
Estou farto de sugerir uns óculos ao meu amigo Armindo Gaspar, presidente da APBC, Agência de Promoção da Baixa de Coimbra. Sempre que nos encontramos, lembro-lhe que a idade não perdoa, e, então no que toca à visão, o tempo é implacável. Palavra que já lhe disse que, se é por questões estéticas e de beleza, com os adornos bifocais, só poderá ficar melhor, vai ficar lindo. Se é por questões financeiras, e na impossibilidade de melhor preço num oculista tradicional na Baixa, recomendo-lhe a Multiópticas, que, segundo a publicidade, se o desconto é igual à idade, logo o meu amigo, que está próximo dos 60 anos de idade, vai pagar uma ninharia. Mas ele é teimoso e insiste em não ir. Depois faz as figuras que vos vou mostrar.
Hoje o DIÁRIO AS BEIRAS, em primeira página, em título de “caixa-alta”, anuncia em parangonas: “COIMBRA -Crise “mata” comércio na Baixa”. Em subtítulo, “Vivem-se tempos de aperto. O excesso de oferta aliado à queda do poder de compra leva à falência de alguns estabelecimentos comerciais. Em tempo de férias, a situação piora.”. No interior, em desenvolvimento, e a determinado passo, questiona o jornalista António Alves: “Motivo para alarme? O presidente da APBC, Agência de Promoção da Baixa de Coimbra, assegura que não. Armindo Gaspar mantêm-se optimista. “Em 50 lojas, estar meia dúzia fechadas, e tendo em conta o contexto económico, não é nada mau”, sublinha. E há mais. Armindo Gaspar garante que muitos dos estabelecimentos fechados vão reabrir, e com “nova cara”.
Continuando a citar o jornal, “O Dolce Vita, o Fórum e o Coimbra shopping não têm problemas. Porém, há quem diga que o cenário não é como parece. Armindo Gaspar afirma que muitas das lojas das grandes superfícies comerciais só não fecham porque os contratos de seis anos não o permitem. Todo o dinheiro investido seria perdido”.
Vamos então por partes. Primeiro, o universo de lojas comerciais na Baixa é de cerca de quinhentas e não cinquenta como refere o meu amigo. Segundo, o número de lojas encerradas nesta parte histórica da cidade são mais de cinquenta. Terceiro, o meu colega comerciante, em vez de se preocupar com os estabelecimentos da Baixa –para isso foi eleito- parece estar receoso com as lojas dos grandes centros de consumo.
Então, digam-me lá, o Armindo precisa de óculos ou não? Está bem, eu sei, podem argumentar que estes lapsos de visão e memória podem não se dever só aos olhos, pode ser Alzheimer. É verdade! Pode ser. Mas, cá para mim, também pode ser da gravata oferecida por Carlos Encarnação, presidente da autarquia conimbricense. É que este laço comprido em forma de cânhamo, adorno social que a todos fica bem, e que qualquer um gosta de receber como presente, para além das cores da coligação, tem um intenso odor a perfume “politicamente correcto”.
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