julgado repetidamente segundo as mesmas regras."




Infelizmente não é caso único! A demagogia graça na SIC e TVI!

Sao uma das grandes causas desta crise de vontade e força dos portugueses!

Nao informam! Fazem campanha política do mais baixo nível!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

UM ITINERÁRIO (A) COMPLEMENTAR A DESORDEM



“Segundo o Diário de Coimbra de hoje, “Os moradores da Rua 10 de Junho, em Santa Clara, apelaram ontem a uma “rápida intervenção” da Câmara Municipal de Coimbra para resolver problemas causados pelas obras de construção do IC2 naquela zona da margem esquerda da cidade. Num abaixo-assinado entregue ontem ao executivo camarário, os moradores daquela rua, situada na zona dos Alqueves, reclamam a “limpeza constante e diária, para evitar que a lama ou o barro se acumule na via, e que evite que a poeira ande no ar”.
Lembro que esta construção, em viaduto de 40 metros de largura, pretende atravessar a Mata Nacional do Choupal numa extensão de 150 metros e está a ser contestada por um movimento cívico, a Plataforma do Choupal, que reivindica, entre outras premissas, a não violação desta mata Nacional.
Como se sabe, aquando da construção da ponte-açude nos idos anos de 1980, já nessa altura o Choupal sofreu danos considerados irreversíveis e foram contestados por vários biólogos, entre eles, um de grande craveira nacional e internacional, Jorge Paiva. Devido à falta de irrigação várias árvores de grande porte morreram.
Prevê-se, e novamente com o testemunho de Jorge Paiva, que este atentado ao nosso ícone da memória, cantado por poetas e trovadores há quase dois séculos, vai trazer mazelas à mata de consequências imprevisíveis.
Para além disso, argumenta a Plataforma do Choupal que não faz sentido um novo itinerário complementar (IC2) ser construído ao lado de outras vias e a atravessar a cidade. Faria sentido, isso sim, se passasse longe da cidade de Coimbra, já de si demasiadamente complementada com um trânsito caótico diário. Esta nova via, em vez de vir resolver alguma coisa à cidade, pelo contrário, vem complicar, não só em termos viários como também ambientais.
É estranho, argumenta a Plataforma, que num a altura em que se defende a qualidade de vida ambiental, o governo, com o beneplácito do executivo conimbricense, “se decida uma obra que é francamente negativa para a cidade dos estudantes”.
Embora a decisão a nível político esteja tomada, lembro que pode sofrer um revés. É que, há menos de um mês, foi intentada uma acção popular no Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra. Os sete signatários, contestando a Declaração de Impacte Ambiental (DIA), acreditam na sua procedência.
Até agora o executivo de Carlos Encarnação, apesar de ser instado a tal, escusou-se a debater este assunto a nível público. Para o presidente da autarquia esta construção não merece contestação. Está projectada, aprovada e ponto final e parágrafo. Segundo as suas declarações, citadas de memória, “só os arruaceiros do costume contestam esta obra tão importante para a cidade”.
Será assim? Será que os contestatários serão mesmo arruaceiros? O que ganharão eles? Protagonismo e visibilidade política? Para que fim? Se tivermos em conta que a plataforma é constituída por pessoas de várias sensibilidades partidárias que, apesar de lhes ter sido oferecido cargos políticos nos aparelhos partidários, recusaram-nos. O que os moverá então?
Para mim, que não sou isento nesta questão e os conheço a todos, digamos que são a projecção materializada de vontades não realizadas que existem dentro de cada um de nós. São um bom exemplo para os nossos filhos na defesa e intervenção de uma sociedade que não deve ter medo de pugnar. Se calhar serão os novos Quixotes hodiernos. Sem capa, sem espada, a lutarem contra o vento ditador avassalador modernista que esmaga tudo o que for diferente. Largam o sofá e a telenovela –denegando serem treinadores de bancada a brandir veneno sem efeito contra os políticos. Vão à luta, prejudicando as suas vidas pessoais e financeiras. Esgrimem argumentos válidos em defesa daquilo em que acreditam. Mostram verdadeiramente nos actos amar a sua cidade com lealdade e profundidade “do Choupal até à Lapa”.
Serão, “esta gente”, arruaceiros?

O homem que abria o piano



Quero ler este livro!
Paulo Valério é um jovem político de Coimbra com quem tive o prazer de me cruzar!
Acompanhei as suas crónicas no JN e revejo-me muito nas suas opiniões e na sua visão.
Espero um dia vê-lo num lugar de decisão.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Mais 520 cargos políticos a criar nas autarquias

"As eleições autárquicas vão dar um pequeno contributo para o combate ao desemprego. Paradoxal? Nem por isso. A simples aplicação da lei cria cerca de 520 cargos políticos, sendo 44 de vereadores. A despesa dispara.
A presença de mais 738 mil eleitores nos cadernos eleitorais não implica aumento do número de eleitos para o Parlamento Europeu ou para a Assembleia da República - os dois próximos sufrágios - porque em ambos os casos estão fixados à partida. A nível autárquico, o cenário é diferente: por determinação legal (ler caixa), os mandatos variam em função dos eleitores recenseados."

In Jornal de Notícias

Dava jeito na CMM! Evitava-se uma grande confusão!!!

sábado, 11 de abril de 2009

PÁSCOA FELIZ




Gostava, leitor, de lhe desejar uma Páscoa Feliz.
Aproveito também para lhe agradecer o “presentito”. Bolas! Não precisava de se incomodar. Gostei muito do gesto. Foi bonito de se ver, pá! Já das amêndoas que me enviou não posso dizer a mesma coisa –desculpe lá a sinceridade!- para além de serem duras, amargavam muito –se puder envie outras, mas desta vez adquira-as aqui na Baixa de Coimbra.
Já agora, a talhe de foice, o ovo do folar que me mandou entregar, também não estava nada bom –não gostei nada mesmo, palavra!, se não fosse o respeito que tenho por si até ficava chateado deveras. Calma!, não faça essa cara. Deixe lá, pronto, acontece! Nem pense…(está a pensar em mandar-me outro?).
Olhe faça o seguinte, não troque o folar. Traga antes um CD. Perguntou de quem? Ora, Ora! Acha que devo escolher? Está bem! Já que insiste…pode ser de Rodrigo Leão…aquele… daquela canção “Voltar”, que adoro.
Mas, atenção, só este ano. Não quero que me volte a oferecer nada. Entenda isto como excepção.
Se faço isto –nem é por mim-, estou a pensar no meu amigo Rodrigo. É uma forma de o ajudar a vender mais um “disquito”…é só por isso.
Claro que a canção é divinal…

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Eleições autárquicas


Enquanto estive afastado definiram-se candidatos!



Pelo Ps Carlos Cabral!

Talvez a última candidatura ao fim de 18 anos na CMM! Fico à espera de propostas que nos venham tirar do marasmo, originando uma ruptura com o passado de estagnação!!!



Pelo PSD César Carvalheira!

Com provas dadas depois de uma vida de trabalho! Exigem-se propostas arrojadas. O PSD quer apresentar um corte energético com o passado olhando o futuro!!!



Os outros não entram nas contas!!



Ps: Estou a ser irónico!! Vai ser mais do mesmo! E a culpa também é minha!



Objectivo para 2013: ter um candidato(credível!!!) à Câmara Municipal da Mealhada que não seja aposentado!!



Ps2: mais uma vez.... www.banksy.co.uk

Escolíadas


A maior manifestação cultural da Bairrada festeja 20 aninhos!!!
São milhares de jovens tocados pelo sonho de outro jovem!


Forúm Escolíadas


PS: Um presente para quem identificar a banda!!!!

Olá outra vez!!!


Estou de volta!!

Obrigado a todos os que mantiveram o nosso espaço aberto!!

Prometo tentar não repetir a asneira!



PS. www.banksy.co.uk

quinta-feira, 9 de abril de 2009

OS CHINESES TAMBÉM SE ABATEM

(EMBORA SE TRANSFERISSE, A VERDADE É QUE ESTA LOJA ENCERROU)


É sabido que quando o alimento escasseia as pessoas tornam-se mais cínicas, invejosas e intolerantes. E lembro-me desta constatação filosófica porque há dias uns comerciantes meus amigos criticavam fortemente a abertura de uma nova loja de chineses na Baixa da cidade –no caso, trata-se dos antigos Marthas, de um espaço centenário, com colunas neoclássicas, onde, por altura do século XVIII/XIX, funcionou um antigo hospital de Coimbra.
Então, os vendedores portugueses, verberavam fortemente nos comerciantes vindo do outro lado do mundo. “Que a Câmara Municipal não deveria admitir a instalação destes comerciantes nos centros históricos. Que faz falta aqui um Alberto João Jardim. Que os chineses são como o eucalipto. Secam tudo à sua volta. Que ali se deveria criar um café”, descarregavam os comerciantes.
Debalde lhes tentei dizer que a autarquia não pode fazer absolutamente nada. Nenhuma câmara municipal, à luz das directivas europeias concernentes à livre concorrência, pode obstaculizar a instalação de um estrangeiro no país, desde que este esteja legalizado em conformidade. A lei é geral e abstrata. Ainda lhes pedi que imaginassem estar num qualquer outro país e pretenderem estabelecer-se por conta-própria. Gostariam de ser marginalizados e impedidos de exercerem uma actividade que lhes permitisse sobreviver? “Ah! Isso é diferente”, responderam quase em coro.
Voltando a Alberto João Jardim, líder do PSD/Madeira, quanto a mim, não serve de bom exemplo para ninguém. É um populista, que em 2005 se limitou a mandar para o ar umas bacoradas contra os chineses e indianos impróprias de um representante em exercício de funções de Estado. Foram apenas uns dislates, porque, na prática, não evitou –nem à luz da Constituição podia evitar- a instalação de chineses ou indianos na região autónoma da Madeira.
No caso dos presidentes das autarquias, estes, têm um instrumento legal –Declaração de Interesse Municipal- que pode evitar o desaparecimento de estabelecimentos emblemáticos antigos. Como no caso dos antigos cafés Arcádia e Brasileira. A Câmara Municipal se tivesse usado esta prerrogativa teria evitado o seu encerramento. Ao classificar um estabelecimento de interesse municipal, não evita a venda do edifício, trespasse ou cedência de quotas, mas em contrapartida, ao usar este instrumento legal, garante que aquele espaço só pode desenvolver o ramo de negócio, comercial ou industrial, na actividade a que sempre esteve adstrito.
Ora, voltando ao chinês dos Marthas, naturalmente que sendo durante 90 anos papelaria, não existia fundamentação nem legitimidade social –tendo em conta o ramo de negócio- para legalmente classificar aquele estabelecimento. Deve-se ter em conta os interesses em conflito, particular e social. No caso particular, quem acautelava os interesses dos Marthas, legal proprietário do espaço comercial? Segundo se consta, os novos inquilinos chineses estão a pagar cerca de 3000 euros mensais. Que actividade comercial, neste momento, em equivalência, podia ressarcir aquela sociedade anónima naquele montante?
Mas, no limite, imaginemos que a autarquia até exercia aquele direito e classificava o espaço. Iria evitar que fosse ocupado por um chinês? Não. De modo nenhum. Bastava que o natural da China tivesse uma pequena secção de papelaria e automaticamente estava dentro da lei para desenvolver a sua actividade comercial no âmbito do seu interesse particular.

terça-feira, 7 de abril de 2009

COINCIDÊNCIAS (IN)FELIZES E MAU DESEMPENHO




Acabei de ser alertado para um facto que é deveras curioso. O concelho de Ourém é um “ninho” de santos. Lá nasceram a Santa Teresa de Ourém, Nossa Senhora da Ortiga, Nossa Senhora de Fátima, os beatificados Pastorinhos e agora o futuro santo Condestável.
O que terá este concelho a mais em relação, por exemplo, a Coimbra? Isto não está certo. Eu também quero um santo para Coimbra. Eu sei o que você está a pensar: já temos a Rainha Santa. Pois temos mas não chega. Os poderes da Rainha, que até é a padroeira da cidade, não tem evitado o cair constante de influência desta no todo nacional. Isto quer dizer o quê? Que a Santa Isabel não está a trabalhar como deve. Se tivesse concorrência, isto é, mais um santo na cidade, as coisas mudavam. Ah pois mudavam! E, perante este fraco desempenho da Santa, o que faz a Igreja Católica, nomeadamente a Diocese de Coimbra? Nada, absolutamente nada. Não deveria o bispo ter pedido já uma avaliação extraordinária ao desempenho da Padroeira?
Eu sei que sou suspeito a falar –até digo mais: não mereço crédito nenhum-, mas uma coisa tenho de dizer, e que me faz comichão atrás da orelha: a Rainha Santa Isabel foi canonizada no reinado dos Filipes de Espanha em Portugal (1580-1640). Ora isto quer dizer o quê? Se de Espanha não vem bom vento nem bom casamento…porque nos dariam uma boa protectora? Eles sabiam que esta venerada Santa não ia fazer de Coimbra a terceira cidade do Reino. Tenho de confessar que só há pouco descobri. Andei eu, enganado, a culpar o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, de nada fazer pela Baixa e afinal ele é inocente. Ah pois é! Ele não tem é quem o ajude nos milagres. Tivesse ele um bom santo na cidade e a coisa mudava de figura. Roubam-nos tudo. Para além das direcções regionais até o Santo António, que andou por aqui tantos anos, passou a ser “Santo António de Lisboa”. Uns ladrões, é o que são. O país está a saque, mas já há muito tempo. Gamamo-nos uns aos outros.
E, volto a dizer, outro culpado também é a Diocese, que, como administrador, não tem sabido aproveitar, reivindicando, o que qualquer um vê a olho descoberto.
E até nem é por falta de milagres. Por aqui há-os aos centos. Eu conheço vários. Por exemplo, do outro lado do rio, a senhora Emília, com quatro filhos menores, com o marido desempregado, a receber menos do que o ordenado mínimo (426,50 euros), farta-se de trabalhar. Sai do emprego às 17 horas e ainda vai fazer limpezas em várias casas. Esta senhora não deveria ser candidata à beatificação? Claro. Mas há mais. Muito mais.
Como estou chateado com esta situação, injusta e discriminatória para a cidade dos estudantes (e dos futricas), não aceitei o convite do Papa Bento XVI para assistir no próximo dia 26 de Abril à canonização de Nun’Alvares Pereira. Fiz bem, não fiz? Pois claro que fiz. É com estas formas de manifestação que as coisas mudam. Bem pode mandar o Papa emissários à cidade para me convencer a ir. Não vou, já disse!...

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE O PAÍS...)



Milu disse...
Uma questão aqui se impõe! Porquê aquela senhora? Porque terá sido iluminada com tão grande graça? Logo ela! Que terá feito de tão gracioso que milhares de seres humanos nunca disso foram capazes? A ela até a compreendo, porque o seu mundo deve de ser imensamente restrito! De tão pequenino nem consegue alcançar ou construir na sua empobrecida mente, a verdadeiramente dimensão do sofrimento humano, que para além dela existe e sempre existiu neste mundo! Contudo os altos dignatários da igreja sabem que tudo não passa de uma falácia! Arquitectada para quem, afinal? Para os fiéis? Onde é que eles estão que os não vejo? O que vejo é imensa gente com medo de morrer, isso sim! Acreditar em Deus é o último reduto para aliviar o medo! Mas tudo bem, não sou contra , desde que saibam separar as águas! É que Deus e a igreja não são a mesma coisa, nem nunca foram, isso nos demonstra a história! A igreja não é Deus, não pode por isso decidir por ele!
6 de Abril de 2009 21:55

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O PAÍS DA FÉ NO SANTO QUE NOS SALVE



No próximo dia 26 de Abril, Nun’Álvares Pereira (1360-1431), graças a um salpico de óleo a ferver que atingiu o olho esquerdo de uma cozinheira de Ourém, será o sétimo português a ser canonizado quase 600 anos depois da sua morte. Segundo fez constar a Igreja Católica, Guilhermina de Jesus, cozinheira aposentada, em Setembro de 2000, estava descansada a colocar uns bocados de peixe na sertã, quando de repente lhe salta para uma das vistas um borrifo de óleo a ferver e lhe provoca uma queimadura grave. “Os médicos foram de opinião que a mazela requeria dois anos de tratamento e que a cura seria apenas parcial. Guilhermina, que apareceu repentinamente curada três meses após o acidente, afirmou que tinha uma imagem do beato Nuno na mesa-de-cabeceira e que lhe pedira que intercedesse a seu favor” –in jornal Público de 5 de Abril.
E pronto!, com uma declaração destas está feito um santo.
Segundo reza a história, quando morreu em 1431 já tinha fama de santo. Foi beatificado quase cinco séculos depois, em 1918 pelo Papa Bento XV –curioso ser o homólogo deste Papa, Bento XVI, a conferir-lhe a canonização.
Conforme anunciado, Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa, vai estar presente em Roma no próximo dia 26. Ao que se diz, Portugal é um Estado laico. A ser assim como entender que uma nação que é independente de qualquer confissão religiosa, que professa o laicismo, vai, em representação do Estado português assistir a este evento religioso? Posso estar a ser injusto, mas há aqui qualquer coisa que não liga. Que vão a Roma as mais altas individualidades da hierarquia católica portuguesa até será legítimo e compreensível. Mas ir o chefe de Estado português?
Sinceramente, sem ofender a sensibilidade de quem faz o favor de me ler, acredito que esta canonização não é mais do que uma fraude, um embuste para os católicos. Talvez por isso, Cavaco Silva, devesse manter alguma distância. Evidentemente que este acto não é isolado, vem no seguimento de outros, como por exemplo a beatificação dos pastorinhos.
Admito que as minhas afirmações sejam conflituosas, mas creio que as beatificações e as subsequentes canonizações, pela vulgaridade, começam a tornar-se tão “lana caprina” que qualquer dia as pessoas boas vão deixar escrito em testamento que não querem ser santos “desta casa” que é Portugal.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O ÚLTIMO "BAZAR DE PORTUGAL"...EM COIMBRA






A Rua da Gala, em Coimbra, para além da sua antiguidade, é uma daquelas ruelas estreitas onde o tempo, na sua lenta modorra, parece ter parado, a fazer lembrar o século XIX. Ladeada de prédios altos, que impedem o sol de se espreguiçar e estender a sua luz resplandecente, esta artéria poderia perfeitamente ser o modelo que visionamos das cidades antigas, com varandas de pedra, resguardo de ferro forjado, assente sobre cachorros com florões, e janelas de avental e guilhotina. Como curiosidade histórica, a Rua da Gala manteve sempre o mesmo nome desde 1678, data em que aparece documentada e relativamente a casas pertença da Universidade e da Câmara.
Como postal ilustrado de um comércio tradicional em vias de extinção, na sua diversidade, não falta a taberna, a “tasca”, a casa de frutas, o pequeno restaurante, a loja de discos, cd’s e vinis, uma pequena padaria, com café, uma loja de artigos chineses, uma loja de pássaros, e uma de brinquedos, que vou falar particularmente: o “Bazar de Portugal”.
Há uma vintena de anos a cidade tinha uma rua inteira de bazares. Na Rua Adelino Veiga, nos seus “néons”, podia ler-se, entre outros nomes, “Bazar de Lisboa”, “Bazar do Porto”, “Bazar de Coimbra”. Pois, ao longo deste tempo, como nevoeiro fustigado pelo sol, todos desapareceram. O último resistente em Coimbra, com o nome baptismal, é o “Bazar de Portugal”.
Fundado por Fernando Dourado, há cerca de 50 anos, este bazar, actualmente a navegar com dificuldade em águas revoltas, tumultuosas, e com ventos ciclónicos tocados pela força do capitalismo proletário do outro lado do mundo, a China, vai-se aguentando à borrasca pelo gosto e amor do antigo empregado e agora proprietário Mário Nicolau. “Vamos resistindo a muito custo. Antigamente tínhamos a revenda. Aos poucos foi acabando, tal como as barracas do “choupalinho”. Hoje subsistimos apenas da venda ao balcão. Tivemos de alargar o nosso leque de oferta para outras áreas. Praticamente todas as fábricas de brinquedos em Portugal encerraram. O “genocídio” do fabricante nacional e dos bazares começou com o aparecimento das lojas de 300. A seguir vieram as lojas de artigos chineses e as grandes superfícies. Como força virulenta, estas liquidaram aquelas e os poucos bazares que restavam. Só continuo aqui porque a renda não é elevada e adoro tudo isto. Os brinquedos são o meu mundo. Continuo a vender os carrinhos plásticos com o mesmo carinho de há 25 anos. Mas também com 66 anos vou fazer o quê?”- interroga-me Mário Nicolau.
Este antigo atleta do Sporting Nacional, situado no Largo da Freiria, recorda os tempos em que, enquanto futebolista, militava nos campeonatos distritais daquela colectividade –este clube, também em coma profundo, tal como o comércio de rua, não se sabe se ainda respira, apesar dos esforços de pessoas como o Mário para o trazer de novo à vida.
A atender os poucos clientes “lá vem um”, igual a qualquer outra loja do comércio tradicional, está a Mara Isabel, herdeira do Nicolau. Com 20 anos e a completar o 12º ano, pergunto-lhe se ela pretende ser a continuadora do negócio. "Gosto muito de atender as pessoas –embora algumas sejam difíceis-, o problema é o pouco movimento que assistimos diariamente no centro histórico. Não vejo futuro no comércio. Tenho pena, mas vou continuar a estudar e optar por outras saídas profissionais. Mas quem sabe?!”, conclui a Mara no meio de um sorriso alargado e cheio de alma.

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE A IRRESPONSABILIDADE...)



Milu disse...
Tenho alguma pena de não saber e, por isso, não poder com legitimidade alvitrar uma opinião sobre esses professores catedráticos. Deve ser algo complicado, porque lidam com alunos que já não são crianças, porventura, alguns bem mais inteligentes do que eles, professores. Em casos de injustiça, ou de nítida soberba destes últimos deve ser muito difícil para os alunos, especialmente para aqueles que, eventualmente, possam ser detentores de um espírito crítico apurado, terem uma vez ou outra de engolir sapos daqueles bem gordos e viscosos! Pela parte que me toca direi que, apenas, consigo recordar-me das minhas professoras até ao Ciclo Preparatório pelas piores razões! Foram tão desgraçadas comigo que me sinto incapaz, de todo, de evocar as suas memórias, por o que quer que seja que pudesse ter sido positivo! Já registei, até, algumas histórias do meu tempo de escola e do relacionamento que tive com as professoras! Decididamente não lhes perdoo! A nossa infância é por demais importante para a nossa formação, como indivíduos capazes e autónomos, para ser ferida assim de qualquer maneira. Fizeram-me mal, sim! Afirmo-o sem peias! Apenas uma professora, apenas uma, foi capaz de deixar uma marca positiva! Julgo que nunca me bateu, porque disso não guardo memória, muito pelo contrário, sinto que foi muito simpática comigo! Posto isto, este é um assunto que me é muito caro! Não fico de ânimo leve do lado da causa dos professores! Está marcado a ferros e a fogo e a sangue, se assim posso dizer, toda a humilhação de que um dia fui vítima. Já na minha idade adulta retomei os estudos e aí sim, tive professores que eram gente! Fiz o 12 ºano e daí não passei e por aqui vou ficar, que isto não está para devaneios!
2 de Abril de 2009 15:04

quinta-feira, 2 de abril de 2009

O QUE FAZ UMA PESSOA SER IMPORTANTE/MENTIRA DE ABRIL



Como certamente os meus leitores se aperceberam, o texto em epígrafe é um a mentirita de Abril…com muito pouco nível. Aliás, nota-se bem. Há dias assim. Não estava inspirado, e depois só sai borrada. Ainda por cima, ao que parece, a notícia do Diário de Coimbra, afinal, é mesmo verdadeira. Antes fosse uma “peta” de Abril, mas isso é outro assunto.
Aos visados, que refiro no texto, as minhas desculpas. Espero sinceramente que ninguém leve a mal. Foi apenas uma brincadeira. Pelo menos foi esse o objecto do texto.
Um grande abraço para todos.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

O QUE FAZ UMA PESSOA SER IMPORTANTE...




Hoje, primeiro de Abril, passei praticamente o dia todo agarrado ao telefone. Tive que ligar para a terra do “tio Sam”, por causa da Madonna e do Jornal as Beiras. Mal tinha acabado de falar com o meu amigo Obama (que afinal estava em Londres) –este gajo é um oportunista, aproveitando a boleia do meu telefonema, começou logo a fazer perguntas sobre o que é que eu achava de enviar ou não enviar mais tropas para o Iraque. E para o Afeganistão? Fogo! Gosto deste rapaz, mas manda-me para a falência. Gastei todo o meu saldo do telemóvel. Às tantas, passei-me e disse-lhe: ó pá não tens vergonha de te estares a aproveitar de um pequeno comerciante de um pais pequenino como Portugal? “Como? Portugal? Então tu não falas de Espanha? Ah, já sei! Portugal é uma província de Espanha, é isso não é?” Palavra de honra, fiquei irritadíssimo, se não fosse tão amigo dele mandava-o apanhar…morangos em Espanha.
Ainda estava a contar até dez, para me acalmar, ligou-me o presidente da Junta de Freguesia dos Olivais, o meu amigo Francisco Andrade –ai não sabem quem é? Ignorantes duma figa. Então não sabem que foi um dos maiores jogadores da Académica? Diz-me então, através do telefone, o Andrade: “ó pá, esta notícia do Diário de Coimbra de hoje, citando-me e com a minha foto e tudo, a dizer que “se adivinha confusão nos cadernos eleitorais” é catastrófico para mim. Como sabes, vestindo eu a camisola do PSD, até vão pensar que sou eu o culpado desta coisa. Bolas, pá! Eu não tenho culpa nenhuma disto, pá! Isto é uma mentira pegada”.
Eu, que conheço bem o Andrade, com a minha calma, fui-lhe dizendo: ó pá não te preocupes, eu vou ligar ao “Zé” (Sócrates) e isto resolve-se rapidamente. “Fazes isso por mim, Luís?, interroga-me o Francisco, como se estivesse a falar com Deus. Claro, pá! E assim foi, lá perdi mais umas horas a falar com o “Zé”. Tal como o meu amigo negro da Casa Branca, tratou logo de se aproveitar do meu telefonema, e toca de me perguntar isto e aquilo. Se deveria demitir o procurador-geral da República. Se eu aceitava ser o substituto do Provedor da Justiça, Nascimento Rodrigues, etc. Fogo! Primeiro que me livrasse dele…

segunda-feira, 30 de março de 2009

UC: A (IR)RESPONSABILIDADE DE UMA INSTITUIÇÃO

(ESTA FOTO É APENAS UMA SINGELA HOMENAGEM A UM GRANDE ARTISTA QUE SE PERDEU)



Recebi um comentário de uma senhora dos Açores, mãe de um malogrado estudante da Universidade de Coimbra, que em Maio de 2008, por alturas da Queima das Fitas, se suicidou. Nessa altura escrevi aqui no blogue -Questões Nacionais- um texto sobre este nefasto acontecimento.
Para não provocar mais dor a esta mãe de sangue, que, na primavera da vida, sem explicação plausível, vê partir a “carne da sua carne”, não vou referir o nome. Acrescento apenas, sem favor, que, para além de ter sido um fotógrafo de extrema sensibilidade, se não fosse este incidente triste, muito teria dado às artes de retratar a realidade que nos cerca.
Já em Maio do ano passado, nesse meu “post”, chamava a atenção para o facto de na Queima das Fitas –que, como sabemos, a edição deste ano, se aproxima a passo rápido- acontecerem todos os anos vários suicídios de estudantes da Universidade de Coimbra. Embora a Universidade tenha um serviço de SOS-Estudante –com o número de telefone 808200204- desde 1997, sabe-se que a este apoio poucos estudantes recorrem.
E perante as mortes (anunciadas) que ocorrem todos os anos o que faz a Universidade de Coimbra? Nada. Ora é aqui que está o fulcro da questão. A universidade, enquanto instituição pública de formação intelectual deveria preocupar-se mais com os alunos e não o faz.
Não se pense que eu falo por falar. Que tenho apenas informação e nenhum conhecimento. Nada disso. Andei lá até há três anos e sei o que por lá se passa. A relação entre professores e alunos é tão fria que nem o novo programa do governo para aderência aos painéis solares vai resolver seja o que for. É evidente que, como em tudo, há excepções, mas são poucas. Um aluno para um catedrático, regente da cadeira, é uma besta. Admite-se que em pleno século XXI, numa faculdade onde se ministra, para além do conhecimento, a tolerância, o trato e a intervenção pública, os alunos sejam tratados como coisas? Evidentemente que falo da Faculdade de Direito, que, a meu ver, mais responsabilidade social deveria ter na formação de advogados e futuros magistrados.
Poderia contar alguns casos que se passaram comigo, mas para que não se pense que falo porque estou ressabiado –e estou mesmo, assumo-o- contarei apenas um caso de um aluno meu conhecido que ilustra bem o que pretendo demonstrar. Há dois anos, em Julho, este meu amigo foi fazer uma oral. Como era verão, apresentou-se de bermudas e chinelos. Quando foi chamado para o exame, o regente da cadeira, demais conhecido e com um ego que não cabe no país e muito menos em Coimbra, ostensivamente mirou-o de alto a baixo. “Só pela forma provocadora e fulminante como ele me olhou senti-me logo intimidado. Vi logo que estava chumbado”, disse-me na altura o meu jovem amigo.
O tal regente da cadeira, do alto da sua importância majestática, fez a primeira pergunta. O aluno começou a “gaguejar”. O doutor nem o deixou acabar. Com ar de gozo, atira-lhe: “Olhe lá, o senhor é do Alentejo, não é verdade?” Perante a anuência do meu amigo, continua: “então faça-nos um favor, vá para lá guardar cabras, que é lá o seu lugar”. E acabou ali o exame oral do meu jovem amigo.
Servirá para alguma coisa dizer que este doutorado cometeu uma ilegalidade? De nada vale, evidentemente.
Sei de várias alunas que sofreram “esgotamentos”, e muitas outras que mudaram de curso e de universidade. É quase cruel a forma como são submetidos os alunos a este tipo de ensino quase medieval. Ninguém questiona um aluno porque não consegue entender o que se pretende. E porquê? Porque, pessoalmente, tenho quase a certeza de que mesmo os professores não sabem o que querem. E, assim sendo, é evidente, como podem explicar algo que não sabem? Costumo dar este exemplo metafórico um bocado estúpido: mandam os alunos apanhar pedras, mas não dão mais especificações. Então, acontecem coisas do arco-da-velha, como não conhecem os parâmetros desejados, aparecem alunos com pedras às costas com mais de cem quilos e outros com pedrinhas de um grama. É assim mesmo. Ninguém sabe, concretamente, o que se pretende. Aparentemente, corre nos corredores que, tal como na Ordem dos Advogados, a intenção é tornar o ensino e as formalidades tão “catatónicas” para que mais de metade desista, ou então continue lá inscrito e não consiga fazer nenhuma cadeira –esta é uma das razões para o chumbo do Tribunal de Contas ao défice da Universidade pelas propinas não pagas na ordem dos 2,6 milhões de euros.
É incrível. Como é que passados mais de um século, da “Geração de 1870” e depois do “In Illo Tempore” de Trindade Coelho, a Universidade de Coimbra, e sobretudo o seu ensino anacrónico, em vez de realçar o que melhor há nos alunos, continue virada para fomentar as depressões individuais.
Se tanto se fala na avaliação dos professores (do Secundário) porque não são avaliados os do Ensino Superior? O caricato disto é que estes professores-doutores, péssimos “ensinadores”, até se dão ao luxo de “botarem faladura” em jornais diários contra os colegas do secundário. É simplesmente ridículo.
No meio disto tudo, quem mais sofre, como é o caso desta senhora dos Açores, são as muitas mães que perdem os seus filhos no dealbar da vida e, ainda mais, por um ensino vergonhoso, que é uma causa perdida.
Para esta mãe, e para tantas outras, o meu lamento profundo.
O que peço a estas pessoas, que provocam a morte por suicídio a tantos jovens, que no seu autismo nem se apercebem, é que arrepiem caminho e que tomem consciência que o poder ou estatuto é uma ilusão. Quando envelhecerem, ou se jubilarem, um ano depois, já ninguém os conhece, a não ser pelas tropelias que fizeram aos alunos, e, tal como qualquer um, vão acabar entre quatro tábuas. A única diferença, na hora do funeral, será o som da cabra (sinos da Universidade) a ecoar por toda a cidade.

sábado, 28 de março de 2009

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE AMANHÃ...)



Milu disse...
EH pá! Não há dúvida que a figura da mulher se presta para tudo! Até para dar horas! Às primeiras impressões ainda pensei que se tratava de uma original demonstração de como se podia utilizar um termómetro! Mas está bem, não fere os olhos, não há ali qualquer famigerado vestígio de celulite! Fez aqui uma referência a um pormenor encantador - O cantar do galo! Sempre que de madrugada ouço um galo cantar, existe pelo menos um, algures perto da minha casa, sou logo invadida por um sentimento de nostalgia, que me atira para um tempo há muito ido! Na aldeia, terra natal dos meus pais, que costumávamos visitar por altura das festas tradicionais e onde se vivia, principalmente, daquilo que a terra dava. Os cantares dos galos sucediam-se uns aos outros, numa reconfortante sinfonia, que nos aproximava de tudo o que há de mais simples na vida! Os animais eram uma parte integrante da família. Quase todas as famílias tinham um burro! Até a minha avó, coitadinha! Um dia apeteceu-me dar uma voltinha, mal o meu pai me sentou em cima do jerico, este deu um jeito aos lombos torcendo-se todo e despejou-me outra vez nos braços do meu pai! Apanhei um susto e nunca mais quis saber do burro! Arroz de cabidela, manjar dos Deuses, um prato forte, tem que ser domado com um tinto, bem encorpado!
28 de Março de 2009 16:22

AMANHÃ MUDA A HORA




Mais logo, quando for 1 hora da manhã, não esqueça, rode os ponteiros para a frente para as 2 horas.
O que é que havemos de fazer? Se tudo aumenta, naturalmente que a hora não foge à regra. No limite, você até pode dizer que não é aumento nenhum. O que se trata, isso sim, é de uma deslocalização. Os conceitos não sei. O que posso dizer é que mais uma vez o governo até neste aumento da hora, ou deslocalização, meteu a colherada. Mais uma vez ficamos a perder. Amanhã vamos receber um dia apenas com 23 horas. Está certo isto? Claro que não! A quem nos vamos queixar? Quem nos paga uma hora a menos de sono? Depois, eu tenho outro grande problema, como é que vou explicar ao Hermegildo, o galo que me desperta todos os dias à mesma hora a cantar, que o horário em que ele mostra os seus dotes artísticos mudou? É claro que ele não vai acreditar. Às tantas ainda vai dizer, a cacarejar, que estes humanos são uns doidos. E, provavelmente, já vi: isto vai dar arroz de cabidela, só pode!
Um dia com 23 horas? Onde é que isto já se viu? Isto é especulação pura. A ASAE deveria intervir. Não acha?

EDUCAÇÃO BÁSICA PARA TODOS



“SÓCRATES E FERNANDA CÂNCIO VAIADOS NO CCB”

Segundo o Expresso, “O primeiro-ministro, José Sócrates, e a jornalista Fernanda Câncio receberam uma vaia geral quando entraram esta noite atrasados no grande auditório do Centro Cultural de Belém (CCB). É que os espectadores ali presentes não gostaram de ter de esperar a chegada de Sócrates para se dar início à ópera Crioulo, que, por causa do sucedido, atrasou meia-hora”.
Continuando a citar o semanário, “O Expresso soube, no entanto, que o primeiro-ministro esteve à espera do seu homólogo cabo-verdiano, José Maria das Neves, o que terá justificado o atraso”.

Um mau exemplo. São estes pequenos nadas que marcam toda a diferença. Quando é que quem gere estes espaços de cultura, e outros, se capacita que o primeiro-ministro, ou o presidente da República são pessoas iguais a qualquer um de nós? Com os mesmos direitos, mas com mais obrigações. Institucionalmente são diferentes na responsabilidade que carregam nos ombros, por isso, deles, se espera um melhor exemplo (do que este) para os nossos filhos e netos.

sexta-feira, 27 de março de 2009

VOZES, RUÍDOS E TROVÕES INSTITUCIONAIS




“Caso Freeport: Marinho Pinto acusa Polícia Judiciária de manipulação”, in Jornal de Notícias online (JN) de hoje.
A determinado passo, e continuando a citar o JN, é dito: “A carta anónima que incriminou Sócrates foi combinada com a PJ. (…) Nesse despacho, a procuradora (Inês Bonino, do Ministério Público) diz claramente que a carta nunca foi anónima. A PJ reunia frequentemente com o sujeito que a escreveu. Eram reuniões em que participavam também jornalistas da revista “Tempo” e políticos –um deles era da Assembleia Municipal e estava em vias de perder as eleições, o outro era o deputado do PSD Miguel Almeida, ex-chefe de gabinete de Santana Lopes– e todos criticavam o PS. Então, a coordenadora da PJ de Setúbal, Maria Alice Fernandes, sugeriu que alguém lhe enviasse as críticas sob a forma de carta anónima. A procuradora, diz ainda (Marinho Pinto), de forma clara, que havia interesse em denegrir a imagem do agora primeiro-ministro”, diz ao JN o bastonário dos Advogados.
Já todos nos habituámos aos disparos de canhão de pólvora seca –isto é, sem consequências- de Marinho Pinto. Porém, o que hoje é transcrito pelo JN é, quanto a mim, de uma tal gravidade desmesurada que, no momento em que os portugueses têm a justiça, esta acusação não pode, como as outras ficar perdida no éter.
Das duas uma: ou o Procurador da República manda investigar com carácter de urgência e, caso se prove a atoarda, o bastonário deve sentar o rabinho no mocho por difamação agravada, ou então, se seguir a mesma linha de anteriores afirmações, em que tais “bojardas” são classificadas de âmbito estritamente político, mais uma vez a justiça portuguesa cai no charco da chafurdice.
Porque, admitamos que tais afirmações são verídicas, é muito grave. Uma procuradora do MP, um qualquer outro magistrado, um qualquer agente de polícia que sugere o recurso à carta anónima deveria ser sancionado gravosamente. A carta anónima é própria de cobardes sem qualquer respeito por si mesmo e muito menos por outrem. Um Estado que admite este recurso para iniciar investigações não é “pessoa de bem”. É um instigador da corrupção ética e comportamental.
Ainda em 26 de Janeiro deste ano, João Batista Romão, Director Nacional Adjunto da Polícia Judiciária do Porto, em entrevista também ao JN, afirmava preto no branco: “Passou-se ao exagero. Há muita denúncia que não tem fundamento. Que chega-se à conclusão que é tudo falso. Isso atrapalha processos importantes porque não há tempo. Não se consegue dar resposta. Em 100 denúncias, por regra, 80 não correspondem à verdade”.
Perante estas afirmações de um magistrado e Director da PJ o que espera o governo para acabar com as denúncias sem rosto? É difícil? Penso que não. Seria apenas alargar o “estatuto do arrependido” e aplicá-lo a um qualquer denunciante que o solicitasse. A sua identidade seria mantida em segredo, embora as autoridades soubessem a sua identidade. Aliás, a investigação só teria a ganhar porque a determinado passo do inquérito é necessário consultar o denunciante e tal “demarche” torna-se impossível pelo desconhecimento do autor.
Claro que se se falar neste propósito a qualquer magistrado do MP, logo, vai dizer que tem de ser assim, em virtude do Código Penal contemplar indemnização por denúncia caluniosa. Mas, e o que acontece agora? O denunciado inocente pode demandar o caluniador? Claro que não. Ou seja é um falso argumento.
Portanto, investigue-se depressa as afirmações do Bastonário dos Advogados e, a bem da Nação, a bem de todos nós, de alguma dignidade que ainda nos resta, acabe-se com este cobarde acto institucionalizado, próprio dos Estados ditatoriais ou terceiro-mundistas.

quinta-feira, 26 de março de 2009

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE MAMA MIA...)



Milu disse...
É visível que fome esta senhora não passa, nem tem cara de ter doença! Não concordo com esta forma de fazer face à vida. Uma pessoa que se sinta digna, mas que está a atravessar um mau momento na vida, tem todo o direito e o dever de recorrer a ajudas institucionalizadas. No caso de não obter resposta deve por todos os meios possíveis fazer denúncia. Ir para a rua com um filho nos braços para apoquentar as consciências dos transeuntes, isso é que não! Porque a vida custa a todos! Há uns tempos trabalhei em turnos, havia uma semana em que tinha de acordar cerca das três da madrugada e saia do emprego às 13,00H. Desde criança sempre tive dificuldade em conciliar o sono, há em mim uma tendência natural para me deitar tarde e acordar tarde, logo trabalhar por turnos era uma brutalidade a que me encontrava submetida. Para me levantar às três da madrugada e para dormir o suficiente teria de ir para a cama ainda com sol, ora, uma situação que ia contra a minha natureza. A maior parte das vezes nem sequer dormia. De maneira que quando saia do emprego até vinha doida e com uma brutal bebedeira de sono, não pensava correctamente, via mal, enfim tudo mau. A caminho de casa, costumava parar num supermercado para me abastecer de algumas coisas necessárias, o pão por exemplo. À entrada do estabelecimento, invariavelmente, encontravam-se algumas destas pessoas que vivem do vício da pedinchice, mão estendida e filho à ilharga. Bem, eu nem sei o que sentia! Vi-as ali fresquinhas e bem dormidas, mal trajadas, é certo, mas de aspecto radioso, enquanto eu tinha feito o supremo sacrifício de sair da minha confortável caminha de madrugada para enfrentar o dia de trabalho, sentia um caco, um farrapo humano, tão desfalecida que o mais pequeno piparote seria o suficiente para me derrubar ao chão! Que espera, caro senhor, que dissesse a quem me estendia a mão suplicando uma esmolinha? Correndo o risco de parecer ter um coração cruel e empedernido digo a verdade, porque nem admito outra coisa, sempre fui capaz de fazer peito às consequências das minhas acções, não é agora, nesta altura do campeonato que tem sido a minha vida, que vou desistir de ser quem sou. Pois bem, olhava a pessoa bem nos olhos e dizia-lhe - precisas de dinheiro? Então vai vergar a mola... O mesmo é dizer vai trabalhar...
26 de Março de 2009 14:15

terça-feira, 24 de março de 2009

MADRE MIA (DIZ A CRIANÇA)




Esta mulher amamenta
uma criança adormecida,
estende a mão e acalenta,
talvez nem esteja sentida,
é a esperança que a sustenta;
Sinta bem o seu olhar,
perdido na imensidão,
parece nem se importar,
se é ou não provocação,
aquele alvo seio mostrar;
“Ajude”, parece dizer,
em ladainha estudada,
talvez choque quem ver,
aumentando a passada,
olhando o céu sem querer;
De onde virá, que faz aqui?
São interrogações a mais,
num quadro que só por si,
misturado com os demais,
deveria envergonhar aqui;
Condenamos a mulher-mãe?
por usar aquela criança?
Ou tentamos ver também
uma réstia de esperança
a "ninguém" que quer ser alguém?

segunda-feira, 23 de março de 2009

A F(PH)ARMÁCIA (DE) NAZARETH

(UM PORMENOR DO TECTO)

("OLHE AQUI! ESTÁ VER ESTE BARÓMETRO?")

(A LINDA FACHADA; TALVEZ A RAINHA DE TANTAS OUTRAS)

Quem passar pela Rua Ferreira Borges, em Coimbra, mesmo que ande distraído, inevitavelmente os seus olhos vão poisar na mais linda fachada daquela artéria, quiçá rainha de todas as frontarias da cidade.
É o estabelecimento, em actividade, mais antigo da Lusa Atenas. “Foi fundada em 1815. Olhe que ainda conservamos os rótulos antigos feitos em Paris”, diz-me, acaloradamente e cheio de orgulho, o Dr. Victor David. Na sua voz, como um conservador de museu que ama o que preserva, nota-se a convicção, o empenho e a certeza de que tem uma responsabilidade social ao usufruir uma jóia de valor incalculável.
Fazendo analogia com o nome, pela sua beleza de exemplar único, se esta farmácia existisse no tempo de Jesus de Nazareth, este Homem, embora na Bíblia não conste de que alguma vez estivesse doente, teria sido cliente desta botica.
A título de curiosidade, começando pelo étimo, “Farmácia” é a ciência que tem por objecto o reconhecimento, a recolha e conservação das drogas simples e a elaboração dos medicamentos compostos. Esta ciência, e arte, de preparar medicamentos começou a ser protegida em Portugal em meados do século XV. A Faculdade de Botica foi instituída na Universidade de Coimbra no reinado de D. Sebastião (1568-1578)”, in Moderna Enciclopédia Universal.
Voltando à nossa jóia da Coroa, e continuando a ouvir Victor David, “esta farmácia é a vida e a alma da minha mulher”. E de facto, em boa verdade, não exagerou. Ao falar com a Drª Maria Ascensão, esposa e também proprietária, directora técnica da farmácia, sente-se o seu envolvimento na forma como fala da “menina dos seus olhos”.
A Farmácia Nazareth foi a primeira distribuidora para Portugal de artigos para revelação de fotografia e material radiológico. Estamos a falar dos primórdios do retrato, por volta de 1860, das placas de vidro de gelatino-brometo. Nos clientes da farmácia, de artigos radiológicos, contavam-se os falecidos médicos Moura Relvas e Adolfo Rocha (Miguel Torga).
Se os móveis originais desta botica “ancienne” falassem, mil histórias contariam. No entanto, a Drª Ascenção não deixa créditos por mãos alheias. Tudo o que respeita à sua “menina do peito” esta senhora não se cansa de contar. “Olhe que a minha farmácia foi o primeiro estabelecimento autorizado de distribuição para a zona centro de água das Pedras e água de Luso”. Complementa o marido, Victor David, “por volta do fim do século XIX, a água vinha pela “posta-restante” até à ponte de ferro, até à casa da Ponte, em Santa Clara, e depois era transportada em carroça até aqui à farmácia”.
Continuando a ouvir, com gosto, estes dois teimosos na conservação do património comercial, “olhe aqui! Está a ver este barómetro? Por volta de 1920/1930, os jornais diários da cidade (certamente entre eles o Conimbricense) vinham aqui saber das previsões de chuva para o dia seguinte”, diz-me Victor David, embalado na descrição de factos históricos relativos ao mais antigo estabelecimento de Coimbra e que está na sua família desde 1980.
A Farmácia Nazareth, contrariamente aos guias turísticos da cidade, que olvidam este quase bicentenário estabelecimento, é referida no Guia Michelin com a seguinte menção honrosa: “ao passar na Rua Ferreira Borges, vindo do Largo da Portagem, nos números 135/139, não esqueça de olhar para o seu lado direito. Encontrará a Farmácia Nazareth, um bom exemplo de conservação do património comercial” –citado de memória.

UM SORRISO MARCA A VIDA



Encontrei-te por acaso,
numa rua da cidade,
tropeçei no teu sorriso,
pareces não ter idade;
Tanto tempo já passou,
eu mal te reconhecia,
se não fosse o teu sorriso,
eu jamais me lembraria;
É estranho um sentimento,
p’ra viver é tão preciso,
parece que nada contou,
a não ser o teu sorriso;
Essa alegria espontânea,
que me prendeu tanto a ti,
foi esse sorriso louco,
que me escravizou assim;
Agora até entendo,
e consigo compreender,
por que é que só um sorriso
nos amarra até morrer.

sábado, 21 de março de 2009

UM COMENTÁRIO RECEBIDO (SOBRE A VOZ INCÓMODA)

(EDUARDA MAIO, JORNALISTA DA ANTENA 1)


Milu disse...
A publicidade melhor conseguida é, sem dúvida, toda aquela que se apoia nas cenas mais evidentes do quotidiano.Não é preciso rebuscar muito, basta olhar em volta, basta, também, ter a sensibilidade suficiente para conseguir captar o sentimento mais generalizado do tempo actual. Ora, o que tem estado na ordem do dia, na verdade, são as manifestações, greves e diversas contestações de carácter político, etc. Sendo assim, é normal que se aproveite o boneco, quer para construir publicidade quer para fazer humor, para certos programas que vivem da sátira. Não vejo razão para o empolamento deste caso! Qualquer coisinha hoje é notícia. Uma paneleirice qualquer enche páginas de jornais! Estamos mesmo em crise! Ultimamente tudo serve para atacar este governo. Com a economia do mundo inteiro de pantanas,querem-nos fazer crer que Sócrates é o principal responsável pela situação precária do nosso país. Mas atenção - tudo isto não passa de um golpe baixo, que se traduz numa grave falta de respeito pelos portugueses, porque não é verdade, antes fosse... Trocava-se de governo e ficávamos todos ricos, todos a viver um oásis de abundância! Infelizmente a realidade é bem amarga! Não vamos lá com pachos e panos quentes. É preciso trabalhar e sobretudo mudar esta mentalidade comesinha, pequenina e miserabilista.

sexta-feira, 20 de março de 2009

A RTP PÔE-SE A JEITO...



Segundo o Sol online, há cerca de uma hora, a RTP colocou-se de cócoras, pronta a ser “entalada” pelo PSD e PCP.
Tristeza de direcção…sem direcção! É por atitudes destas que o país está onde está. Ou seja, na sanita da Europa. E, pelos vistos, com esta gente, tardará em sair de lá. Todos cagam na nossa dignidade, a começar pelos partidos políticos. Está explicado o raquitismo que enferma a democracia. Coitadinha da “menina”, jamais chegará a adulta, com tais pais protectores e detractores.
Muitos medos têm as instituições de celeumas partidárias, mesmo quando se trata do seu respeito e o que devem aos portugueses.
Porca miséria! Vou mas é para Angola…

A VOZ INCÓMODA




Depois dos ciganos de Barcelos, aí está outra controvérsia, agora em torno de um anúncio da Antena1, em que aparece uma grande fila de carros parados e alguns a tocarem a buzina. Dentro de uma viatura, um condutor ouve Eduarda Maio –autora do livro “Sócrates: o menino de ouro do PS”, a biografia autorizada do primeiro-ministro, lançada em 2008-, uma jornalista daquela estação de rádio pública, dizer que “daqui a pouco, vamos em directo para o Parlamento, vamos acompanhar o debate, desta tarde, na Assembleia da República. São agora 11,23. Uma informação de trânsito…”
A seguir, Eduarda Maio entabula uma conversa em directo com o condutor:
-Ó Rui, não vale a pena ir por aí, está cortada a rua…
-Não acredito! Outro acidente, Eduarda? –pergunta exasperado o chouffeur.
-Não. É uma manifestação, responde a jornalista.
-E desta vez é contra quê? –interroga o condutor.
-Bom, pelos vistos, é contra si, Rui! –conclui Eduarda Maio.
-Sim, sim… contra mim! -desabafa o condutor, parecendo não acreditar.
-Pois! Contra quem quer chegar a horas –remata a jornalista.
Seguidamente aparece o Spot publicitário, com uma voz masculina de outro jornalista: “Quem nos diz tudo sobre a actualidade, diz-nos muito. Antena 1, liga Portugal”.
Segundo o jornal Público online, o PSD, perante este texto publicitário, pediu hoje a demissão da direcção da Antena 1 “devido ao “Spot” publicitário de promoção à informação da rádio, que considera “atentar contra a liberdade de expressão e de manifestação”.
Salienta-se que o Spot publicitário mereceu igualmente críticas da restante oposição.
Continuando a citar o Público, “O “Spot” também vai motivar uma queixa da CGTP ao Conselho de opinião da RTP (…). O PCP admite, ainda, chamar ao Parlamento a administração da RTP se não for retirado o anúncio (…), que descreve como uma “ofensa” a “um direito fundamental” –o direito à manifestação.”
Não deixa de ser irónico que, passados quase 35 anos, os partidos políticos, auto-apelidando-se de progenitores da democracia –e sobretudo o PCP- tratem este sistema político -em que a autoridade emana do conjunto dos cidadãos, baseando-se nos princípios de igualdade e liberdade- ao sabor das suas conveniências. Aparam a democracia consoante o jeito que lhes dá, e como se esta fosse imberbe, nunca crescesse. Os partidos, certamente, pensam que as pessoas serão tolas e não têm cabeça para pensar. A sua hipocrisia é tão grande que nem a chegada da primavera, com os seus odores a flores, consegue disfarçar o cheiro a mofo que empesta o ar.
Ficam duas perguntas a balouçar no éter: Quem atenta contra a liberdade de expressão?
E se, por acaso, a voz, em vez de ser de Eduarda Maio –que escreveu a biografia de Sócrates- fosse de uma qualquer outra jornalista, teria desencadeado a mesma reacção partidária?